Um amigo e colega meu, cujo trabalho conheço e prezo, dizia que era com factos que se desmonta um aldrabão, remetendo para um artigo de Miguel Prata Roque que desmontaria as mentiras de André Ventura sobre os milhões que se gastam com a ideologia de género, ou coisa que o valha.
Até aqui, nada de especial, um assunto de lana caprina com interesse marginal.
O mais curioso aparece depois nos comentários a esta pequena nota, com a insistência no gravíssimo problema da normalização do Chega e das mentiras do Chega.
Devo dizer que não sei o que é isso da normalização de um partido, para além da avaliação do tribunal constitucional que avalia e proíbe, ou não, um partido (com a minha discordância, eu acho que todos os partidos, desde que cumpridas regras de transparência processual, deveriam ser autorizados, fossem eles fascistas, nazis, comunistas ou qualquer outra coisa que defenda políticas e ideologias anti-democráticas, essa é a superioridade da democracia, não ter medo das palavras e das ideias, e concentrar-se na garantia processual que assegura que os actos se mantêm dentro do que permite o combate político aberto e livre).
O que não me agrade é a normalização de ter pessoas como Miguel Prata Roque a ser tratados pelos jornais como se não fossem o que são, a voz do dono.
Se existem partidos, se existe o governo permanentemente a defender as suas opiniões e políticas no espaço público, para que servem comentadores redundantes nos jornais e televisões, em detrimento de pessoas livres?
Tomemos este exemplo de Miguel Prata Roque, muito preocupado com as aldrabices de Ventura (como se alguém ligasse alguma coisa ao que diz Ventura quer em matéria de ideologia de género, quer em matéria de gestão de finanças públicas, ao ponto de tomar o que diz pelo seu valor facial).
No fim de semana anterior, Pedro Nuno Santos afirmou taxativamente do palanque do congresso do PS, na sua qualidade de novo secretário-geral do PS, ou seja, numa declaração formal inequívoca e preparada: "Foi um capítulo escrito em oito anos, dividido em três Governos. O primeiro que, durante quatro anos, garantiu ... a credibilidade internacional, ao retirar Portugal da zona de risco do Procedimento por Défices Excessivos para onde a direita nos tinha conduzido".
Esta declaração, preparada e absolutamente formal, é simplesmente falsa.
Não sei se Pedro Nuno Santos mente deliberadamente ou não, se fosse António Costa eu saberia que Costa estaria a mentir com quantos dentes tem na boca (embora duvido que alguma vez dissesse uma patetice destas, Costa mente bastante bem, não costuma ser tão primário).
Eu espero que Pedro Nuno Santos estivesse mesmo a mentir porque acho muito mais perigoso ele acreditar no que disse, o que significaria que não tem a menor preparação para o cargo que pretende exercer e a mais absoluta incapacidade para reconhecer a realidade, que ser um político aldrabão e cínico, como Costa, sem perder a noção da realidade.
Esta mentira, do tamanho da catedral de Burgos e politicamente muito mais relevante que as tretas de André Ventura sobre ideologia de género, nunca levaria Miguel Prata Roque a escrever um artigo de demonstração da sua falsidade, porque Miguel Prata Roque, como a generalidade dos apoiantes do sector político que nos governa há quase trinta anos, com curtos intervalos, há muito que aceita e promove a normalização das narrativas que servem para ganhar votos, em detrimento do debate informado.
Quer seja um inconsciente, quer seja um cínico, só é possível que Pedro Nuno Santos tenha escolhido fazer a afirmação que fez porque o ambiente mediático normalizou a treta da responsabilização de Passos Coelho pela austeridade.
André Ventura apenas cavalga a normalização da treta que foi promovida e continua a ser normalizada por gente como Miguel Prata Roque, um mero peão irrelevante, e toda a gente associada a este grupo que nos governa há trinta anos.
Se alguém criou condições para que André Ventura diga o que quiser, sem grande custo político se for mentira, foi o ambiente político e mediático, esmagadoramente dominante, que elevou as narrativas ao mesmo estatuto da procura da verdade e objectividade.
Agora aturem-nos.
Está muito enganado . Há imensos eleitores que ligam ao que Ventura diz em relação à ideologia de género que não é mais que a tentativa da extrema esquerda em normalizar e promover tudo a seita lgbtq e afins da sopinha de letras. Durante anos a direita achava que a política era só a economia e como tal a esquerda dominou e controlou o discurso para além da economia , na imprensa na escola na faculdade etc. Finalmente alguem levanta a voz contra a propaganda da seita e diz alto : deixem as crianças em paz . Desengane-se se pensa que a educação e orientação das crianças em idade escolar não é importante.
ResponderEliminarSugiro que exercite um bocadinho mais a leitura para notar que eu escrevi "pelo seu valor facial".
ResponderEliminarO que não falta é gente a protestar com a ideologia de género, muito antes de Ventura (começando pelo vasto grupo social do conservadorismo militantemente católico), o que essas pessoas não fazem é usar tretas, como os supostos milhões gastos com isso.
