quinta-feira, 28 de maio de 2026

"O problema que Trump criou no Irão"

 Estou cada vez mais irritado (e é difícil ficar ainda mais irritado, partindo do ponto em que estou) com a falta de qualidade e a estupidez do jornalismo.

O nível de intriga, bem evidente na cobertura mediática das declarações de Passos Coelho que pretende explicar-me o que eu devo entender do que se passou, é estratosférico e activamente promovido, por exemplo, na secção de política do Observador (antes fossem os únicos).

A indigência intelectual de uma manchete do Público dizendo que o Estado vendeu imóveis abaixo do preço de mercado, baseando-se na comparação do preço por metro quadrado do resultado de um leilão de edifícios a necessitar de investimento para serem postos no mercado e o preço mediano a que são feitas vendas depois de todos os investimentos, ultrapassa tudo o que é admissível.

Hoje é o Público com a grande manchete do seu destaque a dizer que, três meses depois, Trump ainda não resolveu o problema que criou no Irão.

Fui tentar perceber qual era o problema e, tanto quanto percebi, é o fecho do estreito de Ormuz, que o Público (antes fossem os únicos) acha que é um problema criado por Trump.

Estranhamente, não acha que o bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irão seja um problema criado pelo Irão, é também um problema criado por Trump, se bem percebo.

O Médio Oriente estava imerso num clima de paz e prosperidade próximo do paraíso, vai daí, Estados Unidos e Israel, para conseguir uns negócios imobiliários, resolveram bombardear o Irão e, com isso, entregar o poder, no Irão, aos generais, que antes não tinham poder nenhum.

Os generais iranianos aproveitaram a oportunidade para fechar o estreito de Ormuz, para liquidar o Grande e o Pequeno Satã, como vinham prometendo há muito tempo, mas toda a gente sabe que era só a reinar, não era para levar a sério.

Ou seja, Trump criou o problema do fecho de Ormuz (que, como se pode ver aqui, tem barcos a passar todos os dias, embora numa pequena percentagem do tráfego normal, até porque barcos com destino ou proveniência do Irão não passam), e não o Irão, como resposta ao ataque de que foi alvo, o que deu origem à resposta americana de bloqueio naval ao Irão.

De resto, a recente escaramuça entre os EUA e o Irão, em que os Estados Unidos fizeram questão de explicar militarmente ao Irão que não têm liberdade de actuação no estreito, a que o Irão respondeu com retórica, mas não militarmente, diz bem do que é a relação de forças actual (amanhã não sabemos) no estreito de Ormuz.

Pretender que o problema no Irão é o que Trump faz em vez de aceitar que o fecho do estreito de Ormuz é uma opção iraniana, é de uma infantilidade que nem num jornal escolar deveria ser admissível, quando mais num jornal que se pretende sério.

13 comentários:

  1. Não é um infantilidade, o Publico assim como a maior parte dos jornalistas em Portugal e já agora no Ocidente estão do lado do Irão. Note como a narrativa do "Direito Internacional" que gostam muito de usar não a aplicam ao Irão que ataca navios mercantes neutrais desde há mais de 1 ano, atacou países que não os atacaram ou ameaçaram, quer fechar estreito com águas internacionais de todos.

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  2. No que me toca, deixei de ligar a Comunicação Social, que se tornou uma mistificação a tempo inteiro.


    Admira-me é que alguém se admire.


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  3. Trump criou o problema do fecho de Ormuz, e não o Irão, como resposta ao ataque de que foi alvo

    Quem criou diretamente o problema foi (e é) evidentemente o Irão, como resposta ao ataque de que foi alvo.
    A questão é que essa resposta era previsível, expetável, pelo que, indiretamente, quem criou o problema foi quem atacou, ou seja, Israel e os EUA.
    O Público tem razão: Trump tinha a obrigação de saber prever as consequências do seu ataque e, portanto, de evitar atacar. Ao atacar, ajudou objetivamente à criação do problema.

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    1. Quem criou o problema foi a República Islâmica ao atacar a embaixada dos Estados Unidos, fazendo reféns cidadãos americanos, o que sabia que iria provocar uma reacção americana, e por aí fora até ao fecho do estreito de Ormuz

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    2. a República Islâmica ao atacar a embaixada dos Estados Unidos

      Isso foi há 47 anos atrás!!! Trata-se de águas mais que passadas.

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    3. Esqueceste-te de ler o comentário até ao fim "e por aí fora até ao fecho do estreito de Ormuz"

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    4. È por conveniência que se esqueceu que o regime dos Ayatollah quer destruir Israel?

      PS: como o Regime que se diz do Irão não deixa os Iranianos expressar opinião que não seja coincidente não devemos usar a palavra Irão. Regime dos Ayatollah's.

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  4. Esclareça então porque é o Irão bloqueou o estreito de Ormuz? O Irão e o seu regime existe há decadas, o estreito de Ormuz existe há séculos.
    Porquê o bloqueio só agora? Será que aconteceu alguma coisa?

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    1. Está escrito no post, porque achou que era uma resposta adequada ao ataque de que foi alvo.
      E antes do ataque não havia ataque, por que razão o Irão foi atacado, será que aconteceu alguma coisa?

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  5. Um dia o publico irá explicar como é bom viver da caridade de um grupo económico, e, mesmo assim, manter a liberdade de debitar um montão de lixo... :)

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    1. Não tem a ver com o Público e sim com o sentido de humor do Grupo que o sustenta

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    2. Milionários com complexos de culpa de o serem dá nisto. Os EUA estão cheios de histórias destas.- especialmente os herdeiros, ou mesmo o empresário quando chega aos 60, por vezes influenciado pela prole e á procura de legitimidade e reconhecimento social.

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  6. https://novocatecismocatolico.blogspot.com/

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