segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os reaccionários e o risco

"exige-se a um executivo que a execute bem, sem falhas e sem que ela seja geradoras de injustiça", escreve uma editorialista de um jornal, "era muito arriscado passar para a generalização", diz o antigo presidente do júri nacional de exames.

Dois bons exemplos de reaccionários que querem passar por prudentes, mas prudente não é quem só decide quando tem a certeza de não cometer erros, prudente é quem avalia os riscos e decide avançar quando se convence de que os riscos são geríveis e compensados pelos ganhos.

A digitalização da correcção dos exames foi conseguida, com erros, percalços, um esforço maior que o estimado, mas está feita e antes não estava.

A situação actual é melhor do que era antes, com uma correcção mais rápida, mais eficiente, mais escrutinável e com uma defesa mais robusta dos direitos dos alunos.

Isso atrasou três dias a divulgação das notas, ou mesmo cinco ou seis, obrigou milhares de pessoas a trabalhar muito mais do que deveria, obrigou a custos acrescidos, criou perturbações e incerteza em alunos e famílias e tudo isso, mas está feita a transição, no essencial (mau fora que não continuasse a melhorar com os problemas que, forçosamente, ainda vão ter de ser resolvidos).

Pretender execuções de processos novos sem falhas é típico de alguém que nunca teve de gerir nada de relevante, adiar decisões até que os riscos sejam irrelevante é típico de quem tem aversão ao risco e, por isso, nunca sai de onde começou.

Dizer que o processo falhou só cabe na cabeça de quem não faz a mínima ideia do que era o ponto de partida e do que é hoje o ponto de chegada (senhores jornalistas, agora que vão deixar de ter o mundial e a novela dos exames, tenho uma sugestão para preencher o espaço vazio que vos aterroriza, uma comparação exaustiva do que era todo o processo de correcção dos exames antes e depois desta alteração).

Um conservador é quem se opõe, ou pelo menos não apoia, mudanças cujas vantagens não consegue ver, sobretudo em situações que, no seu ponto de vista, não são excessivamente negativas no momento.

Reacionários são outros, os que se opõem a mudanças porque trazem riscos, correspondendo a uma larga faixa dos portugueses, grande, sem dúvida, e muito sobrerepresentada nas redacções dos jornais e estruturas partidárias.

2 comentários:

  1. Quando se olha para o que é a Comunicação Social em Portugal e se lê o que disse a tal "editorialista", conforme primeiro parágrafo do texto, a conclusão só pode ser que a
    a mulher vive uma realidade paralela.




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  2. Na mouche. Touché.
    Este Governo não pode mostrar medo de fazer reformas.
    Iniciou com este processo, com sucesso, ganhou credibilidade.
    Próxima pedra, equiparar funcionários públicos ao sector privado. Essencial para competitividade e melhor serviço público

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