quarta-feira, 27 de março de 2024

A confiança é a base do capitalismo

O capitalismo funciona na base da confiança entre as pessoas.


Claro que o sistema repressivo do Estado reforça essa confiança quando penaliza as quebras contratuais, mas na base está mesmo a confiança entre as pessoas que permite aliviar os sistemas de controlo e tornar tudo mais eficiente.


Durante algum tempo é possível usar essa característica para subir rapidamente, enganando os outros, mas se é sempre possível enganar alguém durante muito tempo, não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo.


O problema da relação entre a AD e o Chega está num desencontro que não se poderia resolver sem confiança, e Montenegro não tem confiança em Ventura (eu também não).


Dizer-se que era possível ter um governo estável com um acordo entre a AD e o Chega porque matematicamente desse acordo resulta uma maioria de deputados, pressupõe a convicção de que André Ventura cumprirá adequamente os compromissos que assumir, convicção que, a não existir (e como eu compreendo que não exista), torna a vantagem matemática numa inutilidade política.


Aparentemente há um braço de ferro pelo primeiro lugar à direita, de que resulta a falta de confiança de Montenegro em Ventura, suspeitando que toda a sua acção política tem como objectivo levar o Chega a substituir o PSD no regime, e a falta de interesse em Ventura se associar, de forma tranquila, ao seu principal inimigo, intuindo que o crescimento que a aliança objectiva que estabeleceu com o PS lhe permitiu, possa ser limitado numa conjuntura menos favorável.


Ventura e António Costa são muito iguais, aos dois a governação não interessa muito, o que lhes interessa é o exercício do poder, e isso permite-lhes em cada momento defender qualquer política que lhes garanta poder, tornando-os adversários temiveis.


Os tempos mais próximos não parecem estar de feição para institucionalistas como eu, que gostam de governos e políticos cinzentos, que executem políticas públicas minimalistas, deixando às pessoas, tanto quanto possível, as decisões que entenderem tomar, livremente, respeitando o carácter sagrado do direito à asneira.

16 comentários:

  1. Deve ser por a confiança ser base do capitalismo que a AD colocou como Presidente Interino da Assembleia da Republica um deputado de um partido Comunista.


    Isto foi uma mensagem e simbolismo claro.


    Da AD que votará contra o capitalismo se for necessário.

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  2. Uma significativa vantagem do sistema eleitoral com candidaturas uninominais é que candidatos com este perfil (A. Ventura e A. Costa) sequiosos de poder pelo poder, como bem menciona, nunca se econtrarão a exercer o seu poder sobre umas dezenas de deputados escolhidos por eles -e óbviamente dependentes- o que é manifestamente "poder fácil" de exercer.

    Se vencedor, uninominalmente, é apenas mais um fulano sequioso de poder sim, mas no meio de 229 pares. Facilmente refreado pelo parlamento, em autodefesa, sendo que esse todo até é composto por pares e não dependentes.
    Por outro lado quando este tipo de personagem é escolhido para PM se criar anticorpos no eleitorado, por corrupção ou abuso de poder, é sumariamente deposto pelos Deputados do seu partido. 
    O PM dependende dos Deputados e não vice-versa.

    Esta circunstância -eleições com candidatos uninominais- torna os vícios do poder pessoal de PMs demasiado volontariosos e propensos a tentar ignorar ou esconder erros de governação, controláveis.

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  3. O capitalismo funciona na base da confiança entre as pessoas. 
     
    No 1º post que li ao Sr. Pereira dos Santos, aquele dos eucaliptos, tresli-o: tomei a sua arenga sobre as "empresas serem pessoas" como uma constatação de que a ganância que se atribui às (grandes) empresas, como se estas fossem entidades reais autónomas, é na verdade a ganância das pessoas que as constituem, os gananciosos accionistas e outros mamões que por lá andam. 
     
    Só após ler mais umas coisas suas, incluindo as suas respostas, percebi que o caro HPS é um bravo defensor do capitalismo e um crente do 'mercado', esse deus que substituiu Deus. Longe de si criticar a ganância que lubrifica o maravilhoso sistema que nos liberta, nos realiza e nos enche os centros comerciais. 
     