Com mais milhões ou menos milhões é abjecto e sinistro meter ideologia(seja qual for,mas pior sendo sobre a matéria em questão) na vida de crianças. A autora do seguinte blog não é católica(só para que fique claro) pois como disse há muita gente a denunciar tal insanidade, incluindo obviamente pessoas habilitadas no assunto
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ResponderEliminarpara que servem comentadores redundantes nos jornais e televisões, em detrimento de pessoas livres?
Mas os jornais, incluindo -- creio eu -- aqueles que o Henrique Pereira dos Santos regularmente compra, são atualmente sobretudo espaço de comentadores!
Atualmente, nalguns jornais online até acontece o seguinte: as notícias são gratuitas, mas os comentários são pagos! De onde se deduz que os comentários são aquilo que dá valor ao jornal, não as notícias...
Eu diria que, se o Henrique Pereira dos Santos acha que os comentadores são desnecessários, então não deveria assinar jornais...
Que é feito das sondagens? Foram de férias? estamos a menos de dois meses das eleições e nada. Bem sei que valem o que valem, mas sempre entretinham. Ou o Ventura fez-lhes alguma castração química?
ResponderEliminarperante tanto ALDRABÃO prefiro referir quem não se enquadra no esquema.
ResponderEliminar'a aldrabice continua!'
desenquadrado:
trabalhador com gosto, persistente, sem poupanças nem dívidas, atualizado quanto possível ...
Agradeço as tuas indicações sobre o que devo fazer da minha vida, e para mostrar o meu reconhecimento por essa tua actividade, faço-te eu também uma recomendação sobre a tua vida: não uses essa técnica de deturpar o que lês para justificares os teus argumentos.
ResponderEliminarFica-te mal, diz mais sobre ti que sobre os outros e, além disso, de tão primária, é mais contraproducente que útil, e nem sequer tem graça, raramente a estupidez tem graça, aliás.
ResponderEliminarCostumo ler e ouvir que não devo, devemos, normalizar o Chega.
Limito-me a não ligar demasiado ao que dizem, e a não votar neles. Ao que parece não chega, passe o pleonasmo. À falta de ser ilegal, que seria o "desejável", a resposta será mesmo não os deixar falar... a coisa de se não calarmos o nazi somos tão nazi quanto ele.
Se formos a entrar na ideologia de desmontar mentiras, acho que não sobra partido inteiro ou político com "credibilidade".
(confesso que adoro a novilíngua digital-woke)
Uma coisa é certa, o PS garantiu a Portugal a "credibilidade" nos "mercados", o que diz bem de como estes científicos índices de confiança são calculados.
ResponderEliminarAtualmente, nalguns jornais online até acontece o seguinte: as notícias são gratuitas, mas os comentários são pagos!
Isso é porque as notícias nada mais são que copia-cola de agências noticiosas como Lusa ou Reuters. Eles sabem que tanto dá ler lá como na fonte. Os comentários e artigos de opinião são à partida conteúdo exclusivo.
ResponderEliminarLonge de mim pretender indicar o que o Henrique deve fazer com a sua vida, em particular sobre se deve assinar (e ler) jornais ou não.
Agora, o que me espanta é que o Henrique assine jornais para ler os artigos de comentário e opinião que eles trazem (pois que, se não fosse para ler isso, não precisaria de assinar os jornais), mas depois escreva em posts que os comentários em jornais são redundantes.
Parece-me haver aqui a modos que uma contradição. Afinal o Henrique considera os comentários e opiniões publicados nos jornais úteis e valiosos, ou não?
Mas pior que o Partido Chega (CH) que é uma fraude e uma tentativa desesperada de manter o ilegítimo, criminoso, corrupto, e anti-democrático, regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974 e o sistema político-constitucional ainda vigente, é a Lei Eleitoral não ser alterada.
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ResponderEliminarCom tanto "arrazoado" que vai por aqui lembrei-me dos tempos em que a Filosofia fazia parte das preocupações estudantis.
Chegados ao capítulo da Lógica o Prof. lá perguntava (com toda a inocência)!
- Quantas pernas tem uma mesa?
e todos...
- quatro pernas.
e o Prof. com toda a inocência (!):
- Logo o Boi é uma mesa!
...
Razão terá o "Chegano" que no "seu" Congresso subiu ao púlpito e logo declarou:
- Sou um Pai de Familia, olho e trabalho por ela e para ela, sou casado com uma mulher, tenho dois filhos, um é rapaz, Homem, outro é rapariga, Mulher; logo eu sou Fassista!
...
Logo e Filosóficamente o Boi não é Fassista, não tem Vaca certa, come o que lhe dão e filhos nem quer saber deles e no fim há uns "Filósofos" que se banqueteiam festivamente com a sua carcaça.
Bem vindos à realidade...
As tretas sobre a ideologia de género que o André Ventura diz é o que de melhor se lhe aproveita.
ResponderEliminarÉ mentira que o post diga isso
ResponderEliminarO debate que entendo ter mais interesse é, Linhas Vermelhas na SIC entre MiguelPratasRoque e Miguel Morgado.
ResponderEliminarEscapou aos comentadores do corta-fitas a frase lapidar dita por MPROQUE " O TGV vai passar de 2 milhões para 12 milhões de utilizadores"
Só se for na outra encarnação! Babuseiras patéticas.