Já tinham acontecido durante quase todo o ano passado perante a indiferença geral do país, as greves sistemáticas da CP e paralização dos comboios. Se não eram dos maquinistas eram dos revisores, se não eram dos revisores eram dos trabalhadores das infra-estruturas. Evidentemente que se trata de uma pequena amostra dum país disfuncional, em que as pessoas, em regra pobres, aceitam conformadas o triste destino de precisar de serviços que dependam do Estado. Da Saúde aos Transportes, da Justiça ao Ensino, coitados dos mais desfavorecidos. Não é propriamente o meu caso, mas, para uma família como a minha, que mora perto do Estoril, é profundamente perturbador, se não infernal, o jogo a que nos sujeitamos para nos deslocarmos a Lisboa. Nunca se sabe quando os comboios estão ao serviço da população ou ao serviço das carreiras e interesses dumas centenas de funcionários privilegiados com renda garantida. Evidentemente quem mais sofre são os miseráveis que não tem alternativa aos transportes públicos, aqueles que têm horários a cumprir, com trabalhos humildes e braçais. Esta situação é uma chocante injustiça que o socialismo, em obediência à “ética republicana”, há demasiado tempo submete os portugueses enquanto os suga em impostos. Ao mesmo tempo os jornais e os canais de notícias à noite entretêm a minoria fidalga nos sofás a debater o charme e as virtudes dos personagens que há oito anos nos aprisionam nesta vil miséria.
Ou isto muda ou qualquer dia acaba mal...
ResponderEliminarOs trabalhadores das infraestruturas, que são aqueles que atualmente se encontram em greve, não são da CP. São de outra empresa independente, a Infraestruturas de Portugal.
se não eram dos revisores eram dos trabalhadores das infra-estruturas
ResponderEliminarConvém notar que os trabalhadores das infraestruturas não são da CP e sim da IP (antiga Refer)
ResponderEliminarEu não sei bem de que forma é que o João Távora deseja mudar. Em todos os países desenvolvidos, (a generalidade d)as infraestruturas ferroviárias pertencem ao Estado e a empresa que as gere é, portanto, pública.
É verdade, no entanto, que a linha de Cascais é totalmente desligada das restantes e poderia, portanto, ser privatizada.
Já corrigi, obrigado
ResponderEliminarJá corrigi. Obrigado, mas vai dar ao mesmo.
ResponderEliminarFoi privada até 1977, era da então chamada Sociedade Estoril. Integrou a CP nessa data e viu o serviço piorar acentuadamente, situação que ainda se mantém sem grande melhoria
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ResponderEliminarObrigado pela informação.
Já agora, porque passou para o Estado? Porque a Sociedade Estoril se quis desfazer dela, ou encerrá-la? Ou porque o Estado, por sua alta recreação, a decidiu nacionalizar?
Seria conveniente saber se essa linha poderia dar lucro se fosse privatizada, ou se pelo contrário nenhum privado estaria interessado nela.
Se é pelos transportes, lamento mas o desconforto tem décadas; digo décadas, no plural. Vivi por essas bandas durante algum tempo, há muito, muito tempo, pouco tempo, mas demasiado tempo. Foi o suficiente para até hoje rogar pragas a Cascais.
ResponderEliminarO mais engraçado é a conversa do comboio a ver o mar. Passado um tempo nem se olha. E à chegada e à partida? Pois com certeza, lá está a amiga Carris. Também pode vir e voltar de carro; basta andar de carro por Monsanto ao final da tarde para saber o inferno que aquilo é.
Sim sim, há muito tempo era a praia da família real, por ali andou o conde de Barcelona e o Rei Humberto de Itália, mas isso foi há muito tempo. Hoje é o que é.
O mais engraçado é ver esses suburbanos a "cuspirem" para cima dos outros: Cascais! Por mim é de fugir.
As greves recorrentes na CP ou IP não são "do ano passado". Muito menos a qualidade do serviço (e a Linha de Cascais era, de longe, a melhor do país em termos de assiduidade e pontualidade), a degradação das composições, e dos horários. Mas como não sai nas news...
ResponderEliminar"
"...que há oito anos nos aprisionam nesta vil miséria."
ResponderEliminarQuem lê até fica com a ideia que há nove ou dez anos, Portugal era só riqueza e o governo era um prodígio na sua distribuição.
Foi uma concessão por 50 anos, começada em 1926.
ResponderEliminarNão recordo o porquê de não ter sido renovada, mas em 1977 o PREC ainda estava perto e os privados eram olhados de esguelha, a CP tomou conta daquilo e lá ficou.
Não sei se seria rentável hoje
Como refiro no texto, a minha família é especialmente prejudicada. Mas não somos os mais prejudicados, porque somos privilegiados. Tenos alternativas em caso de emergência.
ResponderEliminarImagem antiga num jornal, alusiva ao Japão.
ResponderEliminarDevido a atraso ou atrasos do comboio numa estação,
os populares deitaram fogo à mesma.
Aqui na paróquia, as excelsas autoridades, podem dormir descansadas.
O mexilhão sofre e torna a sofrer? É lá com eles.
Em S. Bento, como em Belém, reina a paz celeste.
Fim de Regime, precisa-se.
o ps nunca teve menos de 1,5 milhões de votos. votantes acima dos 65 anos.
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ResponderEliminarMas esses eram liberachos de direita ao serviço do grande capital, não se pode esperar algo de poisitivo deles. Já o Governo patriótico de esquerda tinha obrigação moral e material de desenvolver e enriquecer o país.
