domingo, 14 de janeiro de 2024

A espiral recessiva e os mediadores

No meu último post citei isto como exemplo do viés da imprensa sobre o tempo da troica: ""No entanto, 2013 foi, ainda assim, um ano muito duro para a actividade económica. A recessão de 1,4% só foi ultrapassada por três vezes desde 1960, quando começa a série do INE. Apenas foi mais negativo logo a seguir à Revolução, em 1975 (-5,1%), em 2009 (-2,9%) e em 2012 (-3,2%)".


Qual é a questão deste parágrafo tão informativo e, aparentemente, tão factual?


É que, na verdade, esconde o essencial da informação relevante: o défice de 2013 era mais pequeno que o de 2012 e, como a mesma notícia dizia no parágrafo anterior "Um resultado conseguido através de um quarto trimestre muito positivo, que registou o primeiro crescimento homólogo desde o início de 2011".


O viés era mesmo acentuado no título da notícia: "2013 foi o quarto pior ano para a economia desde 1960".


Quem andou com atenção no tempo da troica lembrar-se-á do debate central sobre a execução do programa que o Partido Socialista acordou com os credores, mas mesmo assim vou tentar resumir.


Sobre o endividamento do Estado há duas perspectivas opostas, que ainda hoje persistem.


A que defende que é preciso manter contas públicas saudáveis que permitam responder a choques negativos de forma a evitar grandes custos sociais, o que pode significar sacrificar algum conforto neste momento para ter margem de resposta no futuro, e isso obtêm-se restringindo o crescimento da dívida pública.


A que defende que a restrição ao investimento, incluindo o investimento público, é que determina a evolução da economia, pelo que as restrições ao endividamento público contribuem para um aumento do endividamento público, por restrição ao crescimento da economia (quem quiser ouvir a versão actualizada e amenizada desta ideia, é ouvir Pedro Nuno Santos na entrevista do congresso do partido que foi feita por Nelma Serpa Pinto). Quem preferir a versão contemporânea e trauliteira, pode ler, por exemplo, isto.


Esta segunda perspectiva foi sintetisada, no tempo da troica, pela ideia de uma espiral recessiva: o programa de ajustamento ia ter um efeito recessivo, esse efeito recessivo ia destruir emprego e paralisar a economia, o PIB iria descer e as despesas sociais do Estado iam aumentar, logo, o défice ia aumentar e seria necessário aumentar as medidas "austeritárias" (como se dizia na altura), gerando mais perda social.


Uma ideia aproximada já tinha estado na base da resposta da União Europeia à crise das dívidas soberanas, e depois do Euro, razão pela qual, nessa altura, a União Europeia resolveu responder com despesa pública ao destruição de capital que vinha a ocorrer desde a falência do Lehman Brothers.


No entanto, a União Europeia teve o cuidado de chamar a atenção para o facto dessa resposta dever ter em atenção a capacidade de endividamento do Estado que, no caso português, estava muito diminuída pela ideia de que o Euro nos protegia dos credores, portanto o endividamento do Estado tinha deixado de ser um problema relevante.


Sócrates, esmagadoramente apoiado pelo PS, abraçou a ideia com convicção, por razões eleitorais, e gastou sem qualquer consideração pela capacidade de solvabilidade do Estado e sem consideração pela erosão de credibilidade do Estado português no mercado financeiro.


Rapidamente a situação se descontrolou, com os juros a subir todos os dias e o Estado a aumentar o endividamento que estava na base da degradação da confiança dos investidores na dívida portuguesa, e depois das eleições de 2009 (em que o PS perdeu a maioria absoluta), o governo minoritário do PS fez o PEC I, PEC II, PEC III e, quando chegou ao PEC IV (Programa de Estabilidade e Crescimento, convém lembrar o nome por extenso), Sócrates fez exactamente o mesmo que António Costa fez agora: obrigou a uma votação que sabia que iria perder e pediu a demissão, por decisão própria, sem ser obrigado a isso.


A razão para Sócrates e António Costa terem usado exactamente o mesmo esquema para se porem ao fresco de uma situação pantanosa tem raiz no que viram acontecer a Guterres, que teve a hombridade de pedir a demissão dizendo explicitamente que não conseguia resolver os problemas que o seu governo e partido tinham criado, o que o fez passar por um deserto político e uma solidão que foi resolvendo com uma carreira na burocracia internacional, a custo (com bastante êxito pessoal, diga-se).


O esquema é politicamente racional: escolher o tempo da decisão, em política, é o mesmo que escolher o campo de batalha na guerra clássica, uma vantagem formidável.


Pedir a demissão, como Guterres demonstrou, tem um custo político que se aproxima do custo social da traição, portanto Sócrates e António Costa têm o cuidado de pedir a demissão, a que não eram obrigados e que escolheram fazer livremente, usando pretextos politicamente sustentáveis, de forma a que pudessem responsabilizar politicamente terceiros.


