terça-feira, 17 de outubro de 2023

Factos e narrativas

Um bom exemplo de como a falta de informação ou, pior, a informação errada ou grosseiramente imprecisa, impede qualquer discussão racional sobre problemas complexos é-me oferecido de bandeja por um leitor do blog, que cito entre "" e em itálico, e depois comento.


"Israel é o resultado de um processo de colonização tardio, levado a cabo pelo Império Britânico sob a influência de poderosos interesses obscuros em representação de pessoas que nunca viveram na Palestina e com a cumplicidade posterior da defunta Liga das Nações e mais tarde da ONU".


Como é frequente em assuntos complexos, apela-se a teorias de conspiração: interesses obscuros, cumplicidades e outras inanidades não concretizadas. Acontece que a realidade é bem mais complexa: a criação do Estado de Israel é uma tentativa de solução para problemas que existem há séculos numa região complexa e que são bem visíveis no Líbano, na Líbia, no curdistão ou no que se relaciona com os drusos, só para dar alguns exemplos mais conhecidos e com pouca relação com o problema dos judeus. O mesmo tipo de problemas existem, por exemplo, na região dos balcãs e foram um assunto muito relevante na Europa do século XIX até à primeira guerra mundial, estando relacionados com a ideia de fazer corresponder a cada nação o seu estado, sendo ainda hoje uma fonte permanente de conflitos, de que é exemplo o que se passa no País Basco ou na Catalunha. No caso da nação judaica há alguns contornos específicos que se prendem com o facto dos judeus terem sido maioritariamente expulsos da sua terra há quase dois mil anos, mas haver milhões de pessoas que mantiveram uma grande fidelidade aos valores religiosos e culturais da sua nação, mesmo sem qualquer ligação à terra comum onde nasceu a nação.


"Tudo começa em finais de 1917 com a chamada declaração de Balfour, ministro/secretário do Império à época, que consiste de carta enviada a Lionel Walter Rothschild, Barão Rothschild, dirigente da comunidade judaica do Império".


A ausência de um mínimo de rigor histórico neste parágrafo é colossal. A carta referida não começa coisa nenhuma, é antes o resultado de um processo longo. Em meados do século XIX persistiam na Palestina cerca de 25 mil judeus, maioritariamente homens (e respectivas famílias) cuja ocupação era o estudo das escrituras e que são financiados por judeus da diáspora, visto que não praticam qualquer actividade que lhes garanta o sustento. Na segunda metade do século XIX há um conjunto de judeus em fuga de perseguições, sobretudo na Rússia e sua área de influência, mas também do Iémen, que imigram para a Palestina à procura de um sítio em que não sejam perseguidos (o império otomano era bastante liberal, desse ponto de vista, não tendo uma prática de perseguição religiosa). Estes judeus são sobretudo agricultores, artesãos, comerciantes, etc., e a sua imigração é acompanhada da compra de terras, num processo de imigração legítimo. Sucessivas vagas de imigração de judeus à procura de defesa em relação às perseguições de que eram alvo, maioritariamente na Europa, sobretudo de Leste, mas não só, multiplicam por dez a população de judeus na Palestina, que nessa altura sofria um lento processo de despovoamento da população árabe, o que altera a composição étnica e religiosa da palestina, com os judeus a representarem, na altura da criação do Estado de Israel, já mais de 10% da população e, tão importante como isso, a serem detentores grandes áreas de terra que tinham comprado (com o apoio dos judeus do exterior, como o referido Rothschild, que financiou a compra de milhares de hectares). A ideia sionista de um Estado para a nação judaica vai ganhando adeptos e depois de muitas soluções sobre a sua possível localização, vai-se impondo a ideia do regresso à Palestina, onde milhares de judeus se iam instalando sem esperar pela criação do estado judaico. A carta a que o parágrafo refere é o resultado deste processo e da derrota do império otomano que deixa um vazio de poder na região (não havia estados árabes fortes, nessa altura), que a Sociedade das Nações procura colmatar criando o protectorado britânico da Palestina, que incluía a transjordânia, que mais tarde dá origem ao actual reino da Jordânia.


