O uso de adjectivos, e de adjectivos brutais, para emitir opiniões é uma técnica retórica milenar e, quando bem aplicada, pode dar resultados fantásticos.
Questão diferente é o estado de indignação permanente que, à falta de substância, se vicia na adjectivação.
De acordo com uma opinião muito transversal, de gente muito importante (a mais importante fala em equidade, não em igualdade e desigualdade), o facto de uma nota dos exames sair a uma Sexta-feira e a do colega do lado só sair, por exemplo, na Segunda-feira, sabendo que na Terça-feira começam exames de segunda fase que os alunos podem ou não fazer, cria uma desigualdade brutal e inaceitável entre alunos.
O argumento é o de que os alunos que conhecem a nota na Sexta têm mais tempo para decidir e, decidindo ir à segunda fase, têm mais tempo para estudar que os alunos que só sabem a nota à Segunda.
A desigualdade existe, mas chamar-lhe brutal e inaceitável é achar que é mais inaceitável e brutal que a desigualdade de vir de um meio escolarizado e rico, em vez de vir das barracas (desigualdade existente e aceite por toda a gente, no sentido em que não impede o percurso escolar normal, mesmo que se defenda, como a generalidade das pessoas defendem, se que procure combater essa desigualdade), que é mais inaceitável e brutal que a desigualdade que decorre de se ter um bom ou mau professor, é mais inaceitável e brutal que a desigualdade de se ter nascido tranquilo ou nervoso sob pressão, e muitas outras desigualdades que existem e com as quais convivemos.
Os exames avaliam um ano inteiro de aprendizagem (sim, escusam de me maçar com as limitações de um exame para avaliação de aprendizagens, já sei), os alunos já fizeram (ou não fizeram, por estarem doentes) exames na primeira fase, ou seja, achar que são dois dias de estudo intenso (não vou discutir o magno problema da disponibilidade psicológica do aluno para o estudo quando sabe, ou não, a sua nota da primeira fase) que criam uma desigualdade brutal e inaceitável é viver completamente no mundo da lua.
Haveis de ir longe, partindo do princípio de que a igualdade e desigualdade de acesso ao ensino superior depende do número de horas em que se consegue estudar nos três dias anteriores ao exame.
Não gostam o ministro, não gostam da política, não gostam de decisões concretas tomadas, tudo bem, estão no vosso direito, mas apresentem argumentos, por favor, em vez de adjectivos.
Exacto
ResponderEliminarQuem tem nota tem nota e sabe com o que conta, quem está em suspenso apdnas tem de esperar.
Não há desigualdade, nem o caos o horror.
Faz parte da vida
Há que ser resiliente e saber lidar com os percalços normais da existência humana
O próximo ano correrá melhor
Bom texto.
ResponderEliminarJá as greves não causam desigualdades nenhumas, nem constrangimentos na vida de alunos e pais.
O Engenheiro Luís Valadares Tavares tem hoje no Observador um artigo de opinião interessante.
O ministro falhou. O resto é retórica, uma disciplina usada para que os seus adeptos capricharam na justificação.
ResponderEliminarA digitalização da correcção de exames está feita. O ministro falhou em quê? Pode ser mais concreto?
Eliminar