E é este o contexto da discussão quando entra a troica: o PS gasta dinheiro que o país não tem como pagar, isso mina a confiança dos investidores fazendo disparar os juros, o país não tem como se financiar no mercado aberto e pede a um conjunto de instituições que lhe garanta dinheiro para as despesas mais imediatas, como forma de evitar o flagelo social e económico que resultaria da suspensão de pagamentos do Estado português.


Os credores institucionais acedem a emprestar dinheiro, mas negoceiam com o governo do PS um programa de ajustamento financeiro que permita recuperar a confiança dos investidores (já agora, programa esse que segue de perto o PEC IV livremente definido pelo PS, na substância, afastando-se dele nos mecanismos de verificação e garantia de cumprimento, que os credores já estavam fartinhos de saber do que a casa gastava).


Todos sabiam que esse programa de ajustamento teria um efeito recessivo inevitável, uns achavam que esse efeito recessivo era o efeito secundário de um remédio imprescindível, que passaria com o tempo, outros achavam que o remédio mataria o doente através de uma espiral recessiva.


E é aqui que voltamos aos mediadores.


A esmagadora maioria do jornalismo comprou a tese da espiral recessiva e, a partir daí, empenhou-se em demonstrar que era isso que estava a acontecer.


Se se procurar no google "prepara segundo resgate" facilmente se encontram notícias em todos os orgãos de comunicação social, entre Junho e Outubro, pelo menos, de 2013, que garantem que estava em preparação um segundo resgate.


Claro que também aparecem notícias em que o Governo desmente essas notícias, mas as notícias sobre o segundo resgate são afirmações dos jornalistas (os mediadores), feitas com base em fontes anónimas e zero evidência, e as declarações do governo são declarações de parte interessada, portanto necessariamente menos credíveis, em tese.


Ora o défice de 2013, apoiado num crescimento sólido do PIB no seu quarto trimestre, é a primeira demonstração clara de que os teóricos da espiral recessiva - toda a esquerda e todo o jornalismo, perdoem-me o pleonasmo - estavam enganados e de que o programa de ajustameno estava a ter êxito, começando a ultrapassar o inevitável efeito recessivo de curto prazo.


A derrota total e esmagadora da treta da espiral recessiva nunca foi evidenciada pelos mediadores, como se vê pelas citações com que começo este post, pelo contrário, continuaram a insistir na tese dos efeitos sociais negativos da governação de Passos Coelho como resultado de uma vontade sua de castigar os portugueses, o que permitiu à esquerda justificar moralmente a geringonça quando, apesar de todo o esforço dos mediadores, Passos Coelho ganhou as eleições de 2015.


Aliás, ainda hoje subsiste a tese de que os portugueses não perdoam a Passos Coelho o mal que lhes fez, mesmo que as eleições de 2015 tenham demonstrado, de forma clara, que essa é uma ideia sem base empírica factual.


E aqui chegados, a questão de fundo destes meus últimos posts mantém-se: qual é o valor acrescentado que estes mediadores trazem à circulação aberta de informação a que as pessoas têm acesso directo?


Se não trazem valor, por que raio esperam que as pessoas normais paguem esse trabalho a que não reconhecem valor?


E, por fim, como é que querem que alguém acredite que um trabalho de mediação feito como descrevi é fundamental para a saúde da Democracia?

23 comentários:

  1. «faz obras públicas quem não sabe criar riqueza»  


    atribuída a 

    ResponderEliminar
  2. Pois se calhar foi por causa dos mediadores que no tempo de Passos Coelho os ricos ficaram mais ricos e os pobres ficaram mais pobres. 
    No Gonçalvismo foi um dia de borla para a Nação, o garganeiro do Passos Coelho tinha de ser o mês inteiro.
    Grande gestor, sim senhor.

    ResponderEliminar
  3. Com certeza não foi por causa dos mediadores que isso aconteceu, mas foi por causa dos mediadores que ficou convencido dessa mentira "O pico da evolução do índice de Gini, desde 1995, em Portugal, foi atingido com o valor de 38,1 pontos em 2004, descendo depois até aos 34,2 em 2010, quando rebentou a crise da dívida soberana, mantendo valores semelhantes nos anos seguintes, até 2015, ano em que iniciou uma nova tendência de descida."
    Se tiver dúvidas, vá ver os dados à Pordata, não vá procurar confirmações de mediadores porque esses eu já sei o que dizem, e dizem mal.

