sábado, 4 de maio de 2024

Um bocadinho cedo para conclusões

João Miguel Tavares, hoje, no Público, volta a repetir a sua tese de que a opção da AD governar sozinha é uma opção errada e teria sido preferível escolher entre o Chega e o PS (na verdade, esta já é uma evolução da tese anterior de João Miguel Tavares, visto que, sensatamente, a tese anterior era a de que a AD não tinha escolha que não fosse governar com o Chega, escolher o PS não só não era possível, por recusa do PS, como correspondia a um suicídio da direita moderada).


Todo o artigo parte do princípio de que esta ingovernabilidade era mais que previsível e teria sido preferível governar com o Chega.


Em primeiro lugar, a estratégia da AD foi definida antes das eleições e mudá-la depois das eleições, como fez António Costa com a geringonça, teria custos que não sabemos medir (a história não admite contra-prova).


Essa estratégia ficou prejudicada pelos resultados eleitorais, que foram mais escassos que os necessários para a aplicação tranquila dessa estratégia (incluindo quatro deputados a mais para a oposição, que inclui o Chega, por conta de uma confusão de siglas que ninguém previu seriamente), mas isso é um dado do problema.


João Miguel Tavares estará a tirar conclusões demasiado cedo e, parece-me, a admitir como certa uma hipótese: a de que o Chega está preocupado com o país e não com a sua necessidade de rapidamente passar a partido dominante da direita. Rapidamente porque o momentum do partido pode esgotar-se sem aviso prévio e depois será muito mais difícil sair da estagnação eleitoral subsequente.


É demasiado cedo para tirar conclusões porque ninguém sabe, nem pode saber, como é que a actuação dos diferentes partidos se vai reflectir na sua votação nas próximas eleições, é possível que a AD não cresça, mas também é possível que parte do eleitorado do PS não se reconheça na guerrilha permanente e parte do eleitorado do Chega não goste da Cheringonça (não inventei o nome, uso-o porque me parece bom), a sistemática aliança do Chega com a esquerda parlamentar para entalar a direita moderada.


Independentemente desta questão, ninguém sabe em que termos se faria uma aliança com o Chega (que foi variando as suas exigências ao longo do tempo, bem como de programa político, saltando de umas propostas para o seu contrário sem o menor problema, justificação ou tempo de adaptação), nem qual a estabilidade que seria criada através da aliança com um partido cesarista que muda de opinião e de opções táticas permanentemente, embora mantenha o seu principal objectivo estratégico no centro do seu foco de actuação: tornar-se rapidamente o partido dominante da direita, retirando ao PSD esse papel.


João Miguel Tavares acha que o que se está a passar se relaciona com o país, a sua governabilidade e o bem comum.


Eu acho que o que se está a passar é uma luta de morte entre os dois partidos da direita, empolada pela ressaca de privação da droga do poder, na esquerda.


O país é só o cenário onde se representa este drama e é muito cedo para saber como acabará a peça.

24 comentários:





  1. Mas os resultados eleitorais foram os previstos pelas sondagens, não houve nenhuma surpresa neles. Todas as sondagens sem exceção indicavam que a AD teria cerca de um terço dos votos e dos deputados, nunca muito mais que isso.


    Pelo que, a estratégia foi má: era desadequada face aos dados que se conheciam aquando da sua elaboração.

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  2. quatro deputados a mais para a oposição, [...] por conta de uma confusão de siglas que ninguém previu seriamente


    Isso é perfeitamente secundário, esses quatro deputados não fazem nenhuma diferença prática. Tal como os oito deputados da Iniciativa Liberal.

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  3. ninguém sabe em que termos se faria uma aliança com o Chega


    É verdade. Mas recusar à partida tal aliança foi um erro injustificável. E anti-democrático: numa democracia, os partidos todos são supostos negociar entre si, tendo em conta os votos que o povo deu a cada um deles.






    Também é verdade: o Chega é um parceiro muitíssimo pouco fiável. (Ainda menos que o Bloco de Esquerda, que durante a geringonça negociava e ao mesmo tempo libertava para fora notícias sobre as negociações.) Mas, mais uma vez, isso não justifica o "não é não" da AD, nem a sua manutenção após a eleição.