"Nessa carta, o Império Britânico arroga-se o direito de dispor da Palestina, território conquistado ao Império Otomano e do qual se viria a tornar potência administrante, para nela criar um território que servisse de pátria aos judeus de então que nunca lá tinham vivido e sem a mínima consideração por quem há séculos lá vivia, os palestinianos".


Na verdade não foi o Império Britânico que se arrogou esse direito, foi a Sociedade das Nações que entregou essa responsabilidade ao Império Britânico. E também não foi sequer a Sociedade das Nações que criou o Estado judeu, ou Israel, como se queira chamar, mas sim a ONU, mais tarde, depois da segunda guerra mundial, com os votos favoráveis de toda a gente, incluindo a União Soviética, com excepção dos estados árabes, que votaram contra a criação do Estado de Israel. Não o faz numa região de onde estão ausentes os judeus, mas numa região em que os judeus são uma poderosa minoria. Poderosa porque já são mais de 10% da população, poderosa porque são detentores legítimos de milhares de hectares de terra, poderosa porque tem apoio externo na diáspora judia que frequentemente é rica e poderosa nos países em que vive e, a partir da segunda guerra mundial, moralmente poderosa porque vítima de uma barbárie inaudita. Acresce que em resultado das perseguições aos judeus, sobretudo por parte da Alemanha nazi, mas muito longe de ser caso único - o anti-semitismo está muito expandido nessa época, sendo claramente presente nas políticas da União Soviética de Estaline - há milhares de refugiados judeus, sobreviventes do holocausto e das perseguições de que foram vítimas durante essa época, que não tinham para onde ir, parecendo a criação do estado judeu uma boa solução, sobretudo a grande parte de uma Europa destruída pela guerra e sem grande capacidade de absorver e integrar esses refugiados.


"O problema começa aqui, agravando-se com a 2ª GM e o genocídio dos "untermenschen" da ideologia nazi, nomeadamente judeus, de que resulta a invasão judaica da Palestina"


Como visto acima, o problema não começa aqui, o problema está aqui, mas vem de muito longe, sendo claramente absurda a ideia de uma invasão judaica feita por miseráveis refugiados de uma guerra em que foram barbaramente perseguidos.


"Ainda antes da fundação de Israel em 1948, as milícias judaicas Lehi, Irgun e Haganah, que viria a dar origem às actuais IDF, já matavam muçulmanos, cristãos e ingleses, umas vezes à queima roupa, outras em massacres organizados, para eliminar quem se lhes opunha e "dar espaço" à futura pátria dos que nunca lá tinham vivido".


Esqueçamos a evidente contradição entre a referência às milícias judias e a ideia de uma invasão externa por parte de quem nunca lá tinha vivido, e concentremo-nos no que é factual. Ainda antes da criação do Estado de Israel, como é, e bem, referido, instala-se uma guerra civil, com todo o cortejo de barbaridades inerentes às guerras civis, entre as milícias judias e árabes, perante a ausência de intervenção da potência administrante, o Reino Unido, que propõe às Nações Unidas a criação de dois estados, um árabe e outro judeu, como solução para resolver o problema. As Nações Unidas, como escrevi acima, criam o Estado de Israel, com a oposição e os votos contra de todos os países árabes e, no dia seguinte à proclamação de independência de Israel, o estado judaico é invadido por cinco países árabes (Egipto, Jordânia, Síria, Iraque e Líbano), com apoio da Arábia Saudita e da Liga Árabe, com o objectivo de o destruir. A guerra civil que vinha a ocorrer, e a guerra entre Israel e os seus vizinhos árabes que se lhe segue, dão origem à fuga de mais de 700 mil pessoas (maioritariamente árabes) e, com a vitória de Israel nessa guerra, criou-se o gravíssimo problema dos refugiados palestinianos. A ONU, que contribuiu fortemente para a criação do problema com a criação do Estado de Israel sem assegurar os mecanismos de defesa desse novo estado face a vizinhos hostis, apoia desde então esses refugiados, reconhecendo o estatuto de refugiados aos seus descendentes, o que eleva o número de refugiados palestinianos para os 4 a 5 milhões actualmente. Ao contrário do referido, as decisões da ONU sobre a criação do Estado de Israel apelaram sempre ao respeito pelos direitos das populações árabes presentes na Palestina, mas ninguém previu o êxodo em massa das populações, porque ninguém considerou o cenário de uma guerra como a que eclodiu no dia seguinte à da declaração de independência, e muito menos a dimensão do problema dos refugiados. Provavelmente o Estado de Israel acabou por agradecer a limpeza étnica que resultou do ataque dos países árabes a Israel, fazendo pouco para reverter o êxodo das populações árabes (na conferência de cessar fogo posterior, Israel propôs-se receber de volta 100 mil desses refugiados, deixando aos países árabes a resolução do problema dos outros 600 mil, o que me parece demonstrar pouca vontade de respeitar os direitos das populações árabes que fugiram das zonas de guerra), bem como a oportunidade para redesenhar as fronteiras do Estado de Israel que resultou de ter ganho essa guerra. Note-se que na divisão inicial de terras, embora o Estado judeu tenha ficado com 55% do território, as melhores terras, as terras mais férteis, ficaram do lado Árabe, como é lógico, por serem as terras mais densamente povoadas por quem vivia da terra, naquela zona, há séculos. Note-se ainda que, setenta anos depois, o esforço dos países árabes para integrar e resolver o problema dos refugiados palestinianos parece ter sido ainda menor que o de Israel, cuja população árabe representa um quinto da sua população. Em vários dos países árabes, a integração dos refugiados palestinianos foi activamente combatida, com proibição do exercício de muitas profissões, compra de terras e dificuldades grandes na aquisição de cidadania. A ajuda da ONU, que é estratosférica, acaba a favorecer este status quo das principais vítimas do conflito, mantendo-as vítimas que vivem de caridade alheia, em vez de as integrar em sociedades funcionais.


