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segunda-feira, 14 de outubro de 2024

O jornalismo a que temos direito

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Não me espantou muito ontem no noticiário das 13:00hs da rádio Observador ouvir uma curta reportagem de uma manifestação em Madrid pelo direito à habitação, que incluía um testemunho de uma Mortágua lá do sítio, apresentando soluções simples para aquele problema complexo, à boa maneira dum qualquer partido populista ou revolucionário “contra os interesses dos bancos, das grandes empresas e dos rentistas”. Fadados a suportar por cá as nossas mortáguas e similares, como se isso não bastasse, a Rádio Observador presenteia os ouvintes com uma entrevista a uma “activista” espanhola pela habitação em directo da Gran Via…


Não fiquei espantado mas tive pena, tenho muita pena que o Observador, que assino desde a primeira hora por causa da seccção de "Opinião" e de alguns seus principais directores e prometia ser diferente, mostre tanta dificuldade a distinguir-se do restante jornalismo, sempre inclinado à esquerda, caixa de ressonância do “pensamento obrigatório” progressista. Pela minha parte, estou certo de que por este país fora e àquela hora haveria bastantes acontecimentos de interesse público para noticiar, quem sabe até com um “directo”.


Gostava de continuar a ter razões fortes para manter a minha assinatura do jornal, e ter a certeza que, ao ligar o rádio do carro, não fique na dúvida se estou a sintonizar a TSF.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Da mesquinhice

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A capa desta semana da revista Sábado chama-nos a atenção porque nos sugere um escândalo - se a Casa Real Portuguesa fosse rica (que não é) isso seria de citicar? Mas se formos ler o artigo no interior, constatamos que o conteúdo é quase inócuo, absolutamente desinteressante. São meia dúzia de páginas de pura bisbilhotice, em que não se encontra uma única “estória”, facto ou atitude dos Duques de Bragança digna de exploração jornalística (escândalo). Talvez a promoção gratuita do Nuno da Câmara Pereira que é um desqualificado, para certas pessoas consiga imprimir algum picante ao artigo.


Não, o problema da capa da revista Sábado não está num suposto jacobinismo do jornalista que entrevistou o Senhor Dom Duarte de Bragança ou da redacção da revista Sábado. O problema da concepção dessa capa está no potencial público que ela daquela forma insinuosa atrai e que em Portugal infelizmente tem algum peso: os ressentidos e os invejosos – é uma opção comercial, que diz tanto da revista quanto dos fregueses que pretende cativar.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Fomos salvos pelo jornalismo e não sabíamos

Enquanto se alastrava de forma descontrolada pelo mundo, a covid-19 foi ganhando espaço nos meios de comunicação. Em Portugal o cenário não foi diferente e os média assumiram um papel crucial na contenção da propagação do vírus na primeira vaga. Esta foi a conclusão de uma investigação que analisou cerca de três mil notícias durante as vagas pandémicas que assolaram o país.


"Na primeira vaga, a situação epidemiológica não era tão grave quanto pensávamos, mas a cobertura noticiosa foi muita intensa e antecipou-se ao agravamento do quadro sanitário, contribuindo para orientar o comportamento dos cidadãos no sentido de se protegerem", explica Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho e coordenadora do trabalho.


No entanto, esta intensidade noticiosa não se verificou nos meses seguintes. Os dados do estudo mostram que o número de notícias sobre a covid-19 publicadas ao longo da primeira vaga foi três vezes superior às da terceira. "Estas oscilações podem ter consequências. Importa reconhecer o papel do Jornalismo e fazer dele parceiro em situações de crise sanitária", defende Rita Araújo, investigadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. (in JN 10 de Março)


Já sabíamos que ele há "estudos" para todos os gostos e com objectivos mais ou menos obscuros. Este de que transcrevo um trecho acima pretende provar a importância que os media tiveram na contenção da pandemia, e como um certo alívio ”do alerta noticioso” pode explicar uma menor adesão da população na terceira vaga. Na minha opinião o massacre dos media, principalmente os telejornais com a tabloidização da pandemia no último ano, vem resolvendo com sucesso o problema da preguiça ou falta de recursos das redacções que deste modo disponibilizam a baixo custo conteúdos emocionais para atrair o voyeurismo das audiências. Como qualquer jornalista saberá, não há muitas notícias mais vendáveis do que aquelas que mexem com a saúde pública e os medos associados a qualquer fenómeno que a ameace. Uma coisa é certa: complexidade não é amiga do jornalismo em geral e do preguiçoso em particular, e sei de muita gente que ultimamente vem evitando ver telejornais que a sanidade mental é um bem a preservar. Também porque na medida em que a pandemia se vem revelando amplificadora das audiências a procura da verdade tornou-se uma mera inconveniência.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pirataria

