Ontem assisti a parte das apresentações (a meio tive de sair para ir buscar netos) do livro "Scapefire: ordenamento do território para a prevenção de incêndios rurais".
O que está em causa é um projecto de investigação sobre paisagens mais resilientes ao fogo, do qual resulta o livro.
Não tencionava, nem tenciono, fazer comentários sobre a substância dessa investigação, de tal forma estou longe dos seus pressupostos que me parecem errados e sem fundamentação científica (uma vastíssima equipa, com dezenas de investigadores, trataram o assunto de forma aprofundada e séria mas, fiquei a saber ontem, essa vastíssima equipa não inclui investigadores que estudem o fogo).
Queria apenas assinalar um aspecto pontual de uma das apresentações que ilustra a alienação de parte da academia que, aparentemente, jamais deixará que a realidade influencie as suas opiniões.
Uma das oradoras refere que, de acordo com o modelo usado, uns 31% da região centro (estou a citar de memória, os números podem não ser exactamente estes) deveria ver a sua paisagem transformada noutra coisa, porque tem usos inadequados, referindo freguesias em que, de acordo com o modelo usado, 75% da paisagem tem de ser transformada, por ter usos inadequados.
A conclusão das responsáveis pelo estudo é que valores desta dimensão demonstram a dificuldade, e o esforço político e financeiro, que a sociedade tem de fazer se realmente quer ter paisagens resilientes ao fogo.
A minha conclusão é a de que um modelo que conclui que 75% da realidade está errada, é um modelo que deveria ir directamente para o lixo.
Continuamos ótimos a fazer 'estudos'...
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ResponderEliminarQue coisa tão curiosa. Então faz-se investigação, supostamente científica, na base de pressupostos? Eu diria que a investigação científica é feita para descobrir a verdade, e não a partir de uma verdade (um pressuposto) já dada como certa.
ResponderEliminarO que são paisagens resilientes ao fogo?
Que usos da paisagem são adequados?
450 mil portugueses votaram em três partidos políticos que assentam na tese do "homem novo" (ou seja, não aquele que existe há 200 mil anos) - e não incluo os 88 mil casos casos extremos de transtorno dissociativo que votaram no PAN.
ResponderEliminarMas esses(mais a ala esquerdista wokista doidista do PS) é que são os racionais ,isto veiculado pelos mesmos (claro) e promovido nos média venais do esquerdismo. Os chalupas estão do outro lado dizem eles e elas sem se rirem.
ResponderEliminarPois eu acho curioso é que tu aches que se faz investigação sem pressupostos
ResponderEliminarUma verdade não é um pressuposto
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ResponderEliminarOs modelos são interpretações da realidade, baseados em pressupostos e relações conhecidas de como as variáveis interagem umas com as outras. Além disso, contêm parâmetros de ajuste para o modelador poder "controlar" (martelar) os resultados...
Por isso, estudos baseados em modelos, sem se conhecer a "ficha" técnica do modelo, isto é, os pressupostos em que se baseia e os parâmetros de ajuste que contém, merecem tanta credibilidade como as sondagens do Expresso.
Mas, lá está! Sem querer, e sem fazer a mínima ideia do que é um "modelo", disse tudo, caro Balio, " cientifica"...
ResponderEliminarEu diria que a ciência pretende estudar a realidade, não estudar modelos.
Eu não sei em que consiste o projeto de investigação mencionado neste post mas, a avaliar por aquilo que M.Sousa sugere, ele investiga um modelo com certos pressupostos, em vez de investigar a realidade.