terça-feira, 4 de abril de 2023

Mentir ao parlamento

Já várias vezes disse o que vou escrever agora como, por exemplo, neste post.


Há tempos, por causa das minhas caturrices com a CRESP e João Bilhim, dei-me ao trabalho de ouvir uma audição que o parlamento fez a João Bilhim (o parlamente está formalmente obrigado a ouvir uma série de pessoas de instituições públicas, mas na verdade não escrutina nada do que lhes dizem essas pessoas) e escandalizado com a calma com que ele mentia ao parlamento, dizendo coisas que facilmente se poderia verificar que não eram verdade, resolvi escrever a todos os grupos parlamentares e a todos os deputados que reconheci nessa audição, com a demonstração inequívoca de que João Bilhim tinha mentido ao parlamento.


Nenhum dos grupos parlamentares, e nenhum dos deputados, alguma vez demonstraram a menor preocupação com o facto de alguém lhes mentir descaradamente, o que aliás acabou por funcionar muito bem em matéria de nomeações para cargos dirigentes na administração pública.


Raramente proponho a criminalização do que quer que seja, mas estou mesmo convencido de que mentir ao parlamento (não os deputados, esses devem continuar a ter toda a imunidade que for precisa para dizerem o que quiserem, seja ou não verdade) deveria ser um crime público e que qualquer pessoa se pudesse queixar ao Ministério Público por alguém mentir ao parlamento.


Não gosto da judicialização da política, mas isto é uma coisa diferente, é o reforço das instituições democráticas e do escrutínio do poder.


Se alguém achar que fazer este post, nesta altura, se prende com a TAP, acha muito bem, mas vai muito para além disso.

12 comentários:


  1. « mentir, mentir sempre, mentir com convicção»
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  2. (https://pdfcoffee.com/aleister-crowley-el-libro-de-las-mentiraspdf-5-pdf-free.html)

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  3. É ver a ARTV. Não há rapazes maus. São todos goodfellas. 

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  4. https://cnnportugal.iol.pt/videos/nao-ha-nenhuma-justa-causa-para-demitir-christine-ourmiere-widener-paulo-saragoca-da-matta/642c9b7c0cf2665294dd8380




    Tudo isto é sórdido demais! É impossível não vermos como este governo se mantém mentalmente preso à imagem desse seu grande timoneiro e "mestre" das trafulhices, que continua a fazer "escola" dentro do PS, exercendo influência nos "modos de proceder". Atingiu-se o grau zero de baixos valores éticos na conduta  política: este país está a ser conduzido pela gente mais vil, mais reles e mais abjecta que se conheceu desde que vivemos em democracia.
    Esta gente não reúne  os "mínimos olímpicos" para exercer cargos políticos com um módico de competência e com um mínimo de decência e de decoro.  
    Mas o mais espantoso é que também não se "sai bem" de tudo isto o PR e fica manchada a sua reputação. Ele  jamais conseguirá descolar a sua imagem de grande cumplicidade com este governo de quem se tornou conivente. Porque tendo Sua EXª  informações privilegiadas que mais ninguém tem, não podia desconhecer os bastidores nem os meandros das actuações políticas pouco éticas, pouco transparentes, tantas vezes a raiar os limites da desonestidade (para dizer o mínimo). 


     Portanto, as revelações que se vão sabendo permitem-nos tirar algumas ilacções acerca da "escala de valores" por que se pauta um PR que "ampara" uns canalhas deste calibre  (e ele sabe-o) e, mesmo assim, tem sido, desde sempre, o seu maior aliado, como se pode confirmar uma vez mais: 


     

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  5. Ricardo Miguel Sebastião5 de abril de 2023 às 11:13

    SIm, deveria haver a figura do perjúrio nas CPI em que mentir seria uma matéria criminalizável

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  6. mentir ao parlamento deveria ser um crime público


    Isso é o que acontece nos EUA.


    Mas os EUA são um país de cultura essencialmente protestante e puritana, ao contrário de Portugal, que tem uma cultura essencialmente católica.


    Ora, na cultura católica, mentir é um pecado muito relativo, aliás, em muitos casos nem é considerado um pecado; chega até a ser positivamente aconselhável. Por exemplo, se um médico deteta que o seu paciente tem um cancro, a nossa cultura aconselha-o a mentir, dizendo ao paciente que ele somente tem uma doença ligeira, a qual irá ficar um pouco pior antes de melhorar. Em relação à mentira não se aplica, na nossa cultura, de forma nenhuma, um imperativo categórico e puritano "não mintas!".

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  7. Mentir é um crime público nos EUA? Então porque é que o Trump e toda a escumalha do partido dele ainda estão à solta?

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  8.  Essa permissividade em relação à verdade que atribui aos católicos torna-se bastante cómica quando chega ao ponto de afirmar que "nem é considerado pecado" e que até "chega até a ser positivamente aconselhável".
     Mas nada como confirmar se assim é, se o Balio tem razão ou não, pois dei-me a esse trabalho:
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  9. Porque é preciso demonstrar que mentiram ao Congresso, antes de condenar.

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  10. No catolicismo, a Bíblia deve ser lida com todo o cuidado. Não é para ser lida literalmente e acriticamente, mas sempre sob a iluminação de um padre e do catecismo. Isso é verdade mesmo para o Novo Testamento (caso do Apocalipse), mas muito mais ainda para o Antigo Testamento (caso do Êxodo).


    Os protestantes é que lêem a Bíblia literalmente e encontram nela a fonte da verdade. Para os católicos, a Verdade está no catecismo, e só parcialmente e figurativamente na Bíblia.

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  11. Quando Trump inventa que ganhou as eleições, toda a gente sabe que está a mentir, não é preciso nenhuma demonstração.

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  12. Não me diga que aqueles preceitos transcritos não podem ser entendidos à letra, no sentido literal! Então o Balio precisa da ajuda de um padre para lhe descodificar o que lá é dito?... Bem, nesse caso, não tenho nada a acrescentar, o seu caso deve ser sério.
    Tanto quanto sei quem interpreta literalmente a Bíblia são os Jeovás. Até contestam a teoria da Evolução que consideram uma blasfémia por contrariar o Génesis e a criação do 1º Homem.

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