    ResponderEliminar
  4. Torturem os números que eles confessam. 
    Bem pode tentar fazer a lavagem do tempo do Passos Coelho, não se esqueça é de uma coisa, eu fui atingido pelas medidas estúpidas de Victor Gaspar. Não necessitava de ir além da troika, não necessitava de aplicar as medidas em dobro. Bastava seguir o programa de ajustamento. Quis fazer experiências, só teve o que merecia. Como diz o Alberto João Jardim, Passos Coelho quando mexeu nas reformas cometeu um genocídio social. 

    ResponderEliminar
  5. Os "investidores" que precisam de "ajustamentos " (por falar em novilingua...) para aumentarem a sua "confiança " são os mesmos que nunca desconfiaram do Lehman Brothers ou do BES.
    Tenho de aprender a hablar economês

    ResponderEliminar
  6. Não se esforce a repetir baboseiras do Alberto João Jardim, basta-lhe apresentar outros números, se estes estão torturados (perceberá, com certeza o ridículo de dizer que os números da Pordata são torturados, não é?).

    ResponderEliminar
  7. Os que nunca desconfiaram disso devem ser os que perderam o dinheiro, eu falo dos outros, os que ainda tinham dinheiro para emprestar ao Estado português.

    ResponderEliminar
  8. Claro, claro, é sempre tudo apanhado de surpresa quando uma grande financeira dá o traque mestre. É tudo uma questão de ciência. Portugal e Grécia precisam de ajustamentos (para alguém que se queixa da linguagem eufemística dos mediadores), já o big banka está sempre tudo na boa, é continuar com rating a+++ e a meter guito.
    Por falar nisso, o Portugal do Costa tem alta credibilidade nas agências de rating internacional, algo não faz sentido sendo o homem um aldrabão rodeado de aldrabões. Deve ter lá um exército de mediadores nas Moodys

    ResponderEliminar
  9. O Carlos Sousa foi atingido? Eh lá,  temos mártir. 
    Coincidência ou não, houve FP a não receberem no dia nas vésperas do traque da troika. Algo que para eles (fazia bem uma época no privado, que lá é que é bom e não se sofre) era inédito. Faltou o senhor carregar no botão "pay", que dinheiro havia de certeza.

    ResponderEliminar
  10. Portanto, no mundo em que vive, os accionistas do BES ou do BANIF têm hoje o mesmo ou mais dinheiro do que tinham antes, é isso?

    ResponderEliminar
  11. Não são os números da pordata que estão torturados, a forma de apresentar os números é que é enganosa, você percebeu.
    Isto é o mesmo que dizer que há uma maioria absoluta quando há 50% de abstenção. 
    Manipulação pura e dura.

    ResponderEliminar
  12. Há cegos que não querem ver, e este Ccarlos Sousa é um deles. Podemos meter-lhe as coisas pelos olhos dentro que ele fecha-os com toda a força que tem.
    Eu digo que ele é cego, mas há quem defenda que ele fala assim porque tem a barriga cheia, ou seja, porque é um dos que mamam no orçamento do Estado, e mama muito. Vítima do Gaspar é que não cola com a sua militância pró PS. 

    ResponderEliminar
  13. Claro, foi exactamente assim como tudo se passou. E provavelmente como tudo se tornará a passar. Afinal o mesmo sistema de escolha eleitoral -votar em irresponsabilizáveis sacos de candidatos a deputados- as mesmas circunstâncias, os mesmo actores, a resultante será a mesma. Nada que preocupe o clubismo dos fanáticos.    

    ResponderEliminar
  14. Portanto, e citando o Hps, não interprete coisas que eu nao escrevi. Mania de ser balio com os outros quando a conversa não lhe interessa.

    ResponderEliminar
  15. Qual forma de apresentar os números?
    Apresente lá os números que quiser, da forma que quiser, para demonstrar essa patetice dos ricos terem ficado mais ricos e os pobres mais pobres.

    ResponderEliminar
  16. Por falar em números e imprensa. O noticiário do almoço da Sic disse que 23.009, “1 em cada 10 habitantes de Gaza” (cito) tinha morrido e que havia (cito) “dois milhões de deslocados”. Ao pé destes animais o tipo do PS que aqui escreve é um Einstein. 

    ResponderEliminar
  17. "Américo Amorim duplica fortuna e volta a ser o mais rico de Portugal em 2013. O ranking da revista Exame mostra que as 25 maiores fortunas valorizaram-se 16 por cento. "


    O que vale é que agora a internet tem tudo e mais não sei quê. Eu acho que também guardei a revista, é só uma questão de procurar.

    ResponderEliminar
  18. Talvez possas nos dizer o que aconteceu aos accionistas do Lehman e do BES...

    ResponderEliminar
  19. Para que é que as pessoas querem jornalismo?


    Esta é a pergunta que qualquer jornalista deveria fazer. 
    Mas não fazem. Não fazem porque não foram para a profissão para informar.
    Não foram para fazer jornalismo.  Foram para evangelizar.


