Um dia destes, a propósito da alteração do código laboral, ouvi Carlos Silva, antigo secretário-geral da UGT, dizer que quando João Proença, no tempo da troica, assinou um acordo patriótico que assegurava alguma paz social (isto é, deixava a CGTP sozinha na sua habitual luta reacionária contra tudo o que mexe), a UGT perdeu milhares de trabalhadores que se desfiliaram.
Toda a discussão sobre o pacote laboral, que me parece que tem estado a correr muito mal para os sindicatos - a taxa de sindicalização terá descido dos mais de 69% em 1974 para uns meros 7%, devendo a UGT representar uns meros 2% dos trabalhadores - tem permitido perceber o estado comatoso do sindicalismo, mas acho que ainda não tinha ouvido declarações tão honestas, e ao mesmo tempo tão deprimentes, como as de Carlos Silva, que no fundo tem vindo a dizer que tudo o que a UGT tem vindo a fazer não tem nenhuma relação com a defesa dos trabalhadores, mas sim com a defesa da UGT e o medo que a UGT tem de, qualquer dia, nem um por cento dos trabalhadores representar.
Com o sindicalismo está a passar-se o mesmo que se passa, por exemplo, com o movimento ambientalista: como o dinheiro e o poder dos sindicatos tem pouca relação com a quotização dos sócios, a estrutura sindical profissional não tem de se preocupar com os problemas dos trabalhadores, só tem de se preocupar com o fluxo contínuo de dinheiro e poder que assegura aos sindicalistas profissionais o seu estatuto e rendimento.
Na verdade, muito mais que revisões ao código laboral, o que me parece que seria útil era uma revisão profunda das regras aplicáveis ao sindicalismo, voltando a colocar o sindicalismo na posição histórica que tinha na sua origem: organizações livre de trabalhadores, geridas e financiadas pelos trabalhadores, sem sindicalistas profissionais, sem benesses de qualquer tipo por parte do Estado, sem reconhecimento de concertações sociais, contratos colectivos e outras inutilidades que tais.
Os trabalhadores que se organizem livremente nas empresas em que trabalham, se juntem para defender os seus interesses nas empresas em que trabalham, e a taxa de sindicalização com certeza subirá.
Não é por a UGT subscrever acordos gerais patrióticos que perde associados, é mesmo por não representar os trabalhadores e por não dar resposta aos problemas dos trabalhadores.
O mesmo se diga para a CGTP, que nunca subscreveu acordo nenhum e continua a perder, de forma consistente, representação nas empresas e junto dos trabalhadores.
RTP2 hoje de manhã, por voltas das 9h:39 no programa "mini Ninjas" , vale a pena ver como é explicada aos petizes a ditadura salazarista a contrastar com a passagem para a democracia.
ResponderEliminarRecomendo esta "aula" de história simplista e cheia dos clichés do costume : « As meninas eram educadas para serem mães e os rapazes a obedecer para irem para a tropa!»; «controlavam o que se vestia e o pais vestia-se de cinzento». Só depois do 25A as pessoas puderam usar cores garridas! Os maridos podiam bater nas mulheres. E outros "mimos" assim. A não perder!
fui, mas não sou sindicalizado porque não financio inúteis. o sindicato a que aderi deve ter 2% de associados e desconfio que nem todos pagam as cotas
ResponderEliminarA parte submersa do Iceberg, aquela de que ninguém fala, é que as Entidades Patronais, tem estado a Cumprir a sua parte de forma muito Competente.
ResponderEliminarDiscursa-se com genica militante na AR mas muito estranhamente, faz lembrar os Discursos do 28 de Maio antes do Abril 74
ResponderEliminarA lógica mais elementar recomendaria só haver Sindicatos em havendo Sindicalizados
ResponderEliminarNo Portugal pós 25A , " sindicalismo" andou sempre a par de "parasitismo"...
ResponderEliminarJuromenha
Pois
ResponderEliminarO sindicalismo histórico perdeu grande parte da sua razão de ser e tem evoluído para modelos diferentes mais ligados à empresa do que ao sector (os exemplos alemão e até americano vão nesse sentido). Em Portugal o sindicalismo histórico é hoje um sério obstáculo ao desenvolvimento económico e ao bem estar das classes médias.
ResponderEliminarContratos Colectivos de Trabalho que fazem talvez sentido em grandes empresas (em Portugal muito poucas) mas que depois Portarias de Extensão aplicam ao universo do sector levem médios e pequenos empresários a recear e recusar contratar empregados. Na zona onde vivo, arranjar um canalizador ou um electricista para uma pequena reparação, é quase como arranjar uma consulta de dermatologia, exactamente por isso. Estão assoberbados de trabalho mas têm medo de contratar. Depois há empresas de serviços que, mesmo pequenas, contabilizam a deslocação o motorista (ou sobreencargo remuneratório se fôr o mesmo) o uso de material, etc, e que cobram 3 a 4 vezes mais do que o profissional local.