Mas sim, este tipo de textos sobre greves em geral e comboios e particular, é de quem anda distrído. A CP é um caso de estudo... de há muito, muito tmpo atrás. Os que refilam da "qualidade" da Linha de Cascais deviam fazer um périplo pelo país rural, aí é que viam serviço ferroviário de excelência. Nem na Albânia do Dr. Cunhal aspirariam a tais níveis.
Privatizada a linha (estrutura) ou a exploração (comboios)?
ResponderEliminarNão esquecer que a linha pode estar desligada fisicamente da ferrovia (não que isso seja um real motivo), mas depende dos transportes da zona metropolitana, nomeadamente em bilhética.
Supostamente a linha iria sofrer obras para alterar a electrificação, única no país, como está isso?
ResponderEliminarviu o serviço piorar acentuadamente
Eu não circulo na linha de Cascais com frequência, longe disso. Mas parece-me que, afora o aspeto decrépito dos comboios, o serviço não é mau: circulam a horas.
Ou estarei errado?
ResponderEliminarEu tenho alguma experiência dos comboios regionais Coimbra-Aveiro e dos comboios suburbanos Porto-Aveiro. Não tenho nada de mal a assinalar, exceto a ausência de casas de banho nestes últimos. A pontualidade é total, exceto quando dão ligação a algum intercidades, que estes últimos é que têm tendência a atrasar-se.
ResponderEliminarPrivatizada a linha (estrutura) ou a exploração (comboios)?
Privatizar a linha, uma vez que, no caso a que este post diz respeito, os comboios não estão a funcionar regularmente devido a uma greve dos trabalhadores que tratam da linha.
Há muitas empresas privadas que compartilham a bilhética umas com as outras, ou com empresas públicas.
Nasci e morei na linha do Estoril e andei de comboio desde os meus 9 anos até aos 40. Desde os tempos iniciais em que os revisores já conheciam os passageiros e raramente pediam os passes ou bilhetes até épocas posteriores, nunca vi atrasos - salvo muito raros acidentes ou avarias - nem sujidade, bancos partidos ou grafitti.
ResponderEliminarEm frente da estação havia uma esplanada que eu frequentava com amigos nas férias e divertia-me a apostar com eles que entre as 14h14 e as 14h15 o meu pai entrava na gare para apanhar o comboio das 14h16. Nunca perdi nem nunca o comboio falhava o horário.
O meu pai tinha uma boa posição com automóvel e motorista da empresa mas preferia ir para o escritório e vir almoçar a casa de comboio e só utilizava o carro entre o Cais do Sodré e a empresa porque, como dizia e fazia, utilizava os 4x20 min. do percurso para ler de ponta a ponta o Diário de Notícias (incluindo os anúncios que, explicava, eram um bom barómetro da situação económica). Digo isto para ilustrar o facto de que se podia viajar sentado. Não havia carruagens à cunha excepto nos comboios de Domingos de Verão.
Eu nada tenho a apontar com excepção dos horarios serem péssimos (para quem trabalha e tem de cumprir horários) e da pontualidade ser religiosa (quando Deus quiser). A não ser que andar com 5-10 minutos de atraso seja pontualidade.
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ResponderEliminarO poder-se viajar sentado depende, basicamente, de haver muita ou pouca gente que viaja no comboio. Não é um parâmetro de qualidade de serviço. A CP não tem qualquer obrigação de aumentar o número de comboios num dia e numa hora em que, por qualquer motivo, a procura seja excecionalmente alta.
Eventualmente, no tempo de que o Fernando Antolin fala, ainda os terrenos à volta da linha estariam pouco urbanizados...
nunca vi atrasos
Para mim, qualidade de serviço é, principalmente e acima de tudo, isto: não haver atrasos.
ResponderEliminarUsei diariamente a Linha de Cascais cerca de uma década, a partir de finais de 90, embora utilizasse no sentido contrário ao da maioria (que de manhã entra em Lisboa a partir da Linha, e à tarde faz o caminho oposto).
Nunca tive razões de queixa, para lá das greves ou acidentes. Apanhei uma reorganização de horários (que aparentemente foi estudada, tendo também por base uns inquéritos, e não mandada à base da fezada) que melhorou pelo menos a minha vida...
à pinha era conforme, no Verão muita malta (jovem) vinha do outro lado ou de Lisboa para as praias, e enchiam o comboio, havia horários em que realmente ia tudo atafulhado (mas quem mamava a bucha do Metro, aquilo era piners). Mas isso também tem a ver com a quantidade de pessoas que foram migrando para fora de Lisboa e trabalhem lá. Impossível a CP dar resposta em termos de conforto quando o número de pessoas aumenta desmesuradamente. E basicamente, todos a cumprirem o mesmo horário, escolar ou laboral (outra eterna promessa...).
PS: fiz um ano Paço d'Arcos - Lisboa, e nºao era comparável a viagem de comboio a uma de carro na Marginal. Só maluquinhos...
Também andei ao contrário (trabalhava em Cascais) quase uns vinte anos antes. Como deve ser muito mais novo do que eu e falou em todos terem os mesmos horários conto-lhe que nos ominosos tempos da feroz ditadura salazarista, os operários e pessoal de manutenção entrava às 8 da manhã, as aulas iniciavam-se às 9 e o comércio não hoteleiro e não alimentar, abria às 10. Assim o mesmo autocarro da Carris servia os três sectores.
ResponderEliminarE, a "olhómetro", os comboios que vejo passar, circulam a um terço da velocidade a que circulavam no meu tempo. Isso reduz fortemente a capacidade.