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  4. A tua ânsia absoluta de dizeres o contrário dos outros não é limitada pela realidade, razão pela qual, quando queres dizer qualquer coisa e não sabes o quê, simplesmente esqueces a realidade.
    Vamos lá a uma explicação aritmética simples.
    Na actual configuração do parlamento, uma abstenção dos 50 deputados do Chega deixa a esquerda em maioria (92 votos contra os 88 da soma AD+IL).
    Sem a confusão do ADN, a AD teria mais 4 deputados e a oposição menos 4 deputados, divididos entre o Chega (vamos admitir 2, não me lembro se é exactamente assim) e o PS (também menos 2).
    Ou seja, a abstenção dos 48 deputados do Chega deixaria os 92 deputados da soma AD+IL em maioria em relação aos 90 da esquerda.
    Tu achas irrelevante, não porque o seja, mas porque achas irrelevante a realidade, quando ela choca com as patetices que inventas para ter alguma coisa que dizer.

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  5. O Chega vive da anarquia. Qualquer potencial entendimento com a seita Chega, é levar 600 milhões de facadas nas costas, pois a seita só funciona se poder anunciar que vai dar 500000 milhões em aumentos salariais anuais e 90000 milhões em descidas de impostos e taxas. Sem isso, a seita não serve para nada, pois os seus verdadeiros objectivos é acabar com a democracia e instaurar uma ditadura, onde o supremo líder (e os seus 10 líderes) passem a ganhar 50000 milhões, anualmente, ao mesmo tempo que eliminam quem seja contra eles ou que reclame de o discurso da manhã dizer que vai dar 220000 euros de salário base anual para os funcionários judiciais, ao almoço, que vai colocar 80000 de salário base anual, para as forças policiais, para ao lanche dizer que vai pagar 25000 euros de salário base anual para cada professor, para ao final da tarde anunciar que cada médico irá receber 150000 euros anuais, no mínimo, e cada enfermeiro 130000 euros, para ao jantar anunciar redução de 100% nos impostos das empresas e 75% no IRS, ao mesmo tempo que anuncia o fim de tudo o que é imposto e taxa sobre automóveis individuais e o fim de todos os impostos e taxas sobre o património. O primeiro a perguntar como é que a seita conseguirá suporte financeiro para as despesas que anuncia, é executado logo à saída da sala. ´
    Basta que olhe para o que o Chega fez para a liderança da Assembleia: Ventura (o supremo líder) anunciou votar a favor, foi ao gabinete do Montenegro e exigiu, de, 800 milhões a 5000 milhões de euros, em dotação orçamental para as comissões de inquérito, incluindo uma subida no valor da refeição, que o Chega requereu ficar em 405 euros, por refeição e por deputado, em vez dos 10 euros actuais, sendo que a AD disse que não faria isso. E foi o teatro que vimos. Se a seita não é capaz de cumprir algo tão simples, como poderá ser confiável para qualquer outra legislação? 
    Mesmo ontem, na votação do fim de portagens em 5 ex-SCUTS, o Chega alterou a proposta (733330 vezes, pelos registos na plataforma da Assembleia, até ontem) onde chegou a introduzir a A1, A2 e A33, com a estranheza que referiu que a A1 custaria 1,3 milhões de euros anuais, a A2 423000 euros anuais e a A33, 35,33 milhões de euros anuais. Olhando para os valores de tráfego, a A1 tem 46728830 vezes mais cobranças anuais que a A33 (números de 2022). 
    Se calhar o valor anunciado que a seita anunciou recuperar da corrupção passou de 20000 milhões para 800000 milhões, no mínimo dos mínimos, anualmente. 

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  6. Exacto HPdS. Após 50 anos de partidarite, com más consequências para o País, os dois partidos do poder, PS e PSD, em exclusivo eleitoral do qual não abdicam, tomaram conta,em benefício próprio dos interesses nacionais.

    Alternadamente, via os respectivos afiliados, gerem os seus privados interesses fingido desacordos em público, mas evitando ferirem a subreptícia relação que os mantém, em doentio monopólio, no poder político.
    Tal usurpação do poder político que pertence ao eleitor, merece respeito?. Será que semelhante bluff merece continuadamente voto eleitoral?.