A história da gravação pirateada ao Expresso está muito mal contada e o assunto carece de urgente esclarecimento - é o que se depreende do comunicado do jornal. Sobre a substância, eu diria que a nenhum dirigente de direita passaria pela cabeça desabafar algo daquele calibre à frente de jornalistas. As liberdades a que António Costa se permite naquelas circunstâncias são também uma denúncia.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

O país das maravilhas

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Não deixa de ser irónico que hoje segunda-feira, enquanto em Bruxelas se arrastam as negociações por umas côdeas com que a Europa nos vai acudir para fazermos face à brutal crise económica que se prenuncia no horizonte, o tema de abertura do noticiário das 9:00 da manhã da rádio Observador tenha sido o das vitimas do incêndio florestal em Santo Tirso e uma pertinente entrevista ao sagaz bastonário da ordem do médicos veterinários. Pelo que me apercebi a peça era sobra duma comoção nacional ocorrida ontem e amplamente explorada nos telejornais, resultado do facto dos bombeiros terem ousado impedir os populares de entrarem no canil durante o fogo para resgatarem os pobres animais que não escaparam a um trágico destino.


Por falar em entretenimento, é consolador constatar que apesar do planalto epidémico se manter firme e regular nas três centenas diárias de novos casos, nos últimos dias desapareceram as alarmantes notícias radiofónicas matinais sobre focos de infecção na região de Lisboa e Vale do Tejo assim como os encontros juvenis nas ruas da periferia a afrontar a pacatez do confinamento dos bons cidadãos. Este fenómeno certamente deve-se ao facto deles serem proibidos e evidentemente por causa das bombas de gasolina estarem impedidas de vender bebidas alcoólicas depois das 20,00hs.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Populismos e Pós-verdades

Pelo que vi em duas horas de noticiário da SIC Notícias que passei em "F. Forward", o que de mais importante que marca a agenda do país é a sova que um adolescente levou há dois meses e a (in) competência dos árbitros de futebol. Só faltou o comentário do professor Marcelo, mas com a pressa deve ter-me escapado.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Notícias inoportunas

Pior que a escolha de Assunção Cristas lançar a sua candidatura à Câmara de Lisboa num encontro de militantes em Oliveira do Bairro (que como sabemos é muito longe das redacções), é ver jornalistas a criticarem-na por tê-lo feito num dia em que as televisões estavam ocupadas com os incêndios e com o futebol.

segunda-feira, 28 de março de 2016

sábado, 12 de setembro de 2015

Campanha eleitoral

Queixarmo-nos dos jornalistas é como reclamarmos contra o degrau traiçoeiro em que tropeçamos: ele já lá estava.

domingo, 10 de maio de 2015

Jornalismo militante

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 "O lápis azul da censura do Estado Novo passou automaticamente a lápis mental rosa, às vezes vermelho na democracia" escreve Helena Matos no Observador, a propósito da cultura vigente nas redacções na imprensa indígena. Incrédulo e inconformado, hoje voltei a comprar o Diário de Notícias. Desconsolado com a ausência do bem humorado Alberto Gonçalves, deparo-me com uma inenarrável reportagem da Fernanda Câncio sobre a peregrinação a Fátima numa perspectiva estilo Nacional Geografic mas laicista em que os peregrinos “não acreditam em padres”. Mais à frente, sobre a vitória dos conservadores no Reino Unido o jornal não faz qualquer esforço para disfarçar o profundo incómodo: sobre o assunto, é entrevistado um (outro) Manuel Arriaga, lente em Cambridge, para quem a vitória do partido Conservador resulta do sistema eleitoral britânico ser “particularmente patológico”. Ao lado o inevitável Viriato Soromenho Marques faz o seu comentário em que afirma terem esses resultados constituido uma derrota de Churchill, afinal um federalista europeu avant la letre.