    Se o jornalismo Português prestasse nunca teríamos chegado à bancarrota  de Portugal pelo Governo do Partido Socialista em 2010. Porque esse jornalismo teria mostrado aos portugueses o futuro. 


    A razão para as pessoas consumirem jornalismo é para estarem melhor equipadas para lidar com o futuro. 


    Nenhum jornal português acompanha assunto militares, nenhum jornal português acompanha assuntos de energia, nenhum jornal português acompanha assuntos de transporte, matérias primas,industriais, etc etc
    Como nenhum desses assuntos e muito outros fundamentais para o futuro não ajudam o jornalista a evangelizar nem são assuntos que lhe interessa. Para a estreita via dos interesses do jornalista português bastam 2 TV's e quase nem jornais físicos ou digitais são precisos.


    Até apetece gozar com os que defendem a TSF, JN, DN a dizer que se querem pluralismo - na verdade querem coro - entreguem-nos ao Chega.

    ResponderEliminar
  20. Obrigado pela demonstração do que eu disse.
    Não conseguiu encontrar números objectivos em informação primária e resolveu ir buscar notícias de jornais, as tais que são feitas pelos  mediadores que o convencem a si das parvoíces em que quer acreditar.
    Em primeiro lugar, está apenas a comparar 2012 com 2013, portanto não serve como demonstração de que no tempo de Passos Coelho os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres, porque quase toda a gente ficou mais rica em 2013 que em 2012, visto que se trata de comparar o primeiro ano em que começa a recuperação (o último trimestre de 2013) com o pior ano da recessão provocada pelo PS.
    Em segundo lugar, este aspecto é muito acentuado na valorização de acções, exactamente porque o preço das acções reflecte a opinião dos investidores sobre o futuro e com "A subida em flecha do preço das ações que detém na Galp Energia, no Banco Popular e na Corticeira Amorim permitiram-lhe duplicar a fortuna" é fácil aumentar a riqueza calculada de uma pessoa, embora isso tenha um significado limitado porque só seria verdade se nesse momento vendesse todas as acções, até esse momento as acções são apenas papel (por exemplo, na última sexta feira, a Jerónimo Martins perdeu mil milhões de capitalização bolsista, ou seja Pedro Soares dos Santos ficou muito mais pobre, mas isso não passa de uma ilusão, evidentemente).
    Em terceiro lugar, ainda que fosse realmente assim como diz e isso tivesse significado, os números de que fala não dizem nada sobre a evolução dos mais pobres.
    Voltando ao princípio, deixe-se lá de notícias de imprensa fabricadas pelos mediadores que pretendiam demonstrar as suas ideias e traga números fiáveis de informação de base, como eu fiz. 

    ResponderEliminar




  21. Talvez. Houve bastantes cortes nos salários da função pública, e algumas mudanças (necessárias) mas implementadas de forma atabalhoada. E como em Portugal há o mau hábito de depender do Estado para pagar as necessidades básicas, isto foi danoso para Passos Coelho.



    Por isso o mais correcto seria dizer que "portugueses que votam não perdoam o a Passos Coelho o mal que lhes fez".



    Aqui o Jorge Fernandes, diz essencialmente o mesmo:

    https://observador.pt/opiniao/porque-e-que-o-ps-ainda-vence/

    ResponderEliminar
  22. Comentário tardio, mas só hoje tive tempo para ir reavivar a memória. Deixo-lhe dois links sobre o binómio austeridade/expansionismo, o primeiro de 2013 referente a um artigo da autoria de um professor de Harvard, colega dos famosos Ken Rogoff, Carmen Reinhart e Alberto Alesina, os quais estão na génese daquilo que foi erradamente interpretado como a demonstração de que a austeridade é expansiva, e o segundo de 2019 que comenta e analisa um livro de Alesina et al.


    Às minhas conclusões já eu cheguei há muito tempo - desde o velho Samuelson, em edição da Gulbenkian - e não irei deter-me em longas explicações que, muito provavelmente, não surtiriam qualquer efeito, tanto mais que não sou especialista no assunto. Mesmo assim, e a realidade demonstra-o, atrevo-me a afirmar que apenas ajustamentos cambiais, ou similares, são expansivos - algo que os aderentes ao Euro e nomeadamente os PIGS estão impedidos de fazer.


    "On Whose Research is the Case for Austerity Mistakenly Based?"
    https://www.project-syndicate.org/blog/on-whose-research-is-the-case-for-austerity-mistakenly-based


    "The Crash of Austerity Economics"
    https://prospect.org/culture/books/the-crash-of-austerity-economics/



    PS - “Precisely the same effects as those produced by a devaluation of sterling by a given percentage could be brought about by a tariff of the same percentage on all imports together with an equal subsidy on all exports, except that this measure would leave sterling international obligations unchanged”. (JM Keynes, 1931)

     


     

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...