"O lápis azul da censura do Estado Novo passou automaticamente a lápis mental rosa, às vezes vermelho na democracia" escreve Helena Matos no Observador, a propósito da cultura vigente nas redacções na imprensa indígena. Incrédulo e inconformado, hoje voltei a comprar o Diário de Notícias. Desconsolado com a ausência do bem humorado Alberto Gonçalves, deparo-me com uma inenarrável reportagem da Fernanda Câncio sobre a peregrinação a Fátima numa perspectiva estilo Nacional Geografic mas laicista em que os peregrinos “não acreditam em padres”. Mais à frente, sobre a vitória dos conservadores no Reino Unido o jornal não faz qualquer esforço para disfarçar o profundo incómodo: sobre o assunto, é entrevistado um (outro) Manuel Arriaga, lente em Cambridge, para quem a vitória do partido Conservador resulta do sistema eleitoral britânico ser “particularmente patológico”. Ao lado o inevitável Viriato Soromenho Marques faz o seu comentário em que afirma terem esses resultados constituido uma derrota de Churchill, afinal um federalista europeu avant la letre.
Se o divórcio cada vez maior das pessoas com os partidos políticos é uma discussão pertinente, na mesma medida talvez mereça reflexão a crescente quebra de vendas dos jornais, cuja viabilidade económica (e independência), está cada vez mais comprometida.
Imagem 1: tratamento da notícia da vitória do Syriza e da surpreendente maioria absoluta dos Conservadores britânicos no mesmo jornal, do Insurgente.
Imagem 2: Fotografia Diário de Notícias da grande concentração de 5 de Outubro 2013 em homenagem aos revolucuionários da Rotunda de 1910.
O dn donde saíram dez assessores de passos é PS? Estranho.
ResponderEliminara Fernanda Câncio anda por lá a bater em Fátima? O João César das Neves escreve onde? Não foi lá que ele escreveu que a irmã lúcia era um dos maiores vultos da intelectualidade portuguesa?
Nunca ouvi falar no tal lente de Cambridge. Presumo que seja um fellow - seja como for um bocadinho diferente do seu André que o mais que consegue é andar por Aveiro e pela academia de estudos marxistas-leninistas da UCP, mais conhecida por IEP.
Nada tenho contra o sistema eleitoral britânico. Sabe qual é um dos motivos porque eles gostam dele? Para evitar que os governos fiquem nas mãos de partidos minoritários como o seu. Lá o seu querido Paulo nunca tinha chegado a ministro. É isso que eles abominam.
Manuel Branco: João César das Neves escreve uma coluna de opinião. A fernanda câncio também tem uma às sextas. O tema de hoje inseria-se numa reportagem, não numa crónica.
ResponderEliminarClaro que uma forma de fechar todos os jornais com danos controlados é os jornalistas serem absorvidos como assessores no partido.
E o João Távora faz o elogio da tortura como o bem-humorado Gonçalves já fez em artigo da Sábado?
ResponderEliminarVocê queria portanto que o Público fizesse manchete com a sondagem à boca das urnas. Isso é que era um servicinho aos interesses privados da política. Quando os resultados actuais foram conhecidos o Público noticiou com destaque. É aliás curioso como não referem a edição do Público que dá a manchete à vitória dos Tories. Como se não existisse.
ResponderEliminarPara equilibrar, a senhora dona Câncio podia fazer uma reportagem sobre os crentes/peregrinos de Évora.
ResponderEliminarMal empregue o dinheiro a comprar o DN. Curiosamente, a única coisa que me faz visitar o DN, é a artigo semanal do Alberto Gonçalves.
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