quinta-feira, 25 de abril de 2024

Perplexidades

Não acompanhei com a atenção devida a rábula das mexidas no IRS que, de qualquer maneira, ainda vai a meio.


O que percebi até agora é o seguinte.


Há partidos, como o PC, o BE e o Livre, que acham que a riqueza é um sistema de vasos comunicantes que faz com que os pobres sejam menos pobres quando os ricos são menos ricos.


Como perseguir os ricos é muito mais fácil que apoiar os pobres, até por serem muito menos, todas as suas propostas se centram na ideia de diminuir a riqueza dos ricos.


O PS tem uma posição diferente, entende que a riqueza não é um sistema de vasos comunicantes e portanto não basta diminuir a riqueza dos ricos para haver mais riqueza para os pobres, é possível melhorar a situação dos debaixo ao mesmo tempo que aumenta a riqueza dos de cima, desde que se crie mais riqueza. Ainda assim, acha que a forma de diminuir a pobreza é criar apoios sociais para os mais pobres e coisas afins, como ter uma elevada progressividade dos impostos sobre o trabalho, de maneira que a sua prática tem sido aumentar os impostos globalmente, porque acredita que o melhor é entregar o dinheiro ao Estado para criar ou aumentar apoios sociais, mas de forma as que os de cima paguem proporcionalmente muito mais que os de baixo.


A AD tem um ponto de vista manifestamente diferente, diz que é preciso ter uma fiscalidade amiga do esforço de todos, incluindo dos mais ricos, de tal forma que as pessoas não desistam de esforçar para ganhar mais dinheiro em Portugal (ou porque emigram, ou porque preferem não investir, ou porque preferem investimentos de baixo risco, etc.), pretendendo resolver parte do problema da pobreza como melhores salários pagos por uma economina mais sólida e dinâmica, e não tanto por baixar uma fiscalidade que, para os de baixo, já é proporcionalmente baixa. E porque entende que contas públicas desequilibradas acabam sempre em problemas maiores para os de baixo, tem propostas gradualistas de diminuição da carga fiscal para todos (o que se reflecte em diminuições absolutas maiores para quem recebe mais dinheiro, evidentemente).


A IL tem uma posição semelhante, mas mais radical, considerando que baixar os impostos sobre o trabalho é o mínimo dos mínimos para fazer o elevador social funcionar, e o Estado que arranje maneira de se governar com menos dinheiro.


Depois há o Chega que quer ser o maior partido da direita o mais rapidamente possível, seja de que maneira for.


Resultado até agora?


Uma coligação  entre o Chega e o PS para manter a política fiscal do PS, ainda que a um nível um bocadinho mais baixo do que antes (não, não sou a dizê-lo, é a André Ventura a explicar que tem é de se preocupar com as pessoas que ganham menos e não com as pessoas que ganham mais).


Veremos o resultado final daqui a uns tempos.

19 comentários:

  1. Bom dia
    «O pão que sobra à riqueza
    Distribuído pela razão
    Matava a fome à pobreza
    E ainda sobrava pão.»
    (António Aleixo)


    Bom dia, 
    Zé Onofre

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  2. Aleixo tinha mais jeito para a escrita que para o pensamento

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  3. E isso é independente do facto de não saber escrever

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  4. O PM socialista sueco Olof Palme dizia que queria enriquecer os pobres. Não queria esmolar os pobres.

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  5. Tinha de facto mais jeito para a escrita.
    Para a aritmética é que não tinha nenhum.

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  6. Boa noite


    Os cientistas costumam dizer que a explicação é a verdadeira.
    Eu estou com os cientistas e o Aleixo, que apesar de ter apenas a terceira classe via mais longe que o professor de Finanças.


    Zé Onofre 

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  7. Boa noite
    Os cientistas costumam dizer que a solução mais simples é a solução.
    Aleixo, apesar de ter apenas a terceira classe entendia mais que o Professor de Finanças.


    Zé Onofre

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  8. O problema é que não basta ser simples para ser solução: Aleixo, nesta quadra, está a alinhar com a ideia de que a riqueza é um sistema de vasos comunicantes sendo a pobreza ou riqueza de uns sempre o resultado do aumento da pobreza ou da riqueza de outros.
    É uma ideia errada, e todas as soluções baseadas nesta ideia deram origem a desastres sociais terriveis.

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  9. É tão errada como tantas outras que são aplicadas diariamente nos actuais sistemas capitalistas.

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  10. Socialista Biden ataca de novo. Mas não falta muito.




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  11. Aleixo está a alinhar com o conceito de recursos finitos de um sistema, sendo que se uns ganham, outros terão de perder.

