domingo, 26 de julho de 2026

Os alunos prejudicados

"Como todos sabem, no regime português de acesso ao ensino superior, a regra é que a grande maioria das vagas é disponibilizada na 1.ª fase do concurso nacional. As vagas da 2.ª e da 3.ª fases correspondem, em regra, às que sobraram ou resultaram de desistências, sendo normalmente em número bastante inferior. 

Assim, um aluno que, por motivos alheios à sua vontade, apenas possa realizar o exame numa época especial ou excecional pode ficar objetivamente prejudicado, mesmo obtendo uma classificação que lhe permitiria ter ingressado na 1.ª fase se tivesse realizado o exame na data inicialmente prevista".

O senhor que não sei quem é, escreveu este texto, que me pareceu razoável para perguntar: afinal qual é o prejuízo para os alunos com os erros do processo de transição para uma classificação digital.

Todos os alunos fizeram a primeira fase na altura devida (há uma minoria de excepções), haverá 300 alunos cujos exames têm de ser reconstituídos porque, ao olharem para o seu PDF, verificaram que não correspondia ao exame que tinham feito.

Note-se que a possibilidade de ver o PDF é nova e decorre da alteração do processo para o digital, antes este tipo de coisas aconteciam (provavelmente em menor escala, é impossível saber), o aluno tinha de pedir para ver o seu exame, em fotocópias e etc., mas deixemos isso.

Porque o novo processo de classificação é digital, nalguns dias, poucos, os exames estarão reconstituídos e o aluno terá a sua classificação (uma das alterações motivadas pelo piloto de filosofia prende-se com o processo de digitalização, que antes era feito em vários sítios e que desta vez foi centralizado, facilitando a correcção deste tipo de erros).

Quando recebe a classificação, o aluno tem 48 horas para apresentar um pedido de reapreciação, como qualquer outro aluno e, depois da decisão de reapreciação, tem três dias para se inscrever, independentemente dos prazos de inscrição terem acabado ou não, ou seja, não vejo onde esteja o prejuízo.

Questão diferente é se da classificação resulta a vontade de ir à segunda fase.

Aí o governo entendeu que havia prejuízo se os exames da segunda fase tivessem ocorrido, e criou uma terceira oportunidade, numa época especial (também por outras razões, com certeza, a perturbação entre a primeira e a segunda fase pode ter implicações no desempenho dos alunos na segunda fase).

Logo, não vejo prejuízo objectivo para o aluno (talvez alguma vantagem por ter tempo adicional de estudo e experiência das duas fases anteriores, mas não me parece muito relevante).

Assim sendo, para além da metafísica do stress e angústia, alguém me explica como pode haver prejuízo objectivo para alunos com os atrasos e problemas decorrentes das coisas terem corrido mal?

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