"O processo de limpeza étnica culmina com a Nakba - a expulsão de cerca de 750000 palestinianos dos locais onde viviam há séculos".


Esta é a conclusão literária do problema real dos refugiados, mas como  descrito acima, tem muito pouca relação com a realidade: as populações árabes palestinianas fugiram da guerra (todas as guerras com Israel foram começadas pelos países árabes e tiveram sempre como objectivo destruir o estado judeu), Israel provavelmente viu isso com muito bons olhos e promoveu também expulsões, os países árabes vizinhos nunca fizeram nenhum esforço sério de integração desses refugiados, com a justificação moral de que os palestinianos devem voltar às suas terras quando o estado de Israel for destruído, apesar da esmagadora maioria destes refugiados já não terem qualquer ligação com as terras que hoje reclamam. Para comparação, note-se que a descolonização portuguesa gerou um número de refugiados da mesma ordem de grandeza, a que chamámos retornados, e numa ou duas décadas a sua integração, mesmo quando perderam todas as suas terras e casas, sem qualquer indemnização ou compensação, estava concluída.


"Esse processo de limpeza étnica e genocídio tem continuado até aos dias de hoje".


Isto é um tremendo disparate, 20% da população de Israel é árabe e Israel retirou, unilateralmente, de Gaza, onde hoje vivem muito mais pessoas que as que viviam em 1948 (tem uma das maiores taxas de crescimento populacional do mundo), ou seja, para limpeza étnica, deve ser a única no mundo que resulta em mais e não em menos pessoas das etnias que supostamente se pretende exterminar. Aliás, é extraordinário que a maior parte da população da faixa de Gaza tenha lá nascido, mas se considere refugiada. Note-se que a Faixa de Gaza teve um governo palestiniano logo em 1948, até passar a ser administrada pelo Egipto onze anos depois, só sendo administrada por Israel, na sequência da guerra dos seis dias (que resulta da projectada invasão de Israel pela Síria e o Egipto), em 1967 e até 2005.


"Há uma semana atrás, tal como o fizeram os combatentes da resistência judaica no ghetto de Varsóvia em 1943, os movimentos de libertação um pouco por todo o mundo desde os anos 1950, o Hamas, alegadamente, revoltou-se e há quem ache isso extraordinário o que, por si só, é sintomático de uma notável ignorância, ou incompreensão da História e de que com ela nada aprenderam".


A abjecção moral deste parágrafo, que pretende ser justificada por toda a anterior narrativa sem qualquer relação com a realidade, impede-me de fazer comentários.

