É muito frequente, quando aparecem as tolices habituais nesta altura do ano relacionadas com o tiro aos lucros, haver alguém que pede para se comparar a Jerónimo Martins (e os seus principais rostos) com a Delta (e o comendador Rui Nabeiro).
Aparentemente, pretendem demonstrar a diferença entre a consciência social de Rui Nabeiro e a ausência de consciência na família Soares dos Santos.
A principal ferramenta de distribuição social da riqueza criada pelas empresas é a remuneração do trabalho, por isso vale a pena ser esse o critério central da comparação.
Comecemos pela dimensão dos postos de trabalho associados aos dois grupos: cerca de 4 mil trabalhadores na Delta, contra 130 mil na Jerónimo Martins, ou seja, trinta vezes mais famílias vivem da riqueza criada na Jerónimo Martins que na Delta.
Claro que para quem acha que propriedade é roubo ou, menos radicalmente, que a mais valia é apropriação indevida do valor do trabalho pelo capital, isso significa que a Jerónimo Martins explora trinta vezes mais pessoas que a Delta.
Para as pessoas comuns, no entanto, significa que o grupo Jerónimo Martins é responsável por distribuir riqueza, através da remuneração do trabalho, por trinta vezes mais pessoas que a Delta.
Pode argumentar-se, no entanto, que isso resulta de um grau de exploração maior do trabalho, que é menos remunerado na Jerónimo Martins que na Delta, ou seja, que embora a Delta alimente muito menos gente, é muito mais justa da forma como remunera o trabalho.
Vamos esquecer uma pergunta perfeitamente legítima (se a Jerónimo Martins explora mais as pessoas, e se as pessoas são livres de procurar trabalho onde quiserem, como mantém uma força de trabalho de 130 mil pessoas?) e avaliar se há alguma razão para pensar que de facto há uma maior injustiça na remuneração do trabalho que as pessoas vendem à Jerónimo Martins, em relação ao que vendem à Delta.
Quer a Jerónimo Martins, quer a Delta, fazem parte de um grupo de empresas relevante que adoptaram como política salarial ter os seus ordenados de entrada mais altos que o salário mínimo nacional (todas elas empresas de certa dimensão, lucrativas, pagadoras de impostos, fazendo parte da pequena minoria de empresas do país que pagam a esmagadora maioria dos impostos e segurança social, isto é, são as empresas cujos lucros servem de base ao desporto do tiro aos lucros).
Quer numa, quer noutra, não é fácil saber qual é o ordenado médio e muito menos o mediano, mas o facto é que o ordenado de entrada na Jerónimo Martins parece ser ligeiramente superior ao da Delta, e não vi nada que me faça pensar que quer uma, quer outra empresa, tenham niveis de remuneração do trabalho desalinhados com os respectivos mercados e sectores de actividade, portanto parece-me razoável presumir que tenderão a ter uma remuneração de trabalho ou igualmente justa (para uns), ou igualmente injusta (para outros).
Em qualquer caso, quer um grupo, quer o outro, pagam melhor que a mediana do mercado, isto é, desempenham um papel de distribuição de riqueza, através da remuneração do trabalho, que é melhor que a generalidade da economia (incluindo Estado e sector social, provavelmente).
A sensação que tenho é a de que a discussão de assuntos complexos seria muito mais simples se cada vez menos pessoas insistissem em jamais permitir que a realidade influencie os seus argumentos.
contribuem largamente para a corrupção dos políticos e sindicalistas que vivem da dependência dos seus lucros e são fator da nossa eterna pobreza
ResponderEliminarAcusações graves ou se fazem de forma fundamentada, ou são pura difamação.
ResponderEliminarcorrupção a palavra que mais se ouve e lê a respeito de muitos, mas não já corruptos. tomaram conta do estado
ResponderEliminarO Rui Castro ainda vai a tempo de descobrir que a maior parte do voto é corrupção com violência à mistura.
ResponderEliminarX vota em Y para Y tirar a Z com base numa lei que por ser lei permite uso de violência legal.
Um pequeno número de X só quer mais liberdade para criar, fazer, construir, mas a maioria dos X só quer o que os outros têm.
Resumindo, a sua opção é pela difamação de terceiros. É uma opção que diz mais sobre o seu carácter que dos terceiros que quer atingir.
ResponderEliminarTambém é legítimo questionar se o Estado é tão mau e as pessoas livres de procurar emprego, por que não vão para o privado.
ResponderEliminarÉ sempre bom ler textos de alguém que sabe em fundo como funciona a Jerónimo Martins enquanto empresa. Li há uns dias um outro no sentido oposto. Mas o escriba não era credível, pois não sabia o funcionamento da empresa, e escrevia baseado em ideologia e ideias feitas à partida. Felizmente temos o contraditório factual.
“Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos”, esclarece a CNE. E mesmo que os votos brancos e nulos sejam em maior número do que os votos nas candidaturas, “a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.”
ResponderEliminarhttps://executivedigest.sapo.pt/noticias/legislativas-os-votos-em-branco-ou-nulos-influenciam-os-resultados-eleitorais/
ResponderEliminarPois é, brancos, nulos e a impropriamente a chamada abstenção deviam corresponder a cadeiras vazias no parlamente. Só que o ganancioso "olha lá o meu" prevalece sobre a seriedade e transparência.
ResponderEliminarNão disse que o Estado era mau patrão, paga mal em algumas categorias, paga bem noutras (pagar mal e bem diz respeito à comparação com o mercado), mas tem características que o distinguem como patrão, como a virtual impossibilidade de perder o emprego, que são interessantes para muita gente.
ResponderEliminarA corrupção, por definição, diz essencialmente respeito a actividades públicas. Pode haver corrupção da actividade privada, mas é restrita a situações bastante específicas.
ResponderEliminarQuanto ao resto, escusa de gritar que não é por gritar que tem mais razão.
Para concluir insistindo na ideia, é por essas e por outras que nem se considera criar um campo para abstenção no próprio boletim de voto, que legitimamente teria o estatuto de voto validamente expresso. Sem isso é mais fácil para os fazedores de enganos mamar gulosamente à fartazana.
ResponderEliminarUma reflexão importante.
ResponderEliminarhttps://oplanetadosmacacospoliticos.blogs.sapo.pt/uma-reflexao-importante-90159
pensei que era pessoa decente, mas enganei-me
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ResponderEliminarPrecisamente.
ResponderEliminarNinguém é obrigado a trabalhar para a JM, tal como ninguém é obrigado a trabalhar para o Estado. Todos somos livres, cono o texto bem alude.
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ResponderEliminarhttps://youtu.be/QchD5IDMELQ?si=ITzBEGTXQ7gmGYaj
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