sexta-feira, 22 de março de 2024

O país mudou

(...) O país mudou, tal como todo o Ocidente mudou. Essa mudança é hoje um assunto de conversa tão inevitável como o tempo. É do que se fala à mesa, na barbearia ou no táxi. De facto, só os políticos não falam disso. A causa imediata da mudança está no colapso das fronteiras externas da UE. O acesso de migrantes à Europa está hoje limitado apenas pela geografia e por algum Estado fronteiriço subsidiado, como a Turquia. Em Portugal, os residentes com naturalidade estrangeira duplicaram desde 2015, em menos de 10 anos. Representam 11,6% da população. Um quarto dos bebés são filhos de mães nascidas no estrangeiro. É a maior mudança social desde a industrialização. A classe política diz que precisamos dos migrantes, e tem razão. Mas não bastam as contas da segurança social, nem a vantagem da mão de obra barata, para extinguir a estranheza que uma grande mudança social, quando é brusca e caótica, sempre inspira.


Para muitos, essa mudança tornou-se preocupante sobretudo pela sua conjugação com a cruzada woke, nas escolas e na imprensa, contra tudo o que tem sido a base da coesão social do país e da sua capacidade de integrar outras populações: a identidade nacional, uma história comum, a religião tradicional. Eis a população desafiada a renunciar a qualquer sentido de comunidade, e a conceber o seu país como um simples aeroporto internacional, onde todos estivessem de passagem. Naturalmente, rejeita isso. Porquê tratar essa rejeição como xenofobia? Porque não ver aí o cuidado legítimo e razoável com um modo de vida que aliás sempre esteve aberto a quem veio de fora? Porquê não admitir que a redução da sociedade a um aglomerado de guetos pode comprometer muita coisa? (...)


Rui Ramos na integra aqui

26 comentários:


  1. a redução da sociedade a um aglomerado de guetos


    Mas quais guetos? Os guetos que atualmente existem (Cova da Moura, etc) já existem desde há dezenas de anos. Não são novos. Por que acorda agora Rui Ramos (e, pelos vistos, João Távora) para uma realidade que já existe desde há dezenas de anos? Os guetos sempre existiram, não são novos.

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  2. Este texto faz parte de uma campanha de alguma direita para levantar um problema que, de facto, não existe (ou existe mas é muito reduzido). Essa direita inspira-se em problemas existentes noutros países europeus e tenta transplantá-los para cá. Ou seja, quer criar problemas onde eles inexistem.

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  3. Disparate. A grande vinda de migrantes para a Europa deu-se no passado distante (1960), quando milhões de magrebinos foram para França e milhões de turcos foram para a Alemanha. As migrações atuais são grandes, mas não são maiores do que as do passado.

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  4. Este texto não faz parte de nenhuma campanha, reflecte a preocupação (justificada ou injustificada) de cada vez mais gente sobre a imigração. Se quiser manter a cabeça debaixo da areia (sei que gosta) o problema é seu. 

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  5. Alguns têm a cabeça (dentro ou fora da areia) de tal maneira formatada que só "conseguem" ver aquilo que lhes interessa ou lhes convém. 

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  6. Ao mesmo tempo que me preparo para ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=aHXb6ZBKFpY


    Assunto complexo, reduzido como tudo hoje em dia ao tudo ou nada. As opiniões deixaram de importar, apenas o lado de que se está.
    Não sei se "vivemos" com ou sem imigração, isso é indiferente, importante é assumir se queremos um mundo com ou sem imigração. É que quanto a "guetos", ou bolsas culturais, tanto me pode incomodar uma catrefada de tipos de turbante que mal arranham português, como um exército de brits que nem isso conseguem. A Mouraria está descaracterizada? Também o All-garve, e com isso poucos se importam.
    Não querem cá pessoas que não se integrem totalmente na cultura do país? Cuidado, que podemos vir a receber uns milhares de portugas que não se integram na cultura alemã. sueca ou neerlandesa.
    Sim, a imigração árabe é um problema (também a de Leste, mas essa por enquanto ainda é trendy). Ignorá-lo é um problema maior. Mas se calhar, pior ainda é a  wokização europeia, e isso é um import, mas do outro lado do Atlântico. A infantilização, estupidificação, transformar tudo num espectáculo e numa peleja, celebrar o meu lado e diabolizar o oposto, ao invés de discutir os problemas  e resolvê-los, é tão USA...

