sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sexo, e então?!


 


Nas férias que há pouco terminam, o meu pequenito e eu fizemos uma descoberta: o Zig-zag, um programa infantil do Canal 2 do Estado com uma original oferta de animações de diferentes origens. Parecia-me uma boa solução para fugir à preponderante produção norte-americana que também consegue atingir a mais confrangedora vulgaridade plástica. Até que um dia destes, num intervalo da série “Jerónimo Stilton” cujo genérico aprendemos a cantar os dois, apareceu uma reportagem sobre uma iniciativa do Pavilhão do Conhecimento,  a exposição “ Sexo e então?!”. Atónito, na convicção de que aquele assunto ultrapassaria o entendimento duma criança de quatro anos, assisti a alguns minutos duma visita guiada pelos mais espantosos maquinismos, jogos e figurações sobre os órgãos usos e práticas, tudo na perspectiva de desmistificar o relacionamento sexual nas mais inventivas recriações. Nessa noite ao jantar o miúdo balbuciou uma estranha pergunta com referência a facas que saíam da boca e se espetavam noutra cabeça. Perante o espanto geral, eu relacionei a descrição com um mecanismo apresentado na rubrica televisiva que consistia em duas cabeças de criança frente a frente, com colossais bocas abertas donde saíam enormes línguas que manipuladas como fantoches pelos petizes penetravam a outra boca, numa atroz caricatura de um beijo.



Tenho para mim que entre o arcaico preconceito puritano, com raízes na ancestral (e bem-sucedida) cultura europeia de controlo de natalidade e a banalização do sexo como mero “apetrecho de prazer consumista” há um enorme território de bons princípios que não são reconhecidos pelo Estado que sustento com os meus impostos. É nesse sentido que considero meu dever formar e proteger os meus filhos desta catequese adolescentocrática que sobrevive aos diferentes governos cuja trágica impotência “ideológica” os limita ao “pragmatismo” da medíocre gestão económica da coisa pública. Enquanto isso, resta-nos erguer muralhas em torno das nossas comunidades familiares e construir "arcas" que resistam ao dilúvio da escura noite civilizacional do ocidente cujo mais elementar bom senso nos deveria fazer temer. 


 


Imagens daqui

3 comentários:

  1. Caro João, para o estado das coisas a que chegamos, como disse o D. Duarte em Coimbra,  educação sexual é obrigatória, a moral é que não!
    As cabeças pensantes da república cada vez mais caiem na ideia de uma moral anti-burguesa, em que o sexo, como no Ancien Regime, é algo que vende e para discutir em público. Ao pé desta gente o autor de Justine não passava de um moralista, sem qualquer interesse.
    É trágico saber que um dos melhores legados que a Revolução Francesa nos deixou foi abandonado, a revolução moral tendente a restaurar a iurtus, a fides e a pietas, na sociedade contra os desmandos sexuais, muitas vezes praticados pela aristocracia e clero de Versalhes.
    Moral essa que teve o seu apogeu com a moral vitoriana, em que práticas sexuais até então aceites, como a pedofilia e a prostituição foram atacadas e proibidas.
    Com o tempo, em particular desde as "revoluções" culturais da década de 60 e 70, muito foi abandonado.
    Hoje pouco restará de uma moral em que os seres humanos não passam de meros objectos.
    Amanhã só Deus sabe, mas a curto prazo nado de bom advirá da actual mentalidade pública... 

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  2. Não vi, mas pela descrição de "duas cabeças de criança frente a frente, com colossais bocas abertas donde saíam enormes línguas que manipuladas como fantoches pelos petizes penetravam a outra boca, numa atroz caricatura de um beijo" terá sido absolutamente horripilante.

    Nos dias que correm, as pobres crianças nem podem ser crianças enquanto o são, os imbecis dos adultos têm de lhes arruinar o melhor tempo da vida delas...

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  3. O discurso do seu petiz com algum amigo ou irmão/ã será deste gênero?
    \"Cegonha... Como é contamos-lhe ou deixamos que morra estupido.\"
    Tenham juízo e deixem morrer o velho do restelo que há em vós.

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