46 comentários:


  1. a criação do Estado de Israel é uma tentativa de solução para problemas que existem há séculos numa região complexa


    Eu diria que a criação do Estado de Israel é uma tentativa de solução para problemas que existiam há séculos na Europa, não no Médio Oriente.


    Ou seja, tentou-se resolver o problema do antissemitismo europeu, não propriamente qualquer problema que existisse no Médio Oriente.

    ResponderEliminar

  2. o facto dos judeus terem sido maioritariamente expulsos da sua terra há quase dois mil anos


    O Henrique nem eu não estávamos lá para ver se eles foram expulsos ou não. É de crer que, de facto, eles não tenham sido expulsos: eles emigraram de sua livre vontade. A Palestina era uma terra relativamente pobrezinha, muito seca, e a maior parte dos judeus pôs-se ao fresco para melhores paragens.


    Ademais, muitos judeus são o resultado de conversões, que foram muito frequentes no tempo do Império Romano. Nesse tempo, o judaísmo não era fechado como mais tarde se tornou - era uma religião prosélita. Na prática, isso quer dizer que grande parte dos judeus atuais não são descendentes de pessoas que tenham vivido na Palestina.

    ResponderEliminar

  3. o anti-semitismo está muito expandido nessa época, sendo claramente presente nas políticas da União Soviética de Estaline


    Isso variou. As políticas da URSS de Estaline foram variando com o tempo. O antissemitismo foi uma fase, aí por volta de 1950, perto da morte de Estaline. Até essa época, que eu saiba, a URSS não era antissemita. Nem o foi após essa época. O antissemitismo foi uma mania que deu a Estaline numa época peculiar da sua vida.

    ResponderEliminar
  4. pensava que os Palestinianos eram descendentes do Curdo Saladino.
    ainda por cá temos descendentes de Mouros.
    o Líbano já foi 'a Suiça do Próximo Oriente' 

    ResponderEliminar
  5. Isso é um KO sem apelo nem agravo, você foi duro! 

    ResponderEliminar
  6. "Clubite"  rasteira, polvilhada de honesta ( creio...) ignorância...
    E nada que não esteja a acontecer "lá fora"..  ( esta canalha sempre foi muito bem , e "espontâneamente" orquestrada ).


    Juromenha...

    ResponderEliminar
  7. Uma descrição excelente, que justifica dois reparos. No contexto da invasão de 48, o Estado de Israel, no mínimo, tolerou algumas acções de terror para promover a fuga das populações palestinianas, o mais célebre o “massacre”de Deir Yassin. A outra, a ideia de que os palestinianos devem pagar eternidade pelas atitudes dos líderes árabes de 48, nenhum deles eleito. 

    ResponderEliminar

  8. "o facto dos judeus terem sido maioritariamente expulsos da sua terra há quase dois mil anos"


    América aos índios, então. Carago, vamos ter uma massa de imigrantes, descendentes de irlandeses, italianos, espanhóis, não tinham nada que lá estar. E os Mouros sempre podem regressar aqui à Península... se calhar no Livro deles esta terra também lhes pertence.
    Quando a geopolítica é explicada pelas Escrituras, mais vale fechar a loja, realmente não há argumentação contra que valha.


    O "Estado" de Israel podia ter sido criado na Europa, nomeadamente na Alemanha. Bastava as potências vencedoras assim o desejarem.



    O mais interessante neste conflito é (a par de todas as discussões na internet e afins) a obrigatoriedade de tomar partido de um dos lados. E a presunção de que, se não estiver do lado X, é porque se está do Y.
    Pessoalmente, não creio na solução de 1 estado, 2 estados ou multiestados. De ambos os lados há demasiada gente cujo único objectivo é liquidar o adversário.

    ResponderEliminar
  9. Se for a Roma, vê no Fórum, um arco que comemora o massacre, expulsão e redução à escravatura dos judeus;
    Se ler “A Guerra dos Judeus” de Josefo,  fica a saber os pormenores;
    É quase como estar lá…
    E já agora, a genética demonstra que todos as populações judaicas têm ascendência por via masculina(os Mizrahim também feminina) na região (excepto talvez, os falasha);

    ResponderEliminar
  10. dizem que o Judeu Trotsky deu uma martelada na cabeça, mas não estive lá para ver

    ResponderEliminar
  11. O estado de Israel resulta tanto de uma ideia de regresso à terra ancestral, como por conveniência de certas potências, como os Otomanos, que incentivaram a imigração de não árabes para a região (como Circassianos, Bósnios, Chechenos, etc..);
    Ou dos Britânicos, de forma ambígua com a Declaração Balfour;
    Ou da União Soviética, em 48, vital no fornecimento de treino e armas para os militantes sionistas;
    Mas não foi para resolver nada na Europa;
    O “problema” judaico estava “resolvido” pelos alemães em 45.

