quinta-feira, 19 de outubro de 2023

O míssil, o hospital e o jornalismo

Há uma explosão num hospital em Gaza.


Imediatamente surgem um coro de jornalistas e comentários que repetem incessantemente a história de que Israel tinha bombardeado um hospital provocando 500 mortos.


O jornalismo esquece o princípio geral de que quando uma história parece mal contada, de maneira geral é porque está mesmo mal contada, a que acresce o princípio de que a primeira vítima da guerra é a verdade, sendo absurdo tomar as alegações de uma das partes em conflito como informação segura.


Os próprios organismos da ONU contribuem para isto ao citar números de mortes, não apenas no caso do hospital, mas em todo o conflito, provenientes do Ministério da Saúde de Gaza, que é do Hamas.


No caso da história do hospital é evidente que nenhuma das partes, nem Israel, nem o Hamas, têm qualquer interesse em bombardear aquele hospital, e é também evidente que numa situação daquelas é impossível ter uma estimativa minimamente fiável de mortes em minutos (nem sequer em horas).


O mais provável, sendo assim, é que tenha sido um acidente, probabilidade que durante horas e dias não é assumida como a maior, e que seja preciso esperar pelas operações de resgate para ter estimativas de mortos minimamente fiáveis, pelo menos mais fiáveis que a informação transmitida pelo Hamas, via Ministério da Saúde de Gaza.


No entanto, o jornalismo embarcou em histórias mal contadas, sem as devidas reservas e cautelas e, com o tempo, conclui-se que afinal tudo aponta para um acidente (como era lógico desde o primeiro momento) e que é muito grande a probabilidade da origem do acidente estar num foguete defeituoso da Jihad Islâmica (o que ainda precisa de confirmação, claro). Sem surpresa, face às fotografias e vídeos do hospital depois da explosão, o número de vítimas é provavelmente menos de 10% do indicado pelo Hamas inicialmente, como começa a sugerir informação veiculada por fontes mais credíveis que o Hamas.


Isto, claro, se excluirmos mais uma vítima colateral: a credibilidade do jornalismo (e, aos poucos, a erosão da confiança na informação proveniente dos organismos da ONU que trabalham em Gaza, fortemente infiltrados por elementos do Hamas, como é natural em organismos que empregam sobretudo palestinianos de uma zona em que o Hamas terá apoio de cerca de um terço da população).


P.S. A mesma imprensa que anda há uma semana a dizer que os hospitais de Gaza só têm combustível para mais 24 horas, findas as quais vai morrer tudo por falta de suporte de vidas, garante que o Hamas se preparou para a resposta israelita ao seu ataque, considerando a possibilidade de uma longa resistência. Só não percebo se pretendem fazer essa resistência a pé e descalços, ou se têm combustível para muito mais que 24 horas

37 comentários:

  1. Um autêntico "filme" de loucos(de uma ponta à outra e com a CS sempre em destaque). Mas não sejam chonéfobos nem pessimistas,pois a alternativa mais provável continua sempre a ser o apocalypse multi-coiso e tal universal. 

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  2. « quem não quer trabalhar vai para jornalista ou político de esquerda ».
    a onu e oms também não são minimamente credíveis.

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  3. O jornalismo actual vale tanto como uma rede social ou um blog.
    Limitam-se a debitar dados. Falsos, verdadeiros, comprovados, parciais, não importa. O que importa é gerar tráfego.

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  4. O jornalismo já não tem valor.


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  5. O jornalismo tem estado a fazer o mesmo desde há mais de um ano a propósito da guerra na Ucrânia. Todas as "informações" difundidas pelos meios de "informação" ucranianos, ingleses e norte-americanos são reproduzidas como se de verdades se tratasse, mesmo quando não há qualquer verificação independente delas.

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  6. A OMS não é uma agência derivada da O-nu? 

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  7. Consta que (ouvi no contra-corrente da rádio Observador esta manhã) que a Agência Lusa deu a noticia (logo a seguir ao acontecido)" hospital atacado por Israel" na sua página,como se fosse um papagaio a repetir o que diz um dos lados(no caso o hamas) sem qualquer contraditório ou verificação dos factos(o que de facto é impossivel sem tempo). Além disso sugiro que quem possa reveja a participação do General Arnout Moreira nesse programa, pois faz uma importante análise geo-politica incluindo o seu aviso (que  outros têm feito sem que os ouçam)sobre o perigo da rua árabe-muçulmana na Europa. 

