quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Dissonância

Passos Coelho fez um discurso de campanha num comício, um bom discurso, no qual disse várias coisas, entre elas, o mesmo que Mariana Mortágua tinha dito no debate com Ventura: nem uma imigração sem regras, nem oposição à imigração.


A forma como o disse foi diferente, mas o essencial do que disse sobre imigração é isto: precisamos de olhar para a política de imigração antes que arranjemos um problema mais sério.


Porque falou em insegurança no mesmo passo que falou em imigração, caiu o Carmo e a Trindade, na bolha mediática (o resto do mundo continuou tranquilamente a fazer a sua vida).


Para mim, e estou convencido de que será o mesmo para quase toda a gente, está simplesmente a referir-se a um problema mais que conhecido: quando os imigrantes não se integram (por responsabilidade sua ou de quem os recebe, é irrelevante para o diagnóstico, não sendo irrelevante para as medidas a adoptar), o risco de guetização é grande e o risco de conflitualidade entre diferentes grupos sociais é potenciado.


Parece que para a bolha mediática e os partidos situacionistas (no sentido em que são avessos a qualquer mudança do que existe, não são contra a mudança em si, são contra a mudança em mim, como se costuma dizer) desataram aos gritos, chamando nomes a Passos Coelho (coisa a que com certeza está habituado) e logo os comentadores vieram falar do fantasma de Passos Coelho ser um grande problema para a campanha da AD (Passos Coelho ganhou as eleições contra António Costa em 2015, mas isso não impede uma quantidade de gente enorme de achar que é um activo eleitoral tóxico).


O mais interessante é que, fora dessa pequena bolha, provavelmente toda a gente percebeu perfeitamente o discurso, toda a gente achou normal, uns concordando, outros discordando, e só essa pequena bolha mediática é que acha que a resposta política eficaz ao discurso consiste em agitar o fantasma do Chega e da extrema-direita, convencidos que estão de que alguém está convencido de que Chega tem umas SA (como os mais novos já nem devem saber, SA era as milícias para militares do partido Nazi) escondidas em algum lado.


Veremos no dia 10 (como vimos em 2015) se essa bolha mediática que está convencida de que Passos Coelho é uma activo eleitoral tóxico tem razão ou não, a mim, a sensação que me deu é que se perguntarem à esmagadora maioria das pessoas o que é que eles disseram, a resposta será a clássica: "nada, só falaram".

12 comentários:

  1. É o "Trump derangement syndrome" que se arranja cá para a paróquia - tomam pastilhas de propaganda e ficam a espumar da boca.

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  2. Os resultados da esquerda também estão em Cuba. Risco de Fome. (via Observador)

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  3. O facto do Passos ter dito o mesmo que a Mortagua é irrelavante para a comunidade woke. O conteúdo não está nas palavras em si, mas em quem as profere, e na percepção que o receptor tem do dito.

    Ou como dizem os eruditos wokes, eu sei que não foi isso que disseste, mas sei que o que quiseste dizer com o que disseste. Tem lógica? Não, mas a religião não obedece a princípios lógicos

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  4. quando os imigrantes não se integram, o risco de guetização é grande


    Isto é assim a modos que uma frase circular: não se integrar é precisamente, basicamente, estar num gueto. É uma frase que, em suma, não diz nada.

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  5. Passos Coelho falou da insegurança actual, o que é objectivamente e factualmente falso. Há uma grande distância entre o discurso moderado da Mariana Mortágua (não o ouvi, reajo ao que leio aqui) e a mentira que provoca alarme social.

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  6. Eles sabem bem que aquilo que a  Mortágua disse sobre imigração não é para cumprir,  aliás o percurso do PSD também nos diz que não vai expulsar imigrantes ilegais mesmo que sequer tenha 50% de votos sozinho em maioria.

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  7. Por mim foi uma enorme satisfação e só tenho a agradecer o regresso de Passos Coelho, ainda que por breves momentos. 
    chilique que deu a muita gente _ à esquerda_  é um grande sinal do seu  desespero e da sua insegurança. Sabem que o Pedro Nuno Santos perde com a comparação. PNS é um flop, não tem discurso e presumo que já deve ser um embaraço para os próprios socialistas. Descobriram que não terá futuro e tem uma mochila carregada de asneiras às costas. 
    Tanto ele como outros seus camaradas de governo foram os Mestres da Bagunça.   Não ficou pedra sobre pedra com a passagem destes "señoritos" pelo governo.   Nem vale a pena enumerar a razia que esta espécie de marabunta fez aos sectores públicos da competência dum Estado (dito!) Social.   Além da descredibilização total das Instituições que estão hoje de rastos.   Não devemos nem podemos esquecer o que se passou na Tap, e na Comissão de Inquérito, nem as cenas degradantes de pancadaria que se passaram no "Ministério-Galamba", uma gentalha sem qualquer sentido de Estado, que acabou em perseguições com o SIS a bater à porta dum cidadão para o intimidar, nem esqueçamos aquela situação caricata duma oferta de uma ida a um campeonato de football aos médicos para premiar o seu esforço;  nem do escândalos de abandono dos Lares de idosos durante a pandemia, etc.etc. Cada um tem na memória o que se passou com os vários "casos" de duvidosa honestidade!

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  8. Não me lembro de ter ouvido ninguém, tirando os exaltados da extrema direita a ligar a insegurança à imigração.
    Passos tem as mesmas opiniões que a extrema direita sobre o assunto, não é grande novidade. 
    Não percebo é porque é que a AD vem fazer afirmações para piscar o olho ao eleitorado da extrema direita para seguidamente andar a desmentir o sentido do que disse para não perder eleitorado ao centro.
    Deveriam decidir-se que assim parecem troca-tintas.

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  9. A maltosa da bolha mediática não tem emenda nem vergonha. Nem nunca terá. O que vale é que ninguém lhes liga nenhuma, deixando os papagaios do regime a falar sozinhos. E enquanto a canzoada ladra a caravana passa e segue tranquilente o seu caminho

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  10. Ainda por cima, Passos Coelho teve o mau gosto de falar da insegurança e dos imigrantes no Algarve, precisamente a província onde, no passado não tão distante, houve um grupo de delinquentes juvenis que causou não pouca insegurança a imigrantes, espancando a esmo alguns deles.

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  11. Não me lembro de ter ouvido ninguém, tirando os exaltados da extrema direita a ligar a insegurança à imigração.


    Evidentemente.


    No passado, quando os imigrantes eram caboverdianos e angolanos, pois sim, havia muita gente que se considerava insegura perante eles. Esses caboverdianos e angolanos viviam (em alguns casos ainda vivem) em guetos na periferia de Lisboa, e estavam pouco integrados na sociedade.



    Mas agora, os imigrantes são quase sempre gente muito pacífica. Asiáticos e africanos que nada têm contra nós. E que estão bem integrados, contactam diariamente com as pessoas, trabalhando em restaurantes ou na distribuição de comida. Quase não vivem em guetos. No Martim Moniz, onde vivem montes de imigrantes asiáticos, andam estrangeiras e portuguesas a passear no meio deles, sem qualquer receio. Nada a ver com guetos como a Cova da Moura, onde muitos brancos tinham medo de entrar.


    porque é que a AD vem fazer afirmações para piscar o olho ao eleitorado da extrema direita


    É extamente disso que se trata. Vêem falar de problemas que objetivamente não existem, que somente são imaginados por pessoas da extrema-direita. Quando o país tem tantos problemas bem reais...

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  12. Discutir insegurança no contexto de imigrantes, descendentes de imigrantes (que já serão nativos) é algo de facho, portanto mais vale calar (e comer)

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