    ResponderEliminar
  12. Certo, certo... na linha do dono da bola ganhar sempre o jogo.

    ResponderEliminar
  13. Ena! Agora é professor de relações internacionais. É ter esperança. Amanhã sai daqui a explicação da origem do universo, algum desenvolvimento da física quântica ou, quem sabe, um comentário científico sobre o emprego das penas (de aves), les plumes, na alta costura francesa.


    Vida de velho é triste.

    ResponderEliminar
  14. Eu também não creio em qualquer solução, a não ser no "prometido" apocalipse.

    ResponderEliminar

  15. Bom texto, obrigado. Convenhamos, a Faixa de Gaza é uma aberração. Mais de dois milhões mendigos apátridas, na tal prisão a céu aberto, fechados por dentro! pelos tais 30.000 carcereiros, administrados por chefes da prisão, ausentes, numa Persia teocrática, ela mesmo outra prisão a céu aberto.

    Esta aberração subsiste, pedinchona, acomodada, improdutiva, a morder a mão que a mantém vai para duas dezenas de anos. Os vastos financiamentos recebidos, de mão beijada, foram investidos a gosto: foguetes e mais re-envidicações pueris.

    Como bem frisa os antecedentes -os resultados de guerras e consequentes acordos de paz- criam cenários políticos que convém assumir. Neste caso Hamas e palestinianos são apenas uns acomodados preguiçoso, o mexilhão, a delirar com o que nunca existiu, o Estado Palestina, e muito menos um direito nem justo, pior, nem merecido.
    Uma aberração, um vespeiro criado pelos próprios, em que ninguém com autoridade, muçulmano ou não, se quer involver a sério. Entretanto as manifestações esquerda woke berra, a caravana passa. 

    ResponderEliminar
  16. Os Judeus não são Israelitas nem descendentes das Doze Tribos de Israel, aquilo a que chamam de "Estado" de Israel é uma criação do regime da Inglaterra e do Sionismo (Anglo-Sionistas) através da «Declaração de Balfourd», conforme confirma Nathaniel Rothschild em entrevista com Danny Taub, embaixador israelita:


    - Lord Rothschild fala sobre a «Declaração de Balford» de 1917


    https://vimeo.com/216798357


    «...o anti-semitismo está muito expandido nessa época, sendo claramente presente nas políticas da União Soviética de Estaline...»


    O primeiro Estado Judeu da história foi criado por Estaline.


    Você escreveu um artigo mentiroso, onde deturpa e oculta factos históricos e geo-políticos, e recheado de teorias da conspiração.


     

    ResponderEliminar

  17. Se for a Roma, vê no Fórum um arco que comemora o massacre, expulsão e redução à escravatura dos judeus


    É possível. Nunca fui a Roma.


    De qualquer forma, quando isso aconteceu, penso que após a revolta dos judeus no ano 70, já havia muitos mais judeus fora da Palestina do que nela. Esses não foram expulsos (nem muito menos reduzidos à escravatura), saíram de lá por sua livre vontade, ou seja, emigraram.


    a genética demonstra que todos as populações judaicas têm ascendência por via masculina na região


    Bem, isso é um estudo genético realizado por cientistas israelitas e do qual eu tenho as maiores dúvidas. Os israelitas naturalmente querem provar essa tese, de que todos os judeus provêem da Palestina, e seguramente que poderão forjar um estudo para esse efeito. É bem sabido que milhares de artigos científicos publicados todos os anos estão errados e são baseados em testes mal feitos ou inteiramente fabricados.


    O facto de que no tempo dos romanos a religião judaica era fortemente prosélita é bem sabido. Li até algures que se estima que a determinada altura 10% da população de Roma era judia. Por conversão, naturalmente, em grande medida.