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  8. O próprio Observador (onde hoje se dizia, e bem,no contra-corrente da rádio que havia precipitação a dar noticias não verificadas) ontem garantia haver pelo menos 500 mortos no hospital. Vejamos:

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  9. Caricato ver pomposos pseudo-jornalistas afirmarem que só se pode confiar em informação compilada e divulgada por Suas Excelências !. Não há vergonha.

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  10. "O míssil, o hospital e o jornalismo"... e a extrema esquerda.


    Ouvir a intervenção de João Marques de Almeida a partir do minuto 56. 


    https://observador.pt/programas/contra-corrente/porque-se-quis-tanto-acreditar-na-culpa-de-israel/

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  11. Não dar água aos miúdos de Gaza...por mais blabla , e injustificável!!! Não são humanos, são animais como o Hamas 

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  12. Voltando à vaca fria.
    Convém não esquecer que Israel está a bombardear populações civis e que o número de mortos já é muito elevado. A não ser que a destruição em Gaza seja toda provocada por mísseis do Hamas que falham os alvos (também é possível).
    Se o Hamas, porque matou civis, é considerado terrorista, então Israel é um terrorista com aviões.
    A legítima defesa numa guerra que dura há tanto tempo pode ser evocada por qualquer lado, é uma desculpa pronta a servir.

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  13. Balio,
    Está a ser contraditório consigo próprio (passo o pleonasmo).
    1. Já sabíamos que na sua opinião a "Operação Especial" da Rússia é uma luta dos bons (os russos) contra os maus (os ucranianos).
    2. Não sabíamos que neste conflito, para si, os bons são os israelitas e os maus o Hamas.
    Obrigado por nos esclarecer, em comentários anteriores não o tinha feito, pelo contrário.

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  14. Suas excelencias do Hamas.

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  15. balio tem alguma razão, se Israel tivesse a usar munições cluster estaria nas primeiras paginas do jornais, como é a Ucrânia está bem. Faço notar que a Rússia também usa.

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  16. "Há uma explosão num hospital em Gaza." (HPS)


    Não, não há explosão nenhuma num hospital em Gaza. Há sim uma explosão no parque de estacionamento e áreas limítrofes, cuja onda de choque e fragmentos afectam a fachada, envidraçados e equipamentos exteriores do hospital, deixando a estrutura do edifício intacta.


    Mas, o que me causa verdadeira estranheza, por um lado, é haver noticias a acusar Israel, algo que não está no guião que a indústria noticiosa de grande consumo continua a vender nos EUA e no RU, onde o Hamas é apontado como responsável.  E, por outro lado, surgirem virgens agora ofendidas pela inexistência de provas, quando anteriormente não questionaram a credibilidade da informação proveniente de Israel relativa aos acontecimentos de 7 de Outubro, assim como não questionaram, há pouco mais de um ano atrás, a autoria da destruição dos gasodutos Nord Stream.


    Contudo, após mais aturada reflexão, não posso deixar de concluir que as virgens agora ofendidas pela falta de provas na acusação a Israel, estariam tranquilas e caladas se a acusação recaísse sobre o Hamas. Afinal, se foram os russos que destruiram os Nord Stream, só pode ter sido o Hamas a bombardear o parque de estacionamento do hospital. De acordo com a "ordem internacional baseada em regras", a primeira regra estabelece que são sempre os "outros" a cometerem os crimes e as atrocidades e a invadirem países. 


    Mesmo que não tenha havido bebés belgas espetados pelas baionetas alemãs durante a 1ª GM, mesmo que não tenha havido bebés no Koweit retirados de incubadoras e atirados para o chão, mesmo que tenha havido armas de destruição massiva no Iraque, mesmo que os EUA tenham invadido a Síria e continuem ainda hoje a ocupar os seus campos petrolíferos, de onde o petróleo é subtraído à revelia dos sírios.  


    No que refere, em concreto, à explosão ocorrida no parque de estacionamento do hospital de Gaza, três hipóteses merecem-me consideração a priori:
    i) ataque israelita;
    ii) acidente com foguete palestiniano;
    iii) ataque "false flag" para inculpar Israel.


