Hoje ouvi Luís Aguiar-Conraria a falar de uma espécie de cheque imprensa que o governo daria às pessoas para gastarem com imprensa.
Eu percebo a bondade da ideia, criar um apoio público que não implique dependência dos decisores públicos, mas para ser uma boa ideia, era preciso que as pessoas não comprassem hoje mais imprensa porque lhes falta o dinheiro para isso.
Estou convencido de que não compram porque não lhes interessa o produto que é disponibilizado pelos grandes orgãos de comunicação social, concebidos para um mundo diferente e feitos por pessoas que acham imprescindível o seu papel de mediador.
Pessoas que se recusam a aceitar a ideia de que liquidar todos os jornais do país não diminuiria grandemente o acesso à informação por parte das pessoas comuns.
Há dias disseram-me para ler um artigo, no Público, de Pedro Norton, sobre a imprensa.
A tese era a de que o jornalismo deixou de ser um negócio e isso era uma má notícia.
A tese era fundamentada em generalidades sobre o glorioso papel do jornalismo e numa série de problemas das redes sociais, demonstrativos de que as redes sociais não substituíam o jornalismo.
Em lado nenhum se consegue demonstrar que esses problemas não existem no jornalismo e a posição de Pedro Norton, nesse artigo, é a posição reaccionária que durante anos se ouvia sobre a wikipedia, por lhe faltar a validação pelos sábios que trabalhavam para a Enciclopédia Britânica.
Calhou ler hoje esse artigo, no mesmo dia em que recebi um mail de uma revista relativamente recente (declaração de interesses, um dos principais responsáveis pela revista é meu sobrinho): "O balanço do primeiro ano é muito positivo, com uma adesão de assinantes, vendas online e procura nas bancas a atingirem um volume que tornou necessário recorrer à VASP para assegurar a distribuição por pontos de venda de norte a sul do país, as compras online e o envio da revista e dos livros aos assinantes dentro e fora de Portugal".
Resumindo, uma revista que se define como "um espaço de interrogação crítica e liberdade", feita com papel da treta, sem imagens, que se debruça sobre assuntos complexos e difíceis (a primeira coisa que lá li foi um longo ensaio sobre Ulisses, de James Joyce, o livro mais chato que já li na vida, só para tentar perceber o ponto de vista de quem o acha um livro genial), a partir de um ponto de vista aparentemente minoritário (o da intelectualidade de direita conservadora) e impressa, ao fim de um ano, está com problemas de crescimento, e não a chorar mágoas pelo fim de um mundo passado.
Se me apresentassem o projecto inicial da Crítica XXI, eu teria muitíssimas dúvidas sobre a sua viabilidade e a possibilidade de sair regularmente durante um ano, mas ter-me-ia enganado redondamente.
Parece que afinal a imprensa ainda é um negócio mas, como qualquer negócio, só sobrevive enquanto tem mercado, claro.
O que não faz sentido é dizer que o jornalismo é uma coisa muito importante, mas que a sociedade não lhe reconhece valor suficiente para fazer dessa actividade um negócio.
Gosto de ler em papel.
ResponderEliminarSempre comprei o Público e o Expresso desde sempre.
Também os novos semanários.
A tendência actual é que a maioria dos jornais têm uma grande inclinação à esquerda e por isso acham perfeitamente natural o Estado use o dinheiro dos contribuintes para os sustentarem.
A grande mentira é a justificação da necessidade de uma imprensa livre, imparcial e democrática.
Enganam-se a eles próprios
Caro Henrique Pereira dos Santos, excelente dica no seu post sobre a revista Critica XXI. Não conhecia.
ResponderEliminarClaro que há mercado para imprensa de qualidade, escrita por gente capaz , desempoeirada das ideias e amante da Liberdade. Adjetivos que, de todo, não se aplicam à generalidade da actual imprensa; nem tão pouco à generalidade dos jornalistas (jornaleiros, talvez seja uma classificação mais apropriada), que vegetam por aí na esperança de passarem a subsidiados do regime ...
o 1º passo a dar quando se pensa num negócio (negação do ócio) consiste em verificar se tem compradores.
ResponderEliminaro social fascismo em vigor, ou comunismo envergonhado, impõe por decreto o que o mantem no poder.
não leio nem ouço o lixo humano que me incomoda. as notícias são na quase totalidade descaradamente tendenciosas com a finalidade de sermos todos do partido único. Parecem vendedores da banha da cobra ou do champô que conserva a caspa e faz cair o cabelo.
a Net coloca gratuitamente ao dispor de todos literatura de qualidade.
tanto sábio a falar e o país cada dia mais falido.
para conservar a saúde mental tenho que levar isto na 'DESPORTÍVEL'.
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ResponderEliminarO melhor é mesmo levar isto na desportível ou tudo descamba e torna-se incomportível.
ResponderEliminarFia-te na net e não corras...
ResponderEliminaro jornal comprava-se pelas notícias. deve haver correlação entre o crescimento de variados canais de tv com noticiários e programas de comentário político e da actualidade ( com montes de gente que repete nas crónicas o que disse na tv) com a queda de venda de notícias em papel. ainda por cima já pagamos a rtp.
ResponderEliminarchuva no nabal e sol na eira não há.
e haverá gente como eu que prefere bloguistas informados a mediar em vez de licenciados em comunicação social assalariados e que nem tv veem e só lêem as gordas
Licenciados em comunicação social venal e ideologicamente(ou monetariamente) orientados.
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