    ResponderEliminar
  18. Não percebo os reparos porque as duas questões me parecem claras no texto

    ResponderEliminar
  19. Muito obrigado pela demonstração da reacção pavloviana de quem jamais deixará que a realidade influencie as suas ideias.

    ResponderEliminar
  20. Não é preciso ser professor, basta ler fontes fiáveis de informação. Identificou algum erro?

    ResponderEliminar
  21. Boa resposta de quem veste a camisola de um dos clubes. Só faltou o "seja isento" (e pense como eu).

    ResponderEliminar

  22. Esta aberração subsiste, pedinchona, acomodada, improdutiva


    Improdutiva mas reprodutiva.


    Como o Henrique bem diz, a taxa de natalidade dos habitantes de Gaza é enorme - embora provavelmente a dos judeus ultra-ortodoxos de Israel seja ainda maior.


    Ambos os grupos humanos - os judeus ultra-ortodoxos de Israel e os palestinianos de Gaza - mostram bem o que acontece a uma população humana quando ela é alimentada, eximida de ter que trabalhar para ganhar a vida, e ainda por cima educada numa religião totalmente irrealista.

    ResponderEliminar

  23. The United Kingdom had agreed in the McMahon–Hussein Correspondence that it would honour Arab independence if the Arabs revolted against the Ottoman Turks, but in the end, the United Kingdom and France divided the area under the Sykes–Picot Agreement.


    Este ponto parece algo relevante na análise política, e foi omitido (relembrar de que lado lutaram as tribos árabes...)


    Further complicating the issue was the Balfour Declaration of 1917, in which Britain promised its support for the establishment of a Jewish "national home" in Palestine. At the war's end the British and French formed a joint "Occupied Enemy Territory Administration" in what had been Ottoman Syria. The British achieved legitimacy by obtaining a mandate from the League of Nations in June 1922.


    Ou seja, em 1917 (ainda decorria a guerra) é assinado, à revelia dos aliados árabes, um acordo que permitiria um estado judeu no Médio Oriente. Em 1922 é "legitimado" o mandato da Inglaterra, já com uns anos de ocupação.
    Exacto, foi tudo bem feito por parte dos Ocidentais (as potências coloniais, que teriam alguns interesses geoestratégicos na área), os árabes têm mais é de estar calados.


    PS: tudo isto é irrelevante para os dias de hoje, passou está passado e o que de mal foi feito não pode ser desfeito. Já fazer revisionismo para justificar a justeza de um dos lados, não será muito honesto. Já agora, quando se "pesquisa", é cientificamente correcto analisar fontes de diferentes espectros, especialmente em História.

    ResponderEliminar
  24. Não se trata disso, mas de pegar numa frase que tem um contexto "

    ResponderEliminar
  25. Se é relevante na análise política, não faço ideia, o que sei é que não fiz qualquer análise política, limitei-me a descrever factos sociais incontroversos, para os contrapor a narrativas das treta que pretendem justificar preconceitos prévios (passe o pleonasmo).

    ResponderEliminar
  26. Passo aqui para deixar um link para um documentário muito interessante de 1980. 
    Vale a pena investir 30’ na visualização. 


    https://www.youtube.com/watch?v=cfkUE5Q0K04 (https://www.youtube.com/watch?v=cfkUE5Q0K04)

    ResponderEliminar

  27. Lidos os comentários tenho o dever de elogiar o senhor de Leça.
    Não é habitual ler como comenta e concordar logo.

    ResponderEliminar

  28. Não diria incontroversos...
    Todo o processo é controverso, em especial as movimentações políticas das grandes potências europeias entre as duas guerras. Quem fez o quê, porquê ou mandatado por quem, parece-me bem controverso. E subjectivo.

    ResponderEliminar
  29. O texto não tem uma linha sobre as movimentações políticas das grandes potências, nem sobre o porquê do que quer que seja.
    Quem fez o quê e mandatado por quem, é claramente objectivo e incontroverso, no texto.