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  12. A minha opinião é ortogonal à deste post.
    A minha opinião é que todos os partidos sem execeção estão ansiosos por delapidar o excedente orçamental. Estão ansiosos por transformar o excedente em défice. Todos eles, sem exceção, consideram que é natural o Estado ter um défice, e que a situação de excedente é uma patologia a ser rapidamente eliminada. Todos eles consideram que o excedente do Estado é dinheiro que pertence ao povo e que deve, o mais rapidamente possível, ser por ele distribuído.
    Ninguém se recorda de que o excedente do Estado deve pertencer, antes do mais, àqueles que emprestaram dinheiro ao Estado.

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  13. <i>o conceito de recursos finitos de um sistema, sendo que se uns ganham, outros terão de perder</i>


    É o conceito que atualmente os EUA, e crescentemente a Europa, aplicam às suas relações com a China. Para os EUA ganharem a China terá que perder, e vice-versa.


    É um conceito que, como o Henrique P.S. bem diz acima, leva a desastres terríveis.

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  14. Apreciei o postal e concordo com a posição atribuida à AD. Tenho cada vez mais dificuldade em perceber a IL. Sou totalmente contra o que defende e tem votado quanto a liberdades - que na minha opinião não o são - individuais. Mas mesmo na economia tenho, como disse dificuldades. 
    A IL tem gente capaz, inteligente e Carlos Guimarães Pinto será mesmo excepcional. Mas, dada a experiência - real e sofrida por todos - de Pedro Passos Coelho, não se percebe como é que a IL vai compensar o corte brutal de impostos que preconiza. Não irá - espero eu - aumentar o endividamento. Mas então como vai reduzir a despesa com a Constituição que temos e o Tribunal Constitucional como forças de bloqueio, como já se viu com Passos Coelho. Ficaria o crescimento da economia mas, sem ser necessário um curso de economia, parece claro que isso só resultaria com crescimentos "chineses" de dois dígitos.
    Num patamar superior, vejo a IL tão inconsequente como André Ventura.
    E ambos, AD e IL subestimam ou ignoram a questão da balança comercial. Devolver ou aumentar o rendimento líquido da classe média, pode ser algum estímulo para a economia mas será certamente um enorme estímulo para a importação de veículos automóveis e para o gozo de férias no estrangeiro. A dívida de Portugal não é apenas a pública. E alguma diminuição da dívida pública, com um aumento da privada, não melhorará muito o "rating" de Portugal. Creio que não existe a noção que, se Portugal desde há cinquenta anos, apenas tivesse importado Renaults, Fiats, Seats etc. e não Mercedes BMWs, Audis, Porsches ou Volkswagens, quase não existiria ou não existiria dívida privada externa e a pública seria muito menor.
    Esclareço que não estou a defender medidas restritivas que seriam sempre terceiro-mundistas ou pior, mas gostaria - devo sonhar demasiado alto - que políticos da AD da IL ou do Chega, usassem de clareza e honestidade quanto à situação económica. Precisava de ouvir alguém com a clareza de Salazar na Sala do Risco: Sei o que quero e para onde vou. Destinos diferentes, certamente, mas clareza idêntica.  

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  15. Óptimo, se estamos de acordo que é uma ideia errada, escusamos de perder tempo com ela.

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  16. Boa tarde
    Poderíamos ficar aqui a conversar dias e dias e cada um defenderia a sua dama
    educadamente.
    Contudo, quanto a mim, a ideologia da igualdade não está errada, ou então, não sabendo eu se é crente, e se essa crença é cristã, mas certamente conhece os seus princípios, há gente que se diz Cristã, mas é da boca para fora, não o é na prática. (Também se dizia de Salazar que era um democrata, só que não praticava. Quero eu dizer com este arrazoado que a "ideia", há quem diga que a defende, mas é como Salazar, não a pratica.
    Já na "ideia" de uma sociedade de "mercado livre", ninguém contesta a "os desastres sociais" que são muitos, porque estes estão na natureza da "ideia."
    Os primeiros dizem uma coisa e fazem outra e desacreditam a "ideia".
    Os segundos defendem a "ideia" e praticam-na, mas convenhamos que a segunda é muito fácil de cumprir, basta deixar fluir o que o "homem" tem de pior - "o meu mundo é o meu umbigo".
    Certamente não espero que concorde com este meu, repito meu, modo de ver as sociedades. Apenas quero explicitar, de maneira canhestra talvez, o meu ponto de vista.
    Um bom fim de semana,
    Zé Onofre
       

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  17. É uma ideia tão errada como essa conclusão.

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  18. Tal como o conceito de crescimento eterno. E no entanto cá estamos.
    Por outro lado, é possível todos os países do mundo terem balança comercial positiva?

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  19. Excelente comentário.


    não se percebe como é que a IL vai compensar o corte brutal de impostos que preconiza


    Eu, que sou membro da IL, também não percebo.

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