Estou numa conferência da Montis, que tenho vindo a acompanhar (on-line) intermitentemente nos últimos três dias.
Falarei no próximo painel sobre os próximos dez anos da associação (que forçosamente passarão por comprar mais terrenos, coisa para que podem contribuir já hoje através desta ligação) gostaria apenas de dar algum destaque à intervenção de Avelino Rego.
Primeiro chamar a atenção para o que ele diz sobre o futuro: "eu tenho 40 anos e nunca queimei, quem vai queimando são os mais velhos, mas atenção, que esses estão a abandonar, como diz o meu pai, daqui não vou para mais lado nenhum, daqui vou para Cristo".
O problema está caracterizado: ou nos pomos finos, ou quando quisermos finalmente usar mais e melhor o fogo, para podermos gerir mais sensatamente as paisagens, pode não estar lá ninguém que o saiba fazer.
A solução do Avelino merece destaque.
É verdade que hoje o fogo, entre as pessoas que gerem território, deixou de ser um inimigo a abater e passou a ser mais bem acolhido, mas as nossas instituições ainda lidam com o fogo de uma forma excessivamente regulamentada e burocrática (hoje, apesar de tudo, de forma mais razoável que há anos) e com demasiado medo dos radicais urbanos que insistem em, militantemente, impedir que a realidade influencie as suas ideias reaccionárias sobre o fogo, mantendo-se firmemente nos meados do século XX de onde não querem sair.
O Avelino tem uma solução simples: liberalizar o uso do fogo nas alturas do ano em que ele tem efeitos positivos na gestão da paisagem, usando o dispositivo da GNR, dos bombeiros, etc., para estar no terreno a acompanhar esse uso, de forma tranquila, apenas para reduzir os riscos de desenvolvimentos negativos de algum desses fogos.
Parece-me bem sensato.
Eu não estou certo de que ainda haja alturas do ano apropriadas para utilizar o fogo.
ResponderEliminarEm qualquer época do ano há, atualmente, dias em que é muito perigoso atear fogos.
Lembro os enormes incêndios de 15 de outubro de 2017, que em parte foram ateados por pessoas que estão habituadas a atear fogos e que sabem qual a época em que é adequado fazê-lo, mas que deram para o torto, com enormes prejuízos em termos materiais e de vidas humanas.