"Fernando Alexandre poderá vir a encontrar-se numa situação tão frágil em termos políticos que o ministro-estrela do Governo perderá condições para se manter no cargo. E, se isso acontecer, não se perderá apenas um ministro da Educação altamente qualificado - perde-se também o ministro com maior energia reformista do actual executivo e acendem-se todas as luzes de travagem do calhambeque governamental".
João Miguel Tavares escreveu isto, mas poderia ser mais de 90% das redacções e comentariado político a achar normal perder um ministro que se considera bom apenas porque terá cometido um erro relevante.
Não é estranho, culturalmente, em Portugal, é muito frequente a ideia de que falhar é uma coisa inaceitável, não apenas nos ministros, mas também nos empresários, nos artistas, nos futebolistas.
Falhar é muito mais provável que ter sucesso e são muito raras as pessoas que, tendo sucesso, não coleccionaram dezenas de falhanços antes ou depois de terem sucesso, o que não faltam são empresários que falharam, mesmo sendo grandes empresários.
Para lembrar um exemplo muito conhecido, a Jerónimo Martins ia indo à falência com os erros do processo do Brasil, e o que não faltam são falhanços de Belmiro de Azevedo, que nunca conseguiu ter um negócio bancário que tenha corrido bem.
Imaginemos que tudo corre ainda muito mal no processo de exames.
Isso demonstraria que Fernando Alexandre teria falhado em toda a linha nesse processo.
Não vou discutir o argumento das pessoas que acham que esse falhanço resulta de ter confiado nos seus serviços (como confiou logo de entrada nos números de alunos sem aulas), o que é um erro indesculpável (como eu gostava de ver estes campeões a gerir o monstro do Ministério da Educação sem confiar em ninguém, só para comparar resultados).
Imaginemos que não há nada a discutir sobre razões para o falhanço e que toda a responsabilidade é de Fernando Alexandre, que mais ou menos toda a gente reconhece ser um bom ministro, isto é, um ministro que tenta aplicar políticas razoavelmente sensatas de transformação do sector da educação, com resultados bastante razoáveis até ao momento, numa gama de assuntos incrivelmente grande (sim, um dos problemas é que o ministério da educação é mastodôntico e as escolas deveriam ter verdadeira autonomia, acontece que não há apoio social para liberalizar radicalmente o sector).
Por causa de um falhanço, por mais monumental que seja, considera-se que o ministro deve sair.
Muito bem, parece razoável, sobretudo se se repetirem frases genéricas e ocas como "a culpa não pode morrer solteira", ou "alguém tem de ser responsável", como se ser responsável implicasse não cometer erros e não reconhecê-los e procurar resolvê-los quando ocorrem, para que não se repitam.
Ficaríamos melhor se o ministro saísse?
Estaríamos melhor empurrando um ministro pelas escadas abaixo, em vez de aproveitar a experiência que resulta do falhanço para ter um ministro melhor, isto é, o mesmo ministro depois do erro, em vez de um ministro pior, isto é, um novo ministro que tenderia a começar tudo de novo, amedrontado com a experiência do ministro anterior e especialista em fazer-se de rolha, como fizemos com a Administração Interna, neste mesmo governo?
É espantosa a incapacidade do espaço público discutir políticas públicas com os pés bem fincados na terra e não com base nestas fantasias de que os ministros (os artistas, os futebolistas, os empresários, etc., etc., etc., desde que sejam os outros) devem sair quando falham.
Falhar é mau, mas ficar aprendendo com o que falhou é um capital que se deveria valorizar muito mais do que se valoriza num país que acha que Guterres ou Costa fizeram muito bem em fugir das consequências dos seus falhanços.
Há gente, mesmo dentro do PSD que gostaria de ver Fernando Alexandre substituído por Margarida Balseiro Lopes.
ResponderEliminarTambém devemos aplicar o mesmo princípio aos jornalistas.
ResponderEliminarQuando erram (muitas das vezes) também deveriam ser responsabilizados.
aproveitar a experiência que resulta do falhanço
ResponderEliminarO que acontece é que já no ano passado se tinha experimentado, somente com a disciplina de filosofia, o modelo de exames que se seguiu este ano, e deu errado.
Ou seja, no ano passado falhou-se mas, apesar disso, este ano repetiu-se a experiência - só que, de forma generalizada a todas as disciplinas.
Eu diria que, se se falha uma vez, deve-se tentar corrigir os erros e voltar a tentar; mas, mais uma vez, numa só disciplina. Só quando o método funcionasse bem com duas ou três disciplinas em simultâneo é que se deveria tentar generalizá-lo a todas as disciplinas.
Tem alguma informação concreta e verificável de que foram os mesmos erros que foram cometidos, e que os erros detectados na experiência piloto não foram corrigidos?