    ResponderEliminar
  30. "Não o faz [] numa região de onde estão ausentes os judeus, mas numa região em que os judeus são uma poderosa minoria. Poderosa porque já são mais de 10% da população, (...)". (HPS)


    ResponderEliminar

  31. Entretanto um alto responsável palestiniano, devidamente protegido e fora de Gaza, esclarece que os Israelitas têm medo da morte. Por outro lado esclarece peremptório que os muçulmanos têm amor à morte!. 
    No fim ainda vão agradecer a colaboração israelita. Não?. Demagogos há-os em toda a parte, não é só por cá.

    ResponderEliminar
  32. A tradução de "national home" não é estado judeu mas sim um lugar nacional para os judeus. Pode parecer a mesma coisa mas não é. 

    ResponderEliminar

  33. O formato de criação do Estado de Israel, bem referenciado neste post, foi um gesto de comunidade internacional.
    Os aumentos territoriais foram guerras não iniciadas mas vencidas. Aliás os países vizinhos nunca se envolverão gratuitamente. As perdas territoriais foram "acordos de paz" com quem nunca cumpre. 


    Salvo a zona de Jerusalém, nas gravuras da época, a realidade ao tempo, mostra deserto e pedras.
    Tal como em muitas circunstâncias semelhante os judeus compraram áreas de esses desertos, abandonadas, a pretenços proprietários, os ditos palestinianos. 
    Como sabemos os novos proprietários, os "colonos", na fraseologia esquerdoide, transformaram esses baldios abandonados em propriedades produtivas. Suas por Lei.
    Como bons árabes que são os discutíveis "descendentes" -duas ou três gerações depois- dos antigos "palestinianos" que venderam as "suas" terras e pedras, agora querem comer o bolo. E dizem ter as chaves da casa da qual foram espulsos os avós!. Casas!?. Quais casas?. Nunca têm vergonha, claro.

    ResponderEliminar
  34. A minha pergunta para os entendidos do Médio Oriente é:
    - independentemente de quem é que tem direito histórico de viver naquelas terras, o que é que se faz com os 10M de Israelticas que lá vivem? E o que fazer com os 2M de Palestinianos que vivem na Faixa de Gaza? Esta é a pergunta que se devia ter resposta. 


    Agora, perder tempo há procura de factos ou factinhos para perceber quem é que ocupou quem é achar que podemos voltar atrás no tempo. Israel existe e tem direito a existir, como já foram criados muitos outros países entretanto.  

    ResponderEliminar














  35. Esqueceu-se da tribo Hashemita da Arábai que controla 

    ResponderEliminar
  36. É significativo que muitos se esqueçam da criação do Reino da Jordânia e não tenham problemas que palestinianos sejam controlados por uma tribo da Arábia 

    ResponderEliminar
  37. Fico satisfeito que num texto tão longo sobre uma matéria em que não tenho quaisquer competências, não tenha assinalado um único erro.
    Assinalo também que aceitando, implicitamente, que tudo o que disse antes afinal é outra coisa, as suas conclusões são exactamente as mesmas, numa demonstração clara de que jamais deixará que os factos influenciem as suas ideias.

    ResponderEliminar
  38. Lamento mas está enganado num pormenor. O quadro é bem pior do que o que aponta. A grande maioria dessas terras pertencia a proprietários ausentes (latifundiários, se quiser). Os judeus não compraram as terras a quem lá vivia mas aos proprietários.

    ResponderEliminar
  39. Esteve lá com o Henrique a ver a conversão?

    ResponderEliminar
  40. Não assinalei um único erro? Eu acho ficou bem patente que foi a Declaração de Balfour que desencadeou todo o processo de colonização da Palestina. Colonização essa - porque é disso que se trata - associada a limpeza étnica e genocídio, que conduziu à criação de Israel. Uma colonização que, salvo as devidas proporções e localização temporal, em nada fica a dever à colonização da América do Norte pelos europeus, ou à colonização da África sub-sariana pelos Bantu: aos Índios americanos aconteceu o que se sabe e aos Pigmeus, os primitivos habitantes africanos, essencialmente o mesmo - limpeza étnica e genocídio. 
    Mas, lá está, à luz de 90% (ou mais) dos westerns  produzidos em Hollywood são sempre os Índios os "maus da fita".


    ResponderEliminar
  41. Continuando com matéria de facto: Nakba, resoluções da ONU e postura de Israel até à actualidade, segundo página da ONU (link abaixo).


