As estapafúrdias declarações de ontem do Bispo de Beja mostram como, além da azelhice a comunicar questões de foro político, a Igreja Católica tem um problema adicional a lidar com os crimes da pedofilia no seu seio: tem que ver com a cultura cristã do perdão e da misericórdia, a lidar com as misérias humanas mais obscuras promovendo a redenção e recomeço de cada pessoa. Uma confusão que jamais deveria acontecer - uma coisa é o perdão de Deus, outra diferente é a justiça terrena, o perdão dos homens, as regras da cidade.
começa pelas sumidades que não sabem investigar
ResponderEliminaracaba numa sociedade onde as únicas regras são as menstruais
O título do post parece-me exagerado. As declarações são estapafúrdias, sim, mas não constituem nenhuma tragédia.
ResponderEliminar
ResponderEliminarExacto JT. Uma coisa é um exercício de uma "Justiça", a dos homens em tumulto ou não, a das Igrejas ou Seitas religiosas mais ou menos institucionalizadas, a das Leis em sociedades, a da cidade. Porfim, "last but not least", a Justiça Divína.
Outra coisa bem diferente é um Perdão, em todas essas, e outras, eventualidades.
Assumir a ocasião para um "perdão", é reconhecer uma falta!. De quem?. Também da hierarquia que menciona um perdão?. Certamente.
Acho é que os bispos falam demais e cada um por si querem botar faladura.
ResponderEliminarFoi um desastre, de facto essa comunicação! Mas o Arcebispo de Évora, D. Senra Coelho, já falou de uma outra maneira, bem e clara, desfazendo a confusão sobre o que é "o perdão" (evangélico, cristão), e a Justiça, no caso, civil. É ouvir, aqui, é breve: Arcebispo de Évora diz que Igreja deve pagar indemnizações se for condenada (msn.com) (https://www.msn.com/pt-pt/noticias/other/arcebispo-de-%C3%A9vora-diz-que-igreja-deve-pagar-indemniza%C3%A7%C3%B5es-se-for-condenada/ar-AA18nF1i?ocid=msedgntp&cvid=77f58dda94594f6aa370c76ed20a311b&ei=7)
ResponderEliminarNão tem nada a ver com cultura de perdão e misericórdia, mas sim uma cultura de protecionismo e encobrimento. O perdão tal como é apregoado, aplica-se a quem assume a culpa e muda. Jamais se pode aplicar a quem comete os mesmos crimes de forma reiterada durante décadas por onde passa. Para uma corporação que anda por cá há 2000 anos a cultivar a opressão e ignorância, com o patrocínio dos estados, isto é apenas (mais) um triste episódio. No final a culpa vai ficar com as vítimas que ousaram acusar as suas santidades. Basta ler as concordatas assinadas pela igreja já no "reinado" do actual papa para perceber que NADA vai mudar.
ResponderEliminarPior cego é o aquele que não quer ver. Se existem suspeitas que se queixem as autoridades que automaticamente abrem um inquérito crime e se necessários os tribunais decretam o afastamento do agressor. O resto é fogo de palha. Uma comissão que deu em nada, tendo agora necessidade de valorizar um trabalho medíocre. Quem pagou essa comissão? qual a razão e a função de um dos elemento ser uma realizadora de cinema. Os mesmos indignados parecem aceitar de forma mansa que um indivíduo que esteve preso no processo casa pia aparece com grande frequência na TV e isso não causa arrepio ou náusea às vítimas? Quando o foram buscar à saída do estabelecimento prisional e o levaram em ombros para a assembleia da republica como ficaram as vítimas? Porque não recitam em publico nas tvs as inquirições das vítimas da casa pia como fizeram com as dessa pseudo comissão? Tudo não passa de uma cortina de fumo visando desviar a atenção dos problemas reais do pais para os quais o desgoverno assobia para o lado.
ResponderEliminar
ResponderEliminaros bispos falam demais
Exatamente.
Eles e Marcelo, que também fala de mais mas desta vez tem estado estranhamente calado.
Qual o objetivo dos seus textos?
ResponderEliminarSe não souber, o melhor é não escrever mais.
Há dias, fizeram uma rusga num bairro próximo da zona onde vivo. Apanharam um ou dois traficantes, irmãos, rapazes novos, mais umas armazitas, droga e dinheiro. Conheço a mãe dos ditos traficantes. É pessoa simples, humilde, a viver no limiar da pobreza. Os filhos albergam-se no arrendado e ela consente nisso, pois são filhos dela.
ResponderEliminarOs filhos andam a vender droga a jovens, a viciá-los e a torná-los marginais.
Seguindo o raciocínio do João Távora, a mãe dos traficantes em questão, porque se refugia em declarações de que, afinal, são filhos e não sei que mais, não os vai denunciar. Ou seja, seguindo o raciocínio do João Távora, vejam lá quantas mães vão ter de ser postas na prisão neste pobre país.
ResponderEliminarNão tenho a integridade nem os apelidos nem a boa educação de João Távora e, por isso, sou inconveniente e bruto.
A maior fraqueza/erro/pecado da Igreja, foi e é o apegamento aos poderes temporais. Quando o poder era o Príncipe, digladiava-se pelo posto de confessor; quando o poder era a rua sob controlo dos sindicatos, vimos S. João Paulo II a apoiar Lula no Brasil e Lech Walesa na Polónia. Agora o poder está numa deriva ainda em curso, ainda mal definida mas já reside em importante parte nas opiniões públicas maioritárias (vimos o que aconteceu na invasão sa Ucrânia, em que os governos demoraram de 36 a 48 horas a reagir quando a opinião pública maioritaria era já inequívoca). Por isso não me surpreendi quando o Papa Francisco trouxe o problema da pedofilia para a praça pública (lembro que os passos essenciais, tinham sido dados por Ratzinger, a definição canónica da pedofilia como pecado máximo, sugerindo logo a aplicação da pena máxima, a perda da qualidade eclesiástica, quando ainda prefeito da Congrageção para a Doutrina da Fé, e depois, já Papa, a alteração da lei canónica, obrigando à delacção com perda do cargo para os bispos que o não fizessem, só que sem trombetas nem trombones).
Em Portugal foi semelhante. A excepção que era o então bispo de Setúbal, inverteu-se na moda dos bispos cor-de-rosa, com o caso limite quase obsceno do bispo emérito das Forças Armadas. E, claro, tomaram-lhe os tiques. As declarações do bispo de Beja lembram irresistivelmente as declarações de membros do governo enredados em casos e casinhos.
P.S. Deploro mas não ma faz perder a Fé. Já sobre a fé na democracia, até sinto medo de me interrogar.
Curioso: como é que a “igreja católica” lida mal co crimes, apesar do historial conhecido, e também mal com pecados, apesar da vocação intrínseca?
ResponderEliminar