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  7. Portugal (ainda) não tem problemas culturais sentidos em outros países, mas virá a tê-los. Falar preventivamente não é tão estúpido como faz soar. Mas Portugal tem UM problema que já é recorrente, e que existe noutros países: a 2ª geração, já nascida no país, tem uma aversão brutal ao mesmo. Ao contrário dos pais, por razões óbvias. Nunca foram realmente integrados no ensino e na sociedade, também porque a família lhes deu pouco apoio (infelizmente, imigraram para "trabalhar"). São semi-párias.

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  8. A luta de classes, entre opressores e oprimidos, mantém-se.
    Só que nos antigamentes era baseado na classe social (ricos, classe média, pobres), hoje é por raça, religião, género e orientação sexual. Que é o que "define" o ser humano (ou humane) hoje em dia.
    Claro que não faz muito sentido um desgraçado cis caucasiano heterossexual que trabalhou 40 anos por um salário de m*** , tem meia dúzia de patacoso no banco e nem sabe se vai ter reforma, ser apelidado de privilegiado, mas é o que temos.

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  9. A bolha do Balio (lisboeta, universitária, liberal, elitista) não vê guetos. Já a minha bolha (operaria, trabalhadores indiferenciados) vê imensos (Os brasileiros, os indianos, os chineses). São tema de conversa. Agora basta saber qual a bolha maior pois é essa que vai ganhar as eleições. 

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  10. Contenha- se! Com essas tiradas ocorre-me que o Balio talvez tenha défice cognitivo.
    Guetos, o wokismo, a noção de perda de identidade e de sentido de pertença, juntamente com um deslassamento social, são uma mistura explosiva, evidentemente. O Chega foi a válvula de escape. Por enquanto. Veremos o que nos reserva o futuro. 

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  11. Em voz baixa e com bons modos : já repararam que esse(s) problema(s) não se põe(m) no leste Europeu?...E, quando afloraram, foram "mediata , civilizada e cristãmente "  resolvidos... Os escandinavos já abriram os olhos   -    e, por pudor não menciono a Santa Rússia...
    Resumindo , só se suicida quem quer ( ou a isso é obrigado...).
    Continuemos com a cantilena  do politicamente correcto, da tolerância, do rasgar de bandeiras e apagar fronteiras que vamos ter um lindo enterro...
    Juromenha

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  12. Não seria mau que cuidassem, isso sim, das causas da emigração. Pelo que tenho lido, ano após ano dão à sola mais de 60 mil portugueses; jovens, que os velhos estão a papar a reforma enquanto não são chamados à casa do Pai (e a concorrerem com a Duracell). Quantos emigraram na última década? Meio milhão?

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  13. A ouvir (cerca de 10 min.):


    https://www.youtube.com/watch?v=Ob-a-h2rR2o

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  14. E um atentado Terrorista contra Portugal!! Portugal só se devia repovoar com portugueses={ seres humanos pertencentes a civilização católica de matriz portuguesa}. Mas o estado português financiado pela UE só promove a invasão dos mohameds e as seitas envagelicas! 

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  15. sim , onde vivo  , nas Caldas ,  é isso mesmo . e mudou desde a coisa do covid , nascem asiáticos debaixo das pedras , em pouco tempo já há uma rua que é deles. assim , de repente. 
    brasileiros sempre houve e estão integrados , mais ou menos , com a população.

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  16. Massa crítica, não finja que não aprendeu esse conceito.

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  17. "O país mudou". Claro que mudou! 30 anos de socialismo é overdose.

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  18. E quando se chega a um certo patamar (como na França e Bélgica)já se torna praticamente impossível de resolver os problemas resultantes da imigração descontrolada dentro do quadro normal político e institucional .

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  19. Um carneiro a balir não faz um rebanho(assim como uma andorinha não faz a primavera). O pior é que há muitos a balir a mesma conversa por aí adiante a fazer o caminho do rebanho. 

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  20. Oh homem não diga isso que os ucranianos já não vão querer aderir à UE.

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  21. E 48 anos de uma Constituição (CRP) proto-socialista. 

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