Portugal no longo prazo é o nome do blog de Nuno Palma.
Conheço Nuno Palma por nos termos cruzado no éter (depois cruzámo-nos pessoalmente duas ou três vezes, a mais longa das quais num almoço para o qual o Nuno me convidou) e desde aí acompanho o que escreve porque me parece muito consistente com o que eu próprio escrevo.
Sei que todos nós temos tendência para gostar de ver os nossos preconceitos confirmados de forma independente, razão pela qual faço um esforço para ler o que contradiz Nuno Palma, ou pergunto a terceiros que saibam mais de economia que eu se um ou outro aspecto que me pareça mais estranho tem base sólida ou não.
De maneira geral, as fontes independentes (sejam fontes primárias de informação, sejam opiniões de pessoas a quem reconheço seriedade e conhecimento sobre assuntos de que sou um mero leigo) confirmam, pelo menos em traços largos, o que o leio do que o Nuno escreve.
Tem havido excepções, mas confesso que na maioria dos casos são coisas sem interesse (o livro tem ideias boas e originais, mas as boas não são originais e as originais não são boas, como escreveu Diogo Ramada Curto, é um comentário típico de preguiçoso que prefere o lugar comum à crítica objectiva) ou coisas intelectualmente indigentes, como esta, por exemplo.
O Nuno nem sempre é fácil, como se pode ver por este post em que explica por que razão se recusa a falar com o Expresso (há mais jornais em que parece que não entra, pelo menos não tenho dado por isso, mas desconheço as razões).
Mas, aparentemente, a esquerda militante que domina na academia, perpetuando mitos sobre a nossa história (como o que se deve ao Marquês de Pombal no ensino, ou o esforço do Estado Novo para manter o país pobre e analfabeto), parece, finalmente, estar a perder a guerra cultural.
Por um lado, o livro de Nuno Palma sobre a nossa história económica estará a entrar na 5ª edição, com vinte mil exemplares vendidos, o que é extraordinário para um longo ensaio sobre história económica.
Por outro são cada vez mais os textos com visões menos marcadamente ideológicas sobre a nossa história económica dos últimos cem a duzentos anos e seria uma grande comemoração dos 50 anos do 25 de Abril o enterro definitivo de uma série de mitos fundadores do regime, que o tem mantido preso a ideias que nos tolhem os passos, enquanto comunidade e nação.
O próprio livro do Nuno, e o seu inegável êxito, é a demonstração de como o pêndulo tem andado num sentido diferente do que era dominante na historiografia do Estado Novo, movimento de recentragem que começou há muitos anos, também na academia, mas que tem tardado a chegar às pessoas comuns, ainda ensinadas na escola a tecer loas às reformas educacionais do Marquês de Pombal, sem o contraponto de lhes ser ensinado que há um grande desfasamento entre papel e prática e, na verdade, o que Pombal fez, por razões políticas e de gestão do poder, foi reduzir em 90% os alunos existentes no país. Não porque tivesse objectivo, mas porque precisava de derrotar os jesuítas, que na altura asseguravam o grosso do ensino no país.
Este ensaio publicado no Observador (chamam-me a atenção para a falta de rigor de dizer que o autor é professor de Harvard, com base numas aulas que ele lá dá ou deu, parece que em Portugal continua a ser normal enfeitar-se com penas alheias), é um bom exemplo de como é hoje normal encontrar-se na imprensa mainstream um discurso sobre a história económica do país que não assenta nos mitos fundadores do regime democrático.
A mim interessaram-me sobretudo dois gráficos, cujo rigor também parece deixar a desejar (o gráfico com a percentagem da despesa do Estado por tipo não inclui 100% da despesa, aparentemente faltam ali 30% não explicados), mas que são muito expressivos: a Formação Bruta de Capital Fixo no país (distribuída pelo contributo do Estado e dos privados) e o gráfico com a percentagem da despesa do Estado por tipo, que me parece mostrar as despesas sociais a começar a subir antes do 25 de Abril e as depesas de investimento a cair para níveis que, dizem os autores, não chegam para repôr o stock.


Não me parece um mau dia para olhar para "Portugal no longo prazo".
Henrique... Portugal a longo prazo é blackrock, vanguard , pzifer e assim. Portugal e os países ocidentais menos a minha espanha que não esqueceu, gracias a dios , os reis católicos e os seus ensinamentos. o sanchez pode ser um parvo , mas deixa-me orgulhosa de vez em quando. a atitude dele perante a we a tentativa descarada de retirarem futuramente o monopolio da moeda dos estados é 5 estrelas. querem ser donos da moeda , os ogres . e estão a dar os primeiros passos. e tudo dorme perante um facto desta gravidade.
ResponderEliminarÁ esquerda já começaram os ataques.
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