Por puro divertimento, resolvi olhar, lado a lado, para os resultados das eleições de Domingo passado e para os resultados das europeias de 2019, que se irão repetir dentro de menos de três meses.
Comecemos pelo número de votantes: cerca de seis milhões no Domingo passado contra cerca de três milhões em 2019.
Começar por aqui é importante para se poder ler os números seguintes, que seguem a ordem de voltação nas últimas europeias.
O PS elegeu então 9 deputados, com um milhão e cem mil votos e 33,38%. Daqui a menos de três meses irá, com certeza, perder alguns destes deputados, tendo em atenção que nas eleições de Domingo teve um milhão e oitocentos mil votos, o que é mais que em 2019, mas 28,7% dos votos, uma perda de quase 5%.
O PSD e o CDS (vou juntá-los porque parece fazer sentido), elegeram 7 deputados com com mais de novecentos mil votos, que comparam com o milhão e oitocentos mil que tiveram no Domingo passado, o que em percentagem quer dizer passar de 28% para 29%, por aí. Ou seja, devem eleger 6 a 8 deputados, se se considerar (consideração assumidamente estúpida, o que não quer forçosamente dizer inútil) que as eleições de europeias terão alguma consistência de resultados com as de Domingo passado.
O BE elegeu dois deputados, com 320 mil votos e quase 10% dos votos, mas no Domingo passado teve 275 mil votos e menos de 5% de percentagem, portanto, poderá eleger, ou não, um deputado europeu (o último a eleger, em 2019, foi o PAN com 5% dos votos, perto de 170 mil), sendo mais provável que Catarina Martins acabe eleita, mas dificilmente haverá um segundo deputado europeu do Bloco de Esquerda.
O PC elegeu dois deputados, com cerca de 270 mil votos e quase 7% dos votos, que contrastam com os 200 mil votos e menos de 4% dos votos no Domingo passado, ou seja, eleger um deputado parece possível, tendo em atenção o número de votos do PAN nas últimas europeias, mas não é nada seguro tendo em atenção a diferença de 3 para 6 milhões de votantes entre umas e outras eleições.
O PAN elegeu um deputado com apenas 170 mil votos, mas 5% dos votantes, só que agora, com o dobro dos votantes globais, ficou-se pelos 120 mil votos e 2% dos votos, uma percentagem em linha com os vários partidos que não elegeram deputado nenhum nas europeias anteriores, portanto, deve perder o seu deputado europeu (na verdade, perdeu-o logo depois das eleições, à conta das divergências internas).
A IL e o Livre estão, essencialmente, na mesma posição, não elegeram com votações mais ou menos residuais em 2019 (30 mil e 60 mil votos, respectivamente, 0,88% e 1,83%), mas no Domingo passado tiveram votações com alguma expressão (300 mil e 200 mil votos, respectivamente, 5.08% e 3,26%), sendo possível que eleger um deputado cada, mais provável para a IL, mais difícil para o Livre.
O Chega não concorreu em 2019 e agora teve um milhão e cem mil votos, em torno dos 18%, o que quer dizer que deve ficar com os deputados todos que os outros perderem, 3 a 4 do PS, um do BE, um do PC e um do Pan, menos um que a IL pode ir buscar, ou seja, aí uns 5 deputados, mais coisa, menos coisa.
Claro que tudo isto não passa de um divertimento sobre o futuro, as variações do número de votantes inviabilizam qualquer comparação minimamente sólida, os cabeças de lista podem influenciar qualquer (pouco, mas pode ser a diferença entre ter mais um ou menos um deputado) e confesso que divertiria imenso que o Chega candidatasse Mithá Ribeiro como cabeça de Lista, para ver os branquelas todos dos outros partidos a acusá-lo de racista (a discussão sobre o racismo está tão absurda que Cristina Roldão, uma mulata que escreve no Público sempre a mesma crónica sobre diferenças de tons de pele, reconhece a ironia de ser o Chega o único partido a ter elegido deputados racializados (sem qualquer ironia, não consigo mesmo perceber este conceito de pessoas racializadas), dizendo que elegeu Mithá Ribeiro (ascendência em famílias pretas e indianas, se não me engano) e um outro deputado manifestamente mulato, nem reparando que Rita Matias é também mestiça, com ascendência indiana).