    Nem só de ganância vive o capitalismo, aprendemos hoje, há também a confiança. A desigualdade crescente, a procura constante de riqueza e lucro a todo o custo inspira as pessoas a confiar umas nas outras. Já tinha reparado nisso. 
     
    Infelizmente, falta-nos um político cinzento que limite o Estado ao que devia ser a sua única função: defender a propriedade e proteger os seus donos. Só precisamos de polícia, de tribunais e de cadeias. O resto o mercado resolve.

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  4. A confiança constrói-se. Já se percebeu com quem Montenegro escolheu construir essa confiança. Cavaco Silva só existiu um, Montenegro não é Cavaco Silva nem academicamente nem politicamente. Leu os livros de como formar um governo, mas esses livros foram escritos por uma pessoa com carisma e com maiorias absolutas no bolso. Além disso, Cavaco dominava o partido, não tinha nem vice presidentes, ou outros, a querer ser mais do que são, e a minar a palavra de um acordo que afinal existia. Outra coisa que Cavaco tinha era iniciativa, Montenegro nem teve o rasgo de ser o proponente da solução bizarra encontrada, limitou-se a apoiar como o PS fez logo questão de afirmar. Um líder muito fraco, que não é Cavaco.
    Boa sorte.

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  5. As cadeias e a polícia podem ser definidas pelo mercado

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  6. quando é que o ventura mostrou que não era digno de confiança ? ou é  só  um  feeling ? 

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  7. Não estão de feição.


    O facto é que o Estado abarca cada vez mais políticas, devido a cada vez mais falhas no mercado ou àquilo que se considera serem resultados sub-ótimos com esse mercado. O Estado tomou conta da educação, da saúde, das pensões de reforma e outras formas de previdência social, dos transportes, e crescentemente da ciência e da cultura. Tudo coisas que não estavam previstas pelos liberais clássicos.

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  8. Em boa parte já o são: a polícia sempre esteve ao serviço dos donos do mercado (e disto tudo). A sua real função, como qualquer pobre sabe, é proteger a propriedade, o dinheiro e quem o tem. E, como qualquer banqueiro trafulha sabe, só quem não tem dinheiro vai para a cadeia. 

     
    Nos EUA, paraíso e farol do capitalismo, também a saúde é definida pelo mercado. Tudo funciona muito bem e todos são muito felizes.

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  9. Cavaco Silva só existiu um 
     
    Verdade, embora existam no Egipto ex-governantes com grandes semelhanças. Residem geralmente dentro de pirâmides. 
     
    Escaparam-lhe outras coisas que ele tinha e Montenegro não tem: a adulação pacóvia dum país ainda mais pacóvio, pobre e atrasado que o de hoje; cascatas de esmolas europeias; vastos conhecimentos de economia; ainda mais vasta intuição para mamar em bancos trafulhas.

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  10. São os resultados do jornalismo de monocultura de esquerda. 


    No jornalismo você tem as noticias dos sindicatos dos trabalhadores do estado, não tem as noticias do lojista que está dependente do cliente lhe entrar pela porta. 
    Não tem notícias da Liberdade.


    Ou seja o jornalismo tal como está no ocidente favorece o Estatismo e consequente Totalitarismo e funciona contra a Liberdade.


    Qualquer um vê que o jornalismo censura as medidas da União Europeia para destruir a agricultura na Europa.

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  11. Confiar na mão invisível. Ou em Deus.

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  12. Diga o que disser e faça o que fizer nunca será digno de confiança,pois(um pormaior a não esquecer)já estavam estabelecidas as ditas linhas vermelhas e afirmado(ad nausea)o 'não é não'. Era uma questão de oportunidade até o sr Ventura impor a sua posição(e aproveitou logo a primeira oportunidade) tendo em conta aquilo que acha mais vantajoso para a sua senda parlamentar e eleitoral. O futuro próximo vai dizer quem está no trilho certo, em especial no aspecto eleitoral. 

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  13. Sim, o facto de os antagonistas do Chega, políticos e muita comunicação social, afirmarem que esse partido não é de confiança, é exactamente isso e faz parte do jogo político: "as oposições afirmam que o Chega não é de confiança". Óbvio.
     

    Não tem nada a ver, nem com o Chega, ou nem com as oposições, "serem", ou não, de confiança.

    Desde quando expectável "confiança" no jogo político?. Perguntem ao Maquiavel.

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