(...) Uma crise material pouco pode atentar contra o que é realmente importante. A incontornável insatisfação do consumismo cessa quando o sujeito compreende que, pelas contingências dos momentos de maior adversidade económica, pode e deve fazer um caminho interior; destruindo todas as camadas de superficialidade com que tentava alcançar a paz e descobrindo que afinal cada um desses fragmentos só o vai escondendo e asfixiando. Pureza não é pobreza.
O que há de bom numa crise? A descoberta de tantas coisas simples que são melhores e mais belas que aquilo que só o ouro compra.
Ser feliz é estar-se plenamente preenchido, transbordante, mas, para que isto suceda, precisa a alma de ser esvaziada do lixo que por lá possa estar entranhado. Só o coração espaçoso e arejado do humilde está preparado para receber, abraçar e retribuir o melhor da vida. A luz só brilha onde há espaço. (...)
José Luís Nunes Martins no jornal I, a ler na integra aqui.
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