Olhando a sério, nada impede que Montenegro chegue á conversa com o Chega ainda que daí resulte um acordo de não haver acordo.
ResponderEliminarEssa do "Chega" ser racista tem que se lhe diga...
ResponderEliminarJuromena
Não te esqueças que nas europeias há um círculo único por isso o apuramento de mandatos é feito apenas sobre esse círculo.
ResponderEliminarJá agora, eu acho que também devia haver um círculo único nas legislativas, em vez de haver círculos distritais.
Mulato é como quem diz.
ResponderEliminarMarcus Vinícius Santos, carioca , nascido no estado do Rio de Janeiro é negro diria eu.
Pelo menos considerando os padrões cromáticos que se "babaram" com Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América.
Quando é filho de mãe branca e de pai negro se for de esquerda é negro, Obama.
Já se for de direita o padrão cromático é o Ba do anti-racismo, é mais claro que o Ba? Então é branco.
Para os que diabolizam o Chega é impossível ser negro, estrangeiro e deputado pelo partido unipessoal de André Ventura, é impossível mas tal como na publicidade "Impossible is nothing".
[obviamente que não estou a defender o Chega. Só neste país é que um lampião comentador da CMTV, advogado da filha de José Eduardo dos Santos consegue eleger 48 deputados].
Eu sei, não me atrevi a ver quantos votos é preciso para eleger um deputado e há um problema com as eleições de 2019: entre o PAN, o último a eleger, e a Aliança, o primeiro a não eleger, há uma diferença tão grande que não dá para ter uma ideia de onde está a linha de corte.
ResponderEliminarSó tinha visto a cara de raspão no dia das eleições e não sabia o nome, de maneira que na pesquisa rápida que fiz não o encontrei.
ResponderEliminarAgora que olhei, sim, poderá ser preto, embora não tenha a certeza (em África depende muito das regiões, há umas regiões em que as peles têm mais melanina que noutras).
Para o efeito, é igual, seja ele preto ou mulato (e, para mim, também é igual, estou-me completamente nas tintas para o tom de pele).
Claro que sim, para mim igual. A cor da pele é-me indiferente.
ResponderEliminarQuanto a acusar-se o Chega de racismo e xenofobia a questão é diferente.
Quantos deputados negros tem a esquerda?
Quantos estrangeiros (de nascimento) foram eleitos pelos partidos de esquerda?
A Joacine foi eleita mas a escumalha da extrema-direita ficou triggered.
ResponderEliminarA linha de corte estava nos 114079 correspondente ao segundo deputado do PCP que foi o último a entrar.
ResponderEliminarEm termos de percentagem isto corresponde a 3,4% o que significa que, nas últimas eleições, era necessário ter essa percentagem para conseguir um deputado. Nas próximas a percentagem poderá ser um pouco superior ou inferior, dependendo da distribuição dos votos (nas eleições de 2014 os 3,4% não foram suficientes e foi necessário conseguir mais de 3,5%)
Mas genericamente, podemos esperar que com cada 3,5 a 4% seja possível assegurar um mandato.
Também se poderia questionar se racismo e xenofobia são "qualidades " exclusivas do caucasiano. É que parece...
ResponderEliminarO que ainda não percebi, mas sou limitado e não tenho formação em ciências humanas, é como Beja, um bastião da Esquerda, de repente elege um facho. Os comunistas morreram todos, não os deixaram ir votar, houve uma corrente de migração de Santa Comba, algo terá acontecido.