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  7. Onde se podem comprovar esses números do ADN (assumindo que as pessoas votaram ao engano, o que por si só é longe dd factual, ou fatual)?

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  8. As contas estão feitas aqui:
    https://rr.sapo.pt/noticia/politica/2024/03/11/enganos-nas-eleicoes-votos-no-adn-podem-ter-tirado-tres-deputados-a-ad/370348/



    (embora eu concorde que este exercício assenta num conjunto de suposições , não tendo sido demonstrado que foi isso que realmente aconteceu)

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  9. Obrigado.
    São 3... ou melhor, terão sido 3. Adoro peças jornalísticas com esses tempos verbais. Podem ter tirado... ou não. 

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  10. Muito bem. A conta do Henrique faz algum sentido. Mas o Henrique poderia ter a civilidade de apresentar essa conta omitindo comentários sobre a minha alegada "ânsia absoluta de dizer o contrário dos outros". E, já agora, omitindo tratar-me por "tu".

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  11. Vossa senhoria tem toda a razão, é inaceitável que depois de vossa senhoria demonstrar, sistematicamente, um enorme respeito e civilidade por toda a gente, eu tenha optado por fazer a mais leve referência ao facto de vossa senhoria passar o tempo todo a fazer comentários em que não faz o menor esforço para perceber o ponto de vista dos outros, por exemplo, fazendo contas sobre se 4 deputados faziam ou não alguma diferença.

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  12. Gostaria de acertar no Euromilhões como previ o resultado do Chega e do Pinto da Costa. Com a diminuição das abstenções era o corolágio lógico.
    Montenegro deu tiros nos pés porque prognosticou que com as linhas vermelhas iria ter a maioria.
    Primeiro admitiu sozinho e depois acrescentou a IL e falhou.

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  13. A AD é uma fraude, vai entregar o poder de mão beijada aos xuxas... Nem um ano... 

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  14. o chega está a fazer boa figura. as pessoas gostaram da coisa das sctus.
    sabem o que vos digo :  a rejeição é a proteção de Deus... continuem a rejeitar o chega , não lhe deem espaço para se espalhar ,  que um dia ,  o ventura é 1º ministro. porque ele é mesmo esperto. improvisa decorando , só visto,  memória não lhe falta e , pela 1º vez há um politico com bonita  voz , o eleitorado feminino está no papo.

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  15. "...o eleitorado feminino está no papo."
    Deve ser por ele ser muito esperto.

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  16. JMT tem teses, teorias, conjecturas e conclusões baseadas em premissas. Como qualquer outro escriba, politólogo, analista ou cronista. 
    Se assim então assado, ou então frito, funciona em sistemas previsíveis, a política não só depende de factores humanos como de outros parâmetros de entrada que variam entre a previsibilidade e a anarquia.
    O que a experiência diz é que ostracizar os partidos ditos populistas e ignorar os seus votos / votantes não lhes tem tirado força, bem pelo contrário. 
    Em jeito de aposta, e apenas isso, não acho que a AD cumpra os 4 anos. Porquê? Pela mesma razão que escolhi o vermelho em vez do preto.

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  17. Pergunto-me quem ( ou o quê...) terá ordenado/aconselhado Montenegro a rejeitar aliar-se ao Chega. E com que intenção?
    Estamos a falar de um tipo  com ambições de Poder, que quer ser Primeiro-Ministro e tem a oportunidade da sua vida face ao descalabro em que se  encontra  país, provocado pela Quadrilha que "governou" durante os últimos oito anos    e no entanto  já se está a ouvir falar em novas eleições....
    Será isto "inteligência política" ?...
    Juromenha

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  18. O PSD (de Marcelo Rebelo de Sousa e assemelhados) é de Direita?!

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  19. À direita dos outros todos que estão à esquerda. 

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  20. Depende. O PS é esquerda?
    E  o Obama?

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  21. Direita, esquerda, volver. Que é isso de "ser" de direita ou esquerda? Para além de ser boa pessoa e defender as coisas certas...

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  22. acho de muito mau tom, diminuírem os votantes no adn, com a história de que foi engano.
    vamos ver se o engano continua nas europeias.
    o ps D, vai de derrota em derrota até a insignificância final.
    o povo é sábio.

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