quarta-feira, 13 de março de 2024

O quarto poder escolheu o lado errado da barricada

"Eduardo Oliveira e Sousa, ex-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, que gerou polémica por negar as alterações climáticas...", escreveu ontem no Público Ana Bacelar Begonha.


Quando li isto lembrei-me imediatamente de uma cena de Notting Hill em que a actriz principal, depois de uma confusão qualquer, responde, a quem lhe diz para não dar importância ao que vem nos jornais porque no dia seguinte estarão no lixo, que a história vai ser arquivada e até ao fim dos dias dela, sempre que alguém escrever alguma coisa sobre ela, a história vai voltar a ser desenterrada.


A grande diferença do filme para a realidade é que no filme a cena diz respeito a uma situação que realmente aconteceu, na realidade a observação que ela faz continua a ser verdadeira, mesmo para coisas que nunca aconteceram (ou de que não há registo de que tenham acontecido), como o famoso "nunca me engano e raramente tenho dúvidas", o não menos famoso "vem aí o Diabo", para não falar do mais distante "se não têm pão, comam brioche".


Oliveira e Sousa vai ter de viver até ao fim da vida com o surgimento periódico da invenção mediática de que terá negado as alterações climáticas num comício da AD em Ourém.


Para quem queira saltar por cima da mediação do quarto poder, pode ouvir aqui, integralmente, o seu discurso nesse comício.


Ao minuto 15 do vídeo pode ouvir-se o momento em que Oliveira e Sousa começa a criticar algum ambientalismo.


Ao minuto 16 e 45, aparece a primeira crítica que o quarto poder resolveu usar para inventar posições políticas que não foram expressas, atribuindo-as a Oliveira e Sousa.


Ao minuto 19 começa a falar de alterações climáticas, começando por referir vários fenómenos meteorológicos extremos do passado, para ilustrar a ideia de que sempre houve fenómenos meteorológicos extremos.


Ao minuto 20 e 03, conclui dizendo "O planeta tem vida própria. Mas as alterações em curso são diferentes e são mais recorrentes. Há que deitar mão do conhecimento e dos meios técnicos para encontrarmos soluções que diminuam os riscos que sabemos que corremos".


É absolutamente claro, cristalino, que Oliveira e Sousa não nega as alterações climáticas como, pelo contrário, faz pedagogia sobre o assunto ao responder a um argumento recorrente de quem nega as alterações climáticas - sempre houve fenómenos meteorológicos extremos -, dizendo que sim, isso é verdade, mas aquilo a que assistimos agora é diferentes e mais recorrente.


Não me interessa discutir se tem razão ou não, se o discurso é bom ou não, etc..


O que me interessa é a opção do quarto poder.


Neste caso, como em muitos outros, a opção de esquecer os factos para apresentar argumentos, o que me parece que resulta da ideia errada de que o jornalismo é um contra-poder que deve ajudar a mudar o mundo, e não apenas a actividade de produzir informação útil às pessoas comuns (que, frequentemente, acaba em ser contra-poder, mas isso é um ponto de chegada, não de partida).


Recentemente apareceram notícias de mais um despedimentos colectivo num grupo de comunicação social, ilustrando a prolongada crise dos jornais (não necessariamente do jornalismo, mas não vou entrar por aí), que terá, com certeza, razões estruturais e de contexto, mas é também o resultado de um jornalismo de causas, que é como agora chamam ao jornalismo oportunista que aproveita a visibilidade dos seus agentes para contrabandear ideias, mascarando a nudez crua da propaganda sob o manto diáfano do jornalismo.


O quarto poder, quando é limitado pelas preferências dos seus leitores, tem ligações à realidade que o impedem de desembestar pelo mundo poético de superioridade moral em que vive a generalidade do jornalismo, mas quando vive de fontes de financiamento sem ligação com os seus leitores, como é o caso do Público que vive da caridade da família Azevedo, ou o Expresso, que vive do bolso fundo e da televisão do seu dono, perde qualquer limitação que o obrigue a procurar a confiança das pessoas comuns.


Infelizmente, o quarto poder parece ter vindo a escolher o lado errado da barricada, focando-se no que julga ser a sua missão de nos salvar a todos, mudando o mundo, em vez de se focar em dar-nos informação fiável que nos permita, a cada um de nós, com as nossas limitações, fazer opções que entendermos sobre as melhores formas de lidar com a realidade.

22 comentários:





  1. É o que acontece com as acusações sem fundamento que o Ministério Público faz a muitas pessoas.


    Por exemplo, agora António Costa está com a carreira política suspensa, apesar das suas brilhantes perspetivas, por causa de uma dessas acusações.

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  2. Não há lados certos e errados. O lado errado é sempre aquele oposto ao nosso.
    É assim na vida, no wokismo é que não.
    A Comunicação Social fez as suas opções, como na vida (real), opções têm consequências. Boas e más, sempre, a qualificação das ditas depende do lado. Apenas têm de lidar com elas.

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  3. Proprietários (e profissionais) dos diferentes orgãos de comunicação social escolhem e definem o seu "lado da barricada". 
    Os resultados eleitorais acabam de demonstrar  que os consumidores não são tão ingénuos como se julga. 