EliminarE outra: quem fica mal quando uma empresa falha são os acionistas dessa empresa, ou grupo de empresas como as que constam do texto. Neste caso quem ficou mal foram os alunos. Diria que estes últimos têm maior importância a nivel nacional que um accionista da Jerónimo Martins
EliminarNão tenho informação sobre quais os erros que ocorreram no ano passado, nem se foram corrigidos.
EliminarMas sei que, tendo havido erros, quaisquer erros, e tendo eles supostamente (mas não necessariamente) sido corrigidos, o que se deveria ter feito era voltar a testar o sistema somente com uma disciplina. Se desse certo, no ano seguinte aplicava-se com duas ou três disciplinas; se voltasse a dar certo, então aplicava-se a todas as disciplinas.
Não se salta diretamente de um teste falhado com uma só disciplina para uma aplicação generalizada numa situação real.
Resumindo, não faz a menor ideia do que está a falar e propõe uma estupidez gestionária: testar até garantir que não há falhas
EliminarÉ capaz de ser menos precipitado do que generalizar a todas as disciplinas e causar esta confusão, digo eu
EliminarO Ministro foi sabotado e isso devia ser investigado.
ResponderEliminarA Comunicação Social ajudou gostosamente á festa, quando em verdade a devia ter denunciado e desmontado.
O Ministério é mastodontico é uma evidência, mas isso não é desculpa; muitas coisas neste mundo o são; há aviões, navios, cidades, empresas, exércitos, hospitais, etc., gigantescos e não obstante, perfeita e eficazmente governaveis.
O Ministro foi sabotado por gente mesquinha, pequenina e miserável
Está a acontecer agora, uma situação bastante parecida com o Ministro Neves da Administração Interna creio.
Só porque o homem fez de um poço uma "piscina", começaram todos a guinchar como se houvesse crime.
A mesma Comunicação Social, que agora grita de puro horror com o poço/piscina do Ministro, viu, anos a fio, gente fina a sacar dinheiro á Europa, para fazer poços agrícolas que passado o prazo legal, seriam promovidos a Piscinas.
E claro que foram.
Nem um piu se ouviu então, da Comunicação Social.
E falam agora?
Vão se catar
Há um problema grave como a Comunicação Social que temos. Ela é típica de uma ditadura. Como vamos saber o que a Comunicação Social fará de errado? Não vamos pois eles é que determinam o que sabemos. Assim é fácil os jornalismos apontarem o dedo a todos! Como é possível isto acontecer no ano 2026! O povo é idiota pois ou não percebe este problema gravíssimo ou percebe e não faz nada. Claramente vivemos um retrocesso.
EliminarO Povo está se borrifando na Comunicação Social e tem manifestamente, mais que fazer.
EliminarCada vez é mais difícil encontrar pessoas competentes, experientes e sérias dispostas a assumir cargos ministeriais em Portugal. O escrutínio permanente, a exposição mediática e política, muitas vezes desproporcionada, e o desgaste pessoal e familiar fazem com que aceitar um cargo destes seja, para muitos, um verdadeiro ato de masoquismo.
ResponderEliminarO problema é que esta realidade afasta precisamente aqueles que, em teoria, poderiam trazer maior competência e experiência para a governação. Se esta tendência se mantiver, corremos o risco de reduzir progressivamente o universo de candidatos qualificados para funções governativas, com consequências potencialmente graves para a qualidade das políticas públicas e para o próprio funcionamento da democracia.
Sim é um sério problema que não me parece que seja resolvido quando os próprios visados estão muitos contentes em serem socialistas e social democratas. Ou seja fazerem uma imensidão de leis, regulamentos, taxas que sustentam estes partidos para depois serem levados para a forca mediática por causa do que criaram. Se o Neves é apanhado por causa de uma piscina a pergunta é porque é que a cultura social democrata pune a construção de piscinas.
Eliminar"Para lembrar um exemplo muito conhecido, a Jerónimo Martins ia indo à falência com os erros do processo do Brasil, e o que não faltam são falhanços de Belmiro de Azevedo, que nunca conseguiu ter um negócio bancário que tenha corrido bem."
ResponderEliminarMas tinham sucessos para sustentar falhanços.
Onde estão os sucessos deste ministro?
Conseguiu por exemplo reduzir a dominação da esquerda marxista nos currículos do ensino?
Eu não tenho seguido este ministro por isso a pergunta não é retorica.
"Desde que sejam os outros, devem sair quando falham." Como temos uma ditadura na CS onde a informação é controlada, os jornalistas nunca falham! Não sabemos que falham! Logo eles nunca devem sair, só os outros é que devem. Se o que temos na CS é legal, somos piores que um país do terceiro mundo e as pessoas são tratadas como lixo.
ResponderEliminarImaginemos uma empresa alemã produtora de máquinas que concebe uma nova máquina para produzir papel.