ResponderEliminarContinuem assim jornalistas:
ResponderEliminarObservador: Donald Trump volta a insultar Biden e antecipa: "Se eu perder, haverá um banho de sangue"
O que Trump disse:
Trump Declares It Will Be a ‘Bloodbath’ for Auto Industry if He’s Not Elected.
Oh anónimo parvinho do triggered,deves ser o tolinho de saia que andava atrás da "lady" gaga escurinha pelos corredores do parlamento ou então tens pena de não ser.
ResponderEliminarO homem é evidentemente mestiço e em África, não passaria pela cabeça de ninguém classifica-lo como “negro”;
ResponderEliminarAliás, os brasileiros que cabem nessa categoria são raros (basta “colocar” um grupo de brasileiros “negros” ao lado de um grupo de Bakongos para perceber a diferença);
Mas sim, agora qualquer um com uma vaga ascendência a sul do Saara é “negro”.
Quem ficou triggered foi a "escumalha" livre da extrema-esquerda. Tanto que não voltaram a repetir a "experiência" ...
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ResponderEliminarRita Matias tem ascendência indiana?! Como sabe?
Eu olhando para fotografias dela não noto tal ascendência.
ResponderEliminarem África depende muito das regiões, há umas regiões em que as peles têm mais melanina que noutras
Eu nunca pus os pés em África portanto não posso dizer. No entanto, a mulher que me limpa o gabinete é uma fula da Guiné-Bissau, que foi casada com um homem igualmente fula. Eu quando vi a filha deles (apareceu cá uma vez) notei que era imensamente mais preta que a mãe. A mãe é castanha, a filha é completamente preta, retinta. A mãe explicou-me que ela saía ao pai, que também tinha sido assim.
Ou seja, mesmo numa mesma tribo (os fula, neste caso), pode haver tons de pele brutalmente diferentes.
ResponderEliminartambém devia haver um círculo único nas legislativas, em vez de haver círculos distritais
Os distritos e os concelhos são uma maldita invenção de outros tempos que se insiste em preservar. Tanto uns como os outros deveriam ser unificados em unidades territoriais substancialmente maiores. Infelizmente, o governo de Passos Coelho não fez isso para os concelhos, contrariando as boas recomendações da troica.
Eu não falaria em círculo único para as legislativas. Apenas unificaria distritos. Todos os distritos do interior (de Vila Real a Beja) deveriam ser unificados num único círculo eleitoral. O mesmo para os dois distritos do Minho e para os quatro do Centro Litoral. Finalmente, a metade Norte do distrito de Setúbal deveria ser junta a Lisboa, e a metade Sul integrada no Interior. Ficaria o Continente com seis regiões eleitorais (Lisboa, Porto, Algarve, Interior, Minho, e Litoral Centro).
ResponderEliminarCom. Soc. por cá. Medram nas redações analfabetos, incultos (baratinhos), ou fanáticos com apoio dos responsáveis. Depois queixam-se.
ResponderEliminarAs divisões territoriais históricas são diferentes das actuais manchas demográficas e sócio-económica.
As auto-estradas ultrapassaram o combóio, como este ultrapassou as vias fluviais. Portugal está politicamente diferente.
A adesão à União Europeia e as gerações "Erasmo" (como se vê neste número crescente do voto extra-territorial) obrigam a uma urgente mudança, adaptação, do paradigma do dito "nacional". A começar pelo poder Legislativo: o que é ser cidadão eleitor "português". Afinal no Contimente nem se escolhem os legisladores dos Açores e da Madeira.
Será necessária uma nova, delicada, definição de cidadão eleitor, intra ou extra território. Universos eleitorais gigantescos podem ser muito interssantes para o ego "nacional". Mas são heterogénios, irreais e dão resultados incontroláveis.
Por outro lado o voto por correspondência não é fiável.
E o voto extra-território não tem estreita, indiscutível relação, com a representação obtida.
Portugal politicamente é um município (pobre) da União Europeia.