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  4. Parece-me que agora é virar a página e não perder mais tempo com esses rodriguinhos prprios de minudências socialistas  
    O que ´lhes interessa, isso sim,  é que não se discuta o "legado" socialista que deixam aos portugueses e que a imprensa internacional tem descrito nos últimos 2-3 anos. Só não viu quem não quis ver:


    --Courrier International -  Le Portugal connaît un appauvrissement galopant.


    --Les Echos -  D' où vient le «déclin» économique de Portugal. 
    Le Portugal va perdre 11 places au classement mondiale du PIB par habitant.


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  5. La Croix-  reportage: « 

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  6. O 4º poder de conluio com toda a esquerda andam de monco caído. 
    Agora que perderam, batem com a mão no peito, muito pesarosos a fazer o "mea culpa". A sonsice desta gente não tem limites! 
    Primeiro, foram eles que inventaram as "cercas sanitárias" e as "linhas vermelhas" que lhes convinham para secarem a direite democrática e incharem o Chega. Aí está o resultado. Mas dá-me gozo que estejam a provar do próprio veneno.
    E o descaramento é tal, que passam uma esponja pelos enxovalhos e insultos que dispararam contra a direita e... de repente _ porque vergonha não têm nenhuma.._  mudaram a agulha, e a direita já não é radical, nem xenófoba, nem racista. É obra!!! 
    Bem os entendo... Basta ler a sonsice escrita pelo socialista Porfírio Silva

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  7. O Eduardo Oliveira e Sousa escreveu uma carta - penso que para circular entre amigos e conhecidos - a explicar o que disse e porque disse nesse discurso. E até a lamentar ter usado uma expressão (penso que "milícia") que depois lhe pareceu inapropriado. Não sei se leu essa carta. Como em muitas circunstâncias, o que dizemos dos outros diz mais de nós do que dos outros.

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  8. E fizeram o seu próprio julgamento também em relação aos comentaristas  apesar das "classificações" que iam atribuindo aos partidos, logo após os debates. 
    Os portugueses já não se deixam "baralhar", felizmente  vão percebendo as manobras do 4º poder na tentativa de manipular a opinião pública. 

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  9. O 4º poder no instante em que escolheu o seu lado, deixou de ser isenta e passou a ser conivente e também responsável pela degradação a que a governação socialista conduziu o país. 
    o 4º poder há demasiado tempo que deixa correr, silencia e não escrutina, para informar com verdade e imparcialidade os leitores (como é seu dever), e assim ajudar a formar uma opinião pública esclarecida. Para todos fazerem as melhores escolhas democráticas.  

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  10. OS portugueses devem tanto ligar às notas dadas nos debates como aos "pugramas" da bola. Estão ali adeptos, uns assumidos, outros encapotados, a mandar bitaites. Todos inquinados pela sua preferência pessoal, que de lógica tem pouco.

    Dizer que o Ventura perde dos debates (nem sei o que é "perder" um debate ao certo, mas adiante), diz mais de quem profere a frase do que do debate em si.

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  11. Sabemos que lado escolheu o tal 4º poder, quando não tem uma crítica a fazer, ou uma palavrinha a dizer sobre aquelas eternas presenças socialistas que não saem de cena, figuras gradas do socratismo de má memória, que há muito deviam estar fechadas num sótão e desaparecem, "por indecente e má figura". 
    Mas... o 4º poder dispensa os maiores insultos e os mais insidiosos comentários a todas as figuras do "passado" que vieram apoiar o Montenegro.
    Estas discrepâncias já não passam incólumes nos dias de hoje. Ainda bem que os portugueses têm olhos para ver, ouvidos para ouvir e cabeça para discernir.

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  12. bem , agora , com governo ad,  os problemas  graves que o país tem e que foram tratados  como fait divers pela comunicação social durante o governo ps , vão adquirir a sua real importância. fico aguardando as notícias sobre partos em ambulâncias , pessoas a morar na rua  e coisas assim , em grandes parangonas.  -:) 

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  13. Este texto é mais uma exemplo do poder do jornalismo em matar a linguagem.


    Alterações Climáticas sempre existiram. 


    Mas "Alterações Climáticas" é newspeak do jornalismo para 
    Alterações Climáticas provocadas pelo capitalismo que inventamos para o podermos controlar.




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  14. No aeroporto já vi duas mães a chorar pelos filhos que foram forçados a emigrar para o Norte da Europa. Tragam as cameras.

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  15. A Cgtp já anunciou a luta nas ruas.Nem deixam assentar a poeira eleitoral. 

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  16. Só quem não está atento (que são muitos) não se apercebe de toda essa farsa mediática. 

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  17. Porque razão o agora deputado não pode ter ideia própria? Nada disse de escandaloso. O  mundo desde que é mundo tem mudado. 
    Nem acertaram no tempo das eleições. Afinal tivemos bom tempo!

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  18. A Groenlândia já foi verde! (green land)

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  19. Foi surpreendente como a 10 de Março o PSD passou de partido facho a partido democrata.

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  20. Não excluindo o que aqui foi escrito, há duas coisas que me fazem confusão:
    constante precariedade neste sector (até em agências de comunicação do próprio Estado) e a incapacidade dos mais jovens em perceberem a importância da mediação e da literacia no geral. 

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