domingo, 3 de junho de 2012

Uma Pátria para lá do futebol

 



Confesso que me incomoda um pouco a campanha de histerismo criada à volta da Selecção Nacional na contagem decrescente para o Europeu de Futebol. Mais do que na expectativa indígena face ao certame, este barulho tem origem na necessidade imperiosa de compensar os patrocinadores do investimento publicitário investido e tal não era possível sem a adesão incondicional da comunicação social de massas.
Nesse sentido pouco me comovem os veementes e apelos de adesão a esse artificial sentimento de “nacionalismo” verde-rubro. Em pleno processo de enfraquecimento dos valores identitários e atomização social, reabilitar a Pátria para conveniências mercantilistas do jogo da bola é brincar com coisas sérias. Mais a mais sob o significativo risco de não passarmos de uma participação medíocre. Sim; o futebol é um jogo, com o que isso implica de fortuito e emocional. O patriotismo indispensável aos desafios que a Nação enfrenta, jamais poderá ser equívoco, mas sustentado em fundamentos consistentes, que só uma coesa comunidade de homens e mulheres conhecedores e livres garante. Coisa que não temos.
Por tudo isto, pareceu-me de uma assinalável salubridade a derrota ontem da selecção com os turcos, partida que não tive o desprazer de assistir. Um balde de água fria que coloca as coisas nas devidas proporções.
De facto, urge levantar o esplendor de Portugal, inspirar a alma lusitana, coisa que duvido aconteça nos relvados da Polónia e da Ucrânia. Mas se nessa roleta de sortes e azares o destino nos levar às finais, certo é que o meu coração não resistirá a bater acelerado e em uníssono com o País… mesmo que pelo sonho duma fugaz vitória.


 


PS.: Durante os doze meses de ano, faça sol ou chuva, da janela da minha casa e no fundo do meu coração a bandeira nacional que me inspira está sempre desfraldada. Não é verde e encarnada. 

4 comentários:


  1. Totalmente de acordo. Porque há um campeonato da UEFA temos uma cerveja que patrocina um patriotismo futeboleiro  que não sabe História e não conhece o País, temos uma juventude que veste camisolas com cores de arraial para dar côr às bancadas mas que faz gala de não saber quem foram os Homens que durante oito séculos construíram esta Pátria, temos uma Nação  que só sabe o Hino nos estádios e que põe o orgulho nacional nas botas do Ronaldo - temos tudo isto e temos jornais, rádios e televisões a quererem convencer-nos que o prestígio e o futuro de Portugal depende da pontaria do Nani e dos abdominais do Patrício... E isto quando andamos todos a apertar os gastos para convencer quem nos sustenta por empréstimo que somos capazes de ressuscitar um País em coma económico...
    Tem razão, isto é de fazer chorar!
    Como vê um benfiquista e um sportinguista podem estar de acordo nas coisas importantes - entre as quais até a das verdadeiras cores da bandeira.  

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  2. Gostei do tom do seu blog, Manuel. Voltarei para uma volta mais atenta. 
    Cordeais cumprimentos!

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  3. Não, como antes não coloquei.
    Colocarei por coisas que aumentem a liberdade de cada um e de todos do jugo dos tiranetes
    - incompetentes,
    -carreiristas de partido,
    -pacóvios do povo (politicas pás pexoas),...
    -que há 20 anos permeabilizam o Estado com lobis energéticos, do pedreiro, ou do trolha.
    Aparecem de vez a vez com éticas, com punhos de renda e falinhas mansas porque sabem que a estupidez é maioritária.
    A todos os que pertenceram a autarquias e dieções gerais devemos não colocar a bandeira, mas uma poia no local onde vivem ou no local onde se mantêm...Isso é que era Bandeira, pois relevantemente somos m., eufemisticamente "lixo". 

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  4. Aprecio a moderação da sua linguagem, quase pedindo desculpa pelo abjecto crime de discordar deste estúpido deslumbramento nacional com essa agremiação do pontapé na bola.

    Eu serei mais claro: é absolutamente desejável, é imperioso que essa gente seja derrotada de fio a pavio e quanto mais cedo melhor, nesse campeonato.

    Para que se torne ainda mais evidente a vacuidade, a iniquidade, dessa adoração a um punhado de tipos - face mais visível de um universo de negociatas de duvidosa licitude - que não sabe usar um talher ou expor uma ideia básica de forma escorreita, e que exibe com uma arrogância absolutamente repugnante, a sua extraordinária fortuna material, escarrapachada num espalhafato de mau gosto sem fim, perante um povo que desce à miséria que se acreditava relegada para os manuais de História e que se anestesia perante o futebol.

    Há que pôr fim - mas já sei que isso é utopia - a essa consagração da vitória da estupidez; da mediocridade intelectual; da ignorância mais triunfante; da rejeição do estudo, do trabalho produtivo e da responsabilidade. Porque por estes tempos, é isso (ou pior) o "futebol".

    Mais, muito mais, do que alguma vez o foi nos tempos tão criticados do alegado "Portugal dos três F".

    Que, afinal, nunca o foi como agora.

    Costa

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