ResponderEliminarTesta essa máquina e ela produz papel de má qualidade.
A empresa faz umas alterações na máquina e imediatamente coloca-a em comercialização. Sem a voltar a testar, sem testar o seu funcionamento ao longo de muitas horas, etc.
Uma empresa alemã que fizesse isto com grande probabilidade estaria a comercializar uma máquina de má qualidade e ira rapidamente à falência.
Qualquer nova máquina, novo processo, ou novo método tem que ser repetidamente testado numa variedade de condições antes de ser declarado pronto a utilizar.
Claramente, não foi isto que o Ministério da Educação fez.
Vejo que conhece muito mal a história da inovação industrial: quase todas as novas tecnologias e processos foram postos no mercado, o mais cedo possível, com imensos defeitos, exactamente porque não há teste que permita garantir que todos os problemas estão identificados.
EliminarSe o ganho com a tecnologia é, ainda assim, superior aos problemas (como, por exemplo, na electricidade e no automóvel), o que acontece é que rapidamente a tecnologia nova se instala e os problemas vão sendo resolvidos com o tempo e a experiência.
Que inovação? Digitalizar os exames?...quem o lê, parece que o ministro inventou a roda. Nisto que não falta é conhecimento e boas práticas mas todos os sistemas, sobretudo quando têm implicações desta importância, têm que ser testados e validados, reduzindo ao.máximo a margem para falhas. Em qualquer empresa de dimensão comparável se sabe isso. Ainda por cima num momento de profunda alteração da orgânica do.ministério. E isso evidentemente não foi feito e o ministro é o responsável político. Pode ter muitas qualidades, mas demonstrou nâo ter capacidade para "gerir o monstro". Demita-se.
EliminarEste processo também foi posto no mercado com falhas. Aconteceu em 2025 com os exames de filosofia. O ministro desvalorizou a experiência, repetiu o erro e agigantou-o.
EliminarE hoje aqui estamos com um atraso de dias nas notas dos exames, com um tremendo abalo na credibilidade do processo e com o ministro a protagonizar um espectaculo degradante de passa-culpas.
Tem de sair, sim. Tem de assumir os erros.
O ministro não inventou a roda, limitou-se a fazer o que estava proposto pelos governos do PS e não estava feito.
EliminarSim, passar de um processo todo em papel para um processo parcialmente electrónico é uma inovação com elevadas probabilidades de dar problemas na sua aplicação prática e em escala.
O sistema foi testado, avaliado, aplicado e os problemas que surgiram deram origem a três dias de atraso na saída das notas e um gigantesco passo na melhoria do sistema de correcção de exames.
A estupidez de dizer que os erros do ano passado foram repetidos e agigantados sem se conhecer que erros ocorreram no ano passado e neste ano é, para mim, incompreensível.
Houve problemas, foram corrigidos, houve um atraso de três dias na saída das notas, ir-se-á fazer uma auditoria a todo o processo, e da próxima corre melhor, não vejo qualquer questão relevante nisto.
Os problemas do ano passado não foram corrigidos, como se viu este ano.
EliminarO ministro tem um padrão preocupante: culpa todos à sua volta e não.procuta saber que está a correr mal. O orgulho vai matar o Fernando, tal como a vaidade vai matar o Luís. Dante explicou tudo. É ler.
Hoje os Jornais ainda se ocupam da piscina/poço do Ministro.
ResponderEliminarEsquecem-se naturalmente, de um pormenor insignificante e que é o de dizerem onde está o mal.
Por isso apelo a quem eventualmente, saiba, o favor de dizer onde está o mal.
Qual o crime, pecado, transgressão, delito, etc., de ter um poço/piscina ??
Ouvi que o Presidente do Sporting vai comprar uma casa no outro lado do rio, com três piscinas.
Também é crime ?
Lavar-se com água e sabão também é crime ?
Mesmo que seja, cho que é o que precisam os detratores do Ministro
O ministro não falhou. Os professores é que agrafaram mal os testes, as direções não enviaram o nome dos professres classificadores corretamente, os professores estão a resistir à inovação, as notas estão atrasadas devido ao júri de exames.
ResponderEliminarIsto quando se torna evidente que a falha está na digitalização e na posterior distribuição dos itens para correcção (por acaso as únicas atividades que não dependem dos professores ou dos diretores das escolas).
Não sei se o ministro tem animais de estimação mas espero ansiosamente pela responsabilização do tareco e do piriquito.
Não sei onde foi buscar a ideia de que o ministro não falhou, nunca ouvi ninguém defender isso.
EliminarQuanto ao resto, espero que não dê aulas, preocupa-me sempre a possibilidade de haver professores sem carácter a formar o carácter dos alunos.
Não ter carácter é assacar as nossas responsabilidades aos outros como o ministro e o governo estão a fazer. Assumir os erros é próprio de "portugueses de bem"
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