Se o divórcio cada vez maior das pessoas com os partidos políticos é uma discussão pertinente, na mesma medida talvez mereça reflexão a crescente quebra de vendas dos jornais, cuja viabilidade económica (e independência), está cada vez mais comprometida.  


 


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Imagem 1: tratamento da notícia da vitória do Syriza e da surpreendente maioria absoluta dos Conservadores britânicos no mesmo jornal, do Insurgente


Imagem 2: Fotografia Diário de Notícias da grande concentração de 5 de Outubro 2013 em homenagem aos revolucuionários da Rotunda de 1910


 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A filha do regimento

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É assim o jornalismo militante - não interessa a veracidade dos factos relatados, antes passar uma mensagem. A entrevista da filha de Salgueiro Maia generosamente distribuída pela Lusa, pontifica hoje com chamada de capa em quase todos os jornais diários, que destacam este extraordinário apontamento: “Filha do capitão de Abril Salgueiro Maia, a viver no Luxemburgo há quatro anos, diz que foi "convidada" a sair de Portugal pelo primeiro-ministro Passos Coelho, lamentando a situação actual do país, que compara ao terceiro mundo”.


Importa referir que, sem querer por em causa a honestidade e competência dos socialistas - tudo gente boa claro está - há quatro anos, data da partida de Catarina, era José Sócrates que estava no poder, a negociar o resgate financeiro do país com a Tróica. Não tendo a minha modesta pessoa o privilégio de ser filha de Salgueiro Maia, que acabou indo trabalhar para um conhecido paraíso capitalista, gostava de deixar claro que, estando eu na época também desempregado, se um líder da oposição ou do governo, fosse ele qual fosse, se me dirigisse assim sem mais nem menos e me convidasse a emigrar eu agradeceria a surpreendente atenção, mas pensaria muito bem antes de aquiescer.


Ah, sei que não interessa nada, mas com uma mãe muito doente e quatro filhos dependentes virei-me por cá. E quem viu as coisas tão mal paradas há dois, três anos, desconfio que podia ter sido muito, mas muito, pior.


 


Imagem de "O Emigrante" - Charlie Chaplin, com uma vénia. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Assim não vamos lá


Um jornal de referência de um País que não quer ter filhos entrega a tarefa de escrever um artigo sobe a natalidade à Fernanda Câncio. Assim, o Diário de Notícias presenteou ontem os seus leitores com "Uma barragem contra o Pacífico" (pretensioso título aproveitado do romance de Marguerite Duras) um longo artigo sobre as escolhas da maternidade e a crise demográfica, exactamente da autoria da conhecida jornalista. É assim a modos que encarregar José Pinto-Coelho, presidente do PNR, para escrever uma peça sobre o 25 de Abril quarenta anos depois. 
Como seria de esperar, da questão base, de mais, menos ou nenhum filho, o texto descamba para uma minuciosa contabilidade de deves e haveres relativos à discriminação sobre a mulher e igualdade de género, sem esquecer a opressão da culpa que se abate sobre as cerca de 8% das mulheres que não querem ter filhos. E a crise do governo Passos Coelho, sempre implícita, pois claro. 
Ora como é evidente a maternidade constitui em si um atentado à igualdade de género. E como eu já referi por diversas ocasiões sou da opinião que o "inverno demográfico" em Portugal apenas pode ser invertido conjugando uma série de políticas de justiça fiscal que gratifiquem os casais com mais filhos com uma grande campanha comunicacional que ajude a relevar os aspectos positivos da maternidade e os arquétipos culturais que propiciam famílias grandes. Uma perspectiva antagónica aos paradigmas da modernidade que nos trouxeram até aqui.
E depois há a opressão da culpa das mulheres que não querem ter filhos – um bicho-de-sete-cabeças que de facto não abona em nada a natalidade. Uma questão do foro exclusivo do indivíduo: a culpa só se resolve mesmo com o perdão... e os complexos de culpa com um psicólogo. 
Mas assim não vamos lá. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