Portugal, precisa de duas modestíssimas, minimalistas, câmaras legislativas fiscalizando-se, equilíbrando-se mutuamente. Uma com base na demográfica total, uma AR, mas sem o deturpador e ridículo método d'Hondt.
Outra, mais pequena, um Senado, com representação de dois Senadores por cada zona sócio-económica, a redefinir. Equalitária em poder legislativo, seja essa uma região "rica ou pobre". Isso resultaria numa distribuição de recurso nacionais mais equitativa.
A realidade do mundo, e da Europa do Sec. XXI, está a por em causa o desenho constitucional histórico vigente, de 50 anos, ele mesmo fruto de umas circunstãncias demasiado específicas.
Ps- O caricato que é os PMs de Países minúsculo, porem-se em bicos de pés nas reuniões com os "pares", na UE. Parecem a mesa do BE a afirmar que sem ela nada se fará.
ResponderEliminarSerá necessária uma nova, delicada, definição de cidadão eleitor
No outro dia falei com uma cidadã irlandesa emigrada (vive na Holanda). Disse-me que os emigrantes não podem votar para as eleições irlandesas. Disse-me que há tantos cidadãos irlandeses emigrados que, se todos votassem, teriam imenso poder.
Penso que em Portugal os emigrantes também não deveriam poder votar, a menos que pagassem IRS em Portugal. Se não pagam impostos para cá, por que raio hão de ter voz ativa sobre quem os paga?
Da mesma forma, imigrantes que já cá estejam há algum tempo e paguem cá impostos, deveriam ter direito a voto mesmo sem serem cidadãos. Quem paga deve ter direito de voz sobre como aquilo que paga é gasto.
ResponderEliminarNão elegeu um facho. O CHEGA não é um partido fascista. É um partido socialista e (ligeiramente) nacionalista (nacional-socialista, se se preferir, mas sem a Sturmabteilung). E corporativista. Defende os reformados e os polícias.
Por essa lógica, mais depressa votaria um holandês, um alemão, ou outro cidadão de um qualquer país contribuinte líquido para o orçamento europeu. Pois, na verdade, é dos impostos dos cidadãos destes países vem o dinheiro que torramos em PRR's e demais inutilidades do género ...
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Continuação
ResponderEliminarPedro, já se subiu outro patamar. ao que consta também se é nazi.
ResponderEliminarO Norte do distrito de Aveiro é área metropolitana do Porto o que fala sobre essa zona está errado.
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ResponderEliminarO Norte do distrito de Aveiro é área metropolitana do Porto
Sim. Naturalmente que, acabando de vez com os malditos distritos, poder-se-ia e dever-se-ia fazer ajustamentos como, por exemplo, colocar Espinho e a Terra de Santa Maria na região eleitoral do Porto.
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ResponderEliminarAdmitir que o presidente da AR deve pertencer ao partido mais votado pode significar entregar o ouro ao bandido. Um sorteio entre os concorrentes pode não vingar, mas a liberdade de o dizer é mais importante que a do pensar.
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ResponderEliminarhttps://eco.sapo.pt/2024/03/20/votos-recorde-da-emigracao-confirmam-governo-de-montenegro/
ResponderEliminarhttps://24.sapo.pt/atualidade/artigos/ad-e-ps-separados-por-dois-deputados-e-os-resultados-da-emigracao-podem-mudar-tudo-de-onde-vem-os-principais-votos
Com 12 consulados contados em 16 na Europa quero eu dizer, faltam 4 oficialmente.
ResponderEliminarO ps quase fazia a remontada nos descontos. Quase.
ResponderEliminarE houve prolongamento de duas horas não foi? Ainda pensei que fossem buscar os votos nulos para os validar a favor do Ps no circulo fora da Europa.
ResponderEliminarConfirmados os resultados previstos(dois para o Chega e um para AD fora da Europa e outro para PS na Europa) e novamente a avalanche de nulos.
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