    "The Nakba, which means “catastrophe” in Arabic, refers to the mass displacement and dispossession of Palestinians during the 1948 Arab-Israeli war. Before the Nakba, Palestine was a multi-ethnic and multi-cultural society.
    (...)
    In November 1947, the UN General Assembly passed a resolution partitioning Palestine into two states, one Jewish and one Arab, with Jerusalem under a UN administration. The Arab world rejected the plan, arguing that it was unfair and violated the UN Charter. Jewish militias launched attacks against Palestinian villages, forcing thousands to flee. The situation escalated into a full-blown war in 1948, with the end of the British Mandate and the departure of British forces, the declaration of independence of the State of Israel and the entry of neighbouring Arab armies. The newly established Israeli forces launched a major offensive. The result of the war was the permanent displacement of more than half of the Palestinian population.



    As early as December 1948, the UN General Assembly called for refugee return, property restitution and compensation (resolution 194 (II)).  However, 75 years later, despite countless UN resolutions, the rights of the Palestinians continue to be denied. According to the UN Relief and Works Agency for Palestine Refugees (UNRWA) more than 5 million Palestine refugees are scattered throughout the Middle East.   Today, Palestinians continue to be dispossessed and displaced by Israeli settlements, evictions, land confiscation and home demolitions." (negritos meus)

    (https://www.un.org/unispal/about-the-nakba/)

    ResponderEliminar
  42. Mais matéria de facto: Nakba e relacionados, agora segundo página da Wiki (link abaixo)


    "The term is used to describe both the events of 1948 and the ongoing occupation of the Palestinians in the Palestinian territories (the occupied West Bank and the Gaza Strip), as well as their persecution and displacement in the Palestinian territories and in Palestinian refugee camps throughout the region.


    The foundational events of the Nakba took place during and shortly after the 1948 Palestine war, including 78% of Mandatory Palestine being declared as Israel, the expulsion and flight of 700,000 Palestinians, the related depopulation and destruction of over 500 Palestinian villages by Israeli armed forces[9] and subsequent geographical erasure, the denial of the Palestinian right of return, the creation of permanent Palestinian refugees, and the "shattering of Palestinian society. 
    The expulsion of the Palestinians has since been described by some historians, such as Benny Morris and Ilan Pappé, and Nakba researchers, such as Salman Abu Sitta, as an ethnic cleansing.
    (...)
    The Nakba encompasses the displacement, dispossession, statelessness and fracturing of Palestinian society.

    (...)
    During the 1947–49 Palestine war, an estimated 700,000 Palestinians fled or were expelled, comprising around 80% of the Palestinian Arab inhabitants of what became Israel.[22][23] Almost half of this figure (approximately 250,000–300,000 Palestinians) had fled or had been expelled ahead of the Israeli Declaration of Independence in May 1948,[24] a fact which was named as a casus belli for the entry of the Arab League into the country, sparking the 1948 Arab–Israeli War."

    (https://en.wikipedia.org/wiki/Nakba)


    E sobre Nakba, limpeza étnica dos palestinianos não-judaicos, postura e prática continuada dos israelitas até à actualidade,  mesmo ainda antes de o serem, parece-me ser suficiente e já é tarde. A sua invocação da moral é cada vez mais patética.

    ResponderEliminar
  43. Esqueceu-se de ler a parte do relatório do Office of the UN High Commissioner for Human Rights (OHCHR) que identifica a fonte dos números que usa: "according to the Ministry of Health in Gaza", ou seja, a fonte é o Hamas, que controla o Ministério da Saúde de Gaza.
    Penso que nem vale a pena fazer mais comentários quando são os organismos da ONU que citam o Hamas como fonte de informação fiável no conflito.

    ResponderEliminar
  44. Muito bom. Vou partilhar 

    ResponderEliminar
  45. depois de ser especialista em epidemiologia, o iluste HPS agora é especialista em conflitos do medio-oriente.
    A parte boa é que ninguem lhe liga nenhuma e já lá vai o tempo que ia à TV falar de chanfanas.  
    Bebe menos chalupa !!!

    ResponderEliminar

A responsabilidade política de Fernando Alexandre

 Houve quem visse na minha recusa total da ideia infantil que Fernando Alexandre optou pela sua ambição contra o interesse dos alunos uma te...