A Montis é uma pequena organização de conservação da natureza que ajudei a fundar e de que fui presidente nos primeiros dois mandatos.
Estatutariamente não se pode fazer mais de dois mandatos e os dirigentes não podem ter comércio jurídico (incluindo receber dinheiro que não seja ressarcimento de despesas documentadas) da associação que dirigem.
É das poucas organizações deste tipo que conheço em Portugal que leva a sério o pagamento de quotas, portanto, estatutariamente, em vez da solução usual de remeter a perda de qualidade de sócio para uma decisão da Assembleia Geral (que, na verdade, raramente ocorre), essa perda da qualidade de sócio ocorre automaticamente desde que não exista pagamento e o sócio tenha sido avisado de que está a dever a quota (por isso os meus amigos estão a receber contactos meus, a pedido da direcção, no sentido de pagarem as quotas, se for esquecimento. Se for opção, tenho pena, mas é a vida, nunca insisto).
Quando digo pequena organização é porque terá qualquer coisa como 410 a 420 sócios (dos quais, uns 80 em risco de perder essa qualidade por falta de pagamento de quotas), sendo o crescimento em número de sócios a minha maior frustração com a Montis (já agora, quem se quiser fazer sócio, é só daqui um salto).
Para muita gente, é uma associação frustrante, porque não tem posições políticas, limita-se a estar comprometida com a gestão concreta de terrenos em que ninguém está interessado, ou porque os comprou para dedicar à conservação (penso que será dono de qualquer coisa entre 15 e 20 hectares, quase todos comprados com recurso a crowdfunding), ou porque fez acordos de gestão de longo prazo com os proprietários, não pagando rendas, limitando-se a gerir com objectivos de conservação (deve andar pelos 200 ou 300 hectares, mas como não estou ligado à gestão diária da associação, não tenho os números na cabeça. Em qualquer caso, quem quiser saber mais sobre isso, partindo do princípio de que a informação está actualizada, princípio errado porque já vi que faltam pelo menos as propriedades na zona da serra da Estrela, pode dar um salto aqui).
O que me interessa é que no dia 21 (às vezes aparece como sendo no dia 23, eu não me lembro) a associação vai comemorar dez anos, o que, em si, representa, para mim, uma grande vitória: dez anos a crescer lentamente, sem estar apoiada no Estado, quase sem grandes projectos aprovados (o único grande projecto apoiado, um projecto LIFE, ia transformando a associação em mais uma associação de conservação mais preocupada em captar recursos que em gerir terra com objectivos de conservação), sem grandes mobilizações "contra interesses", sem nada de especial que não seja o gosto por gerir terra com objectivos de conservação e o compromisso de confiar nas pessoas comuns para o conseguir.
Nas próximas semanas irei fazendo mais posts sobre a Montis, até porque está em preparação mais um crowdfunding para criar uma base melhor de aquisição de terrenos mas, para já, o que queria era sinalizar o meu gosto por estes dez anos assentes em gente livre que se junta para fazer o que acha que nos beneficia a todos.
O ano passado o "meu IRS" (não todo, claro) foi para a MONTIS penso que poderia fazer essa publicidade aqui.
ResponderEliminarNa altura tive alguma dificuldade em pesquisar o número de pessoa colectiva para poder fazer a doação.
mais interessada em captar recursos que em gerir terra
ResponderEliminarRecursos de que tipo? Humanos? Financeiros?
Não entendo esta frase, eu diria que os projetos LIFE servem para dar recursos (financeiros) a quem os leva a cabo, não para a obrigar a captar recursos.