segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Bacalhau a pataco

Ventura começou por explorar o mercado eleitoral do ressentimento, pescando nos desiludidos dos partidos existentes, na abstenção e nos reaccionários do PC.


Com isso conseguiu um deputado e a atenção das pessoas.


Ao contrário do PNR, do Ergue-te!, do POUS, do MRPP e de outros partidos marginais, Ventura nunca quis convencer as pessoas de que aquilo que propunha era o melhor para todos, o que sempre quis foi perceber o que as pessoas pensavam para lhes propor qualquer coisa que respondesse a isso.


A partir do deputado único e da atenção que as pessoas lhe dedicavam, Ventura partiu à procura do eleitorado mais ou menos conservador e de direita que achava os partidos incumbentes, em especial o PSD, muito moles e incapazes de se opor ao polvo socialista.


Com isso conseguiu um grupo parlamentar (é um erro considerar esse grupo parlamentar como um grupo de arruaceiros, tem arruaceiros, sim, mas tem gente com cabeça) e mais atenção das pessoas.


Esgotados os primeiros mercados eleitorais (o do ressentimento e o dos que não vêem saída com os partidos que se opõem ao polvo socialista), parece-me que neste fim de semana Ventura partiu à pesca do mercado mais suculento e maior, o mercado dos que acreditam em promessas de bacalhau a pataco feitas por políticos em campanha.


Ventura tem razão, se ao fim deste tempo todo o PS ainda é o partido preferido do eleitorado que vota, isso só pode dizer que o mercado dos que acreditam em promessas assinadas em papel molhado é um mercado não só maioritário, como facilmente acessível por quem saiba escolher as promessas que as pessoas querem ouvir.


Por isso Ventura foi substituindo o mais que liberal programa económico com que começou o Chega, pelo que resolveu apresentar nestes dias, um programa muito PS. No essencial, Ventura apareceu a dizer que economicamente queria fazer o mesmo que o PS, mas sem corrupção e nepotismo.


Ventura não é um político de extrema-direita, Ventura, pelo contrário, tem tanto respeito pelos votos, que faz, em cada momento, o que for preciso, seja o que for, para os captar e garantir.


Nesse sentido, André Ventura é o político no activo mais semelhante a António Costa.


Talvez por isso, o PS esteja finalmente preocupado com a hipótese de Ventura, depois de ter absorvido todo o eleitorado do PSD que conseguiria absorver, se ter virado para o eleitorado do PS, que é onde está o maior potencial de crescimento do Chega, neste momento.

18 comentários:

  1. E será que o eleitorado do PS é assim tão estúpido como o do PSD?
    Só pela linguagem se vê quem é quem. 

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  2. Ventura, a tal "criação" do Passos (não fosse ele o culpado...), que poucos conheciam até se meter nos programas da bola. Aí sim o homem ficou conhecido de tudo e todos, ganhando popularidade e mediatismo.
    O homem diz tudo e o seu contrário para ganhar votos. Não é diferente da maioria dos parlamentares.
    Os votantes PS... não acho que sejam totós que acreditam nas tangas, existem os clubistas, e existem aqueles que têm medo de mudar, ainda não acreditam no Tiririca. O PS mal ou bem  distribui os cabazes, dá umas esmolas, sempre bem num país católico, faz uns truques de magia de tira de um lado e mete no outro, sempre nos vai calhando algum.

    Feliz ou infelizmente, o PSD da última vez que esteve no poder "roubou o 13º mês" (atenção às aspas, camaradas wokes), pelo que tão cedo não metem o rabo no poleiro.

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  3. Leitura correcta do estado dos votos (e dos partidos) da Nação!
    A confrangedora direcção do PSD, partido com o qual mais me identifico, leva-me conscientemente e em protesto a pensar em votar Chega.
    A classe política europeia que nas ultimas décadas tem dividido entre si a gamela dos biliões aburgesou-se de tal maneira que permite o crescimento de tudo o que os países não precisam.
    Populismo, xenofobia e outras maleitas.

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  4. O Chega é um partido que vai conseguir mais votos, senão, veja-se: é dos poucos que tem apresentado algumas medidas, se são exequiveis ou não, isso são outros 500, como se costuma dizer, mas pelo menos apresenta algo. Bate-se pelos votos, enquanto que os outros partidos continuam a ignorar esta ascensão..

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  5. (https://fr.scribd.com/document/498232760/Pourquoi-les-pauvres-votent-a-droite-by-Thomas-Frank-z-lib-org)



    'o que faz falta é continuar a enganar a malta!'
    ou
    'pataca a mim, pataca a ti, a mim pataca' ou a árvore das patacas do jardim botânico dos amigos do alheio.
    ganha novamente a ABSTENÇÃO.
    votar Chega é tirar deputados ao ps da corrupção  

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  6. Posso estar enganado, e muito, mas creio que o "wokismo"  (  benzido em Diário da República...)  dará um sério contributo para o aumento de votos neste Partiido.
    Juromenha

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  7. Todos os partidos têm apresentado propostas e todos os partidos se batem pelos votos (excepto talvez o PCP).

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  8. NInguém da classe política se vai realmente preocupar até o Chega, ou "um" Chega ir caçar votos a sério aos abstencionistas.

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  9. O wokismo já cá chegou. Ao de leve na sensibilidade da leitura e na protecção à malta fluida (embora a crescer, a crescer), mas noutros aspectos tem firme implantação, em especial nas redes.
    Grupos fortemente religiosos, que desprezam a tolerãncia e baseiam toda a sua ideologia na fé e na crença pessoal. Perfeito para vendedores de banha da cobra, desde que estes digam o que eles já sabem e portanto querem ouvir.

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  10. “Propôr” e “opôr” não levam acentos. “Pôr” leva mas todos os derivados não (supor, depor, impor, etc).

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  11. Obrigado, já corrigi antes que qualquer dos meus irmãos me viesse moer a cabeça a dizer que estão fartos de repetir o mesmo.
    Felizmente acho que nenhum deles lê o que eu escrevo.

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  12. Quem são os «arruaceiros» no grupo parlamentar do Chega? 


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  13. Quem vota no Partido Chega (CH) são os mesmos que votam nos restantes partidos liberais/maçónicos (PS, CDS, PCP, BE, IL, L, PAN, PSD, ADN)

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  14. O Partido Chega (CH) é uma fraude, uma tentativa desesperada de manter o ilegítimo, criminoso, corrupto, e anti-democrático regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974 e o sistema político-constitucional ainda vigente.

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  15. Nos acentos não há grande mal em pôr uns extra, fica para guia dos perplexos e dá um estilo rebelde.


    As vírgulas extra é que são mais problemáticas, como no caso do panda "eats, shoots, and leaves" e das leis onde (alegadamente) são pagas por fora 

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  16. O Chega vai no minimo duplicar em relação às últimas legislativas só com base no voto de protesto (mesmo sem necessidade  de fazer propostas).

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  17. João Pedro Forjaz Secca19 de janeiro de 2024 às 12:20

    Igualmente estúpido, sem margem para dúvidas.

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  18. Por acaso, uma coisa boa que os espertos têm é que nunca têm dúvidas. 

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