sábado, 28 de dezembro de 2013

Da banalização do mal ou um estranho síndrome de estocolmo


Estou cansado que me chamem, mesmo em entrelinhas, bárbaro e retrógrado, numa indisfarçada campanha maniqueísta da nomenklatura dominante. É nesse sentido, com alguma impaciência que encontro no Expresso de hoje a notícia assinada por um tal Angel Luís de La Calle sobre o projecto da nova lei do aborto colocado em discussão pelo governo espanhol, que pleno de preconceitos, pré-juízos e moralismo se revela um autêntico artigo de opinião, onde numa selecção de recortes da imprensa internacional favorável à livre interrupção da gravidez, assevera por exemplo esta pérola de propaganda sectária “vai ser a única promessa cumprida do programa de governo com que Mariano Rajoy arrebatou o poder aos socialistas nas eleições de 2011”. Um bitaite que sem qualquer sustentação ou contraditório vale o que vale, isto é, nada. 


Tenho a confessar que admiro a coragem da direita espanhola na assunção dos princípios que defende  e com os quais se apresenta a eleições. Estou convencido que com alguns ajustamentos a nova lei poderá ser equilibrada e justa. É que eu, como milhões de portugueses e espanhóis tenho muitas dúvidas que os direitos de uma mulher se sobreponham à de um outro Ser, em formação é certo, mas já em si único e irrepetível. Como milhões de europeus, tenho profundas dúvidas de que o aborto como recurso anticoncepcional sancionado pela Lei constitua qualquer coisa minimamente parecida com “progresso civilizacional”.
Mas em tudo se vai lendo na imprensa nacional a respeito desta inédita iniciativa legislativa do PP espanhol, o que mais me espanta é a total ausência das vozes contra a corrente, que parecem ter adormecido algures em conformadas vigílias de terços e rosários. Isso é definitivamente pouco: temos muito que aprender com nuestros hermanos.

domingo, 24 de novembro de 2013

Much ado about nothing

Após ocupar cerca de uma página completa da revista Ípsilon do Público com a recensão à dissertação de mestrado de José Sócrates recentemente publicada com estrondo mediático, Diogo Ramada Curto conclui assim:


 


(…) Este livro não deve ser avaliado positiva ou negativamente em função da personalidade e da carreira pública do autor. Pelo contrário, a apreciação deve cingir-se ao estrito propósito universitário que esteve na génese deste livro. Entrar aqui noutras considerações, que extravasam do conteúdo do livro, seria alinhar com o circo mediático criado para a promoção do autor. Para isso já basta esta recensão. Não fora o autor o ex-primeiro ministro de Portugal, este trabalho de mestrado – tal como sucede com centenas de outros do mesmo género ou, mesmo com excelentes teses de doutoramento – dificilmente teria direito a uma recensão no Ípsilon. 

domingo, 25 de agosto de 2013

O facto e a opinião - a outra crise

"Nunca foi consumida tanta informação e, paradoxalmente, nunca valeu tão pouco o jornalismo. Na Internet, onde a maioria procura informar-se, o que mais há são rumores, boatos e teorias da conspiração. Nos jornais, rádios e televisão há cada vez menos condições para investigar, analisar, produzir bons dossiers informativos. Vale a santa opinião. O estatuto de um jornalista mede-se mais hoje pela capacidade de produzir opinião do que pela qualidade das notícias que faz." 



"A Santa Opinião" - Paulo Baldaia, In Diário de Notícias de 25 Agosto

terça-feira, 30 de abril de 2013

Protestar é preciso!




A pretensa notícia emitida hoje pela SIC Notícias às 12,00hs sobre a coroação do rei Guilherme Alexandre da Holanda é apenas uma crónica deselegante, sectária e escusadamente panfletária, para mais não assinada. Uma peça de propaganda, um arrazoado de preconceitos e um exercício recalcado de um ressabiamento político e sobretudo cultural que julgávamos extinto. É o exemplo evidente de um jornalismo pouco profissional que não dignifica aquele canal de televisão. Encolher os ombros não chega. 



Mail: atendimento@sic.pt 
Tel.: 214 179 400





Justiça e povo: um divórcio perigoso

O Supremo Tribunal espanhol decretou que pessoas que atravessassem a fronteira numa zona onde não existissem «barreiras físicas» não poderia...