    A hipótese iii) não pode ter sido levada a cabo pelo Hamas, dada a dimensão da área atingida, e a intervenção de países terceiros, numa era em que predominam os satélites de vigilância, afigura-se impossível. 
    A hipótese ii) não é plausível, uma vez que não existe cratera e a dimensão da área atingida não é compatível com a carga de explosivos transportada nos foguetes palestinianos.
    A hipótese i), pela área atingida e pela ausência de cratera, é compatível com o uso de uma bomba guiada por GPS do tipo JDAM para explosão no ar, armamento de que os israelitas dispõem (https://en.wikipedia.org/wiki/Joint_Direct_Attack_Munition), e que pode ser largada a quilómetros do alvo.


    A dar credibilidade a esta hipótese, num tweet posteriormente apagado do qual há na net imagens, Hananya Naftali, secretário de imprensa do PM Israelita, 23 minutos após a explosão escrevia:
    "Breaking: Isareli Air Force struck a Hamas terrorist base inside a hospital in Gaza (...)". 


    Se anda como um pato, se grasna como um pato e se parece um pato, o mais provável é que seja mesmo um pato.
    Espera-se, por isso, uma investigação internacional independente tal como a que não se realizou para apurar a autoria da explosão dos gasodutos Nord Stream. O histórico de vetos dos EUA favoráveis a Israel no Conselho de Segurança é paradigmático.


    Para informação adicional consultar:
    https://www.channel4.com/news/who-was-behind-the-gaza-hospital-blast-visual-investigation

    https://www.zerohedge.com/geopolitical/biden-israel-agrees-netanyahu-looks-other-team-did-hospital-strike

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  17. Não tenho qualquer ideia de qualquer notícia, mesmo veiculada pelo Hamas, de que haja crianças em Gaza a morrer de sede.
    Se houvesse, pode ter a certeza que fariam as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo

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  18. Sabe o número de mortos em Gaza?
    Tenho ideia de que todos os números que por aí circulam provêm da mesma fonte que noticiou pelo menos 500 mortos numa explosão no parque estacionamento de um hospital, quando dificilmente haverá sequer 50: o Hamas

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  19. Gaza foi arrasado com bombas, há imagens de satélite e algumas divulgadas por Israel. É preciso ser completamente parcial para pensar que se pode arrasar uma cidade e só se matar os maus sem acertar em ninguém inocente.
    Mesmo que esse delírio fosse verdade, a propriedade dos habitantes de Gaza tem tanto direito a ser protegida coma a dos israelitas.
    Claro que não há números sobre Gaza que não venham dos palestinianos, os outros estão impedidos de entrar.

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  20. Resumindo, a cidade de Gaza foi arrasada, mas todos os dias é ainda mais arrasada.
    E ainda assim, vivem lá centenas de milhares de pessoas.

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  21. de resto, eu não nego a existência de vítimas civis, apenas lhe perguntei se sabia qual era a dimensão do problema, porque eu não sei

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  22. Morreram dois polícias sinaleiros. As bombas israelitas são de borracha, os paletinianos mortos suicidaram-se todos.

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  23. Você não tem a noção do tamanho de Gaza. 





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  24. "...Os próprios organismos da ONU contribuem para isto,,,". 
    Sim, os jornais têm donos e interesses. Os comentadores, com honrosas excepções, têm também as suas dependências.
    A parcialidade da ONU é o reflexo dos interesses que infelizmente  também por ali co-existem. A ONU escusava de complicar.

    Estão claramente conhecidos os principais interesses em confronto: Israel (e uma forte fatia do mundo Ocidenteal), Islão árabe (e não só). Não vale a pena complicar. 
    Afinal a ultrapassada ONU também vive, sobrevive, em tom de auto-sobrevivência.

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  25. Só lhe perguntei se sabe quantos são os palestinianos mortos, e quem são (por grandes grupos, por exemplo, número de crianças).
    Ou sabe, ou não sabe.
    Eu não sei.

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  26. Como não sabe quantos são, não existem, enquanto Gaza estiver cercado pode-se dizer que não morreu lá ninguém. Em contrapartida todos vimos os bébés decapitados.

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  27. Por ser muito grande pode ser bombardeado indiscriminadamente?

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  28. Também é bastante pertinente a participação do Major General Arnaut Moreira (a partir da hora e dez) onde refere a rua árabe na Europa ocidental. 

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  29. Existem com certeza, sabe quantos são? Sabe qual é a dimensão do problema?

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  30. num tweet posteriormente apagado do qual há na net imagens, Hananya Naftali, secretário de imprensa do PM Israelita, 23 minutos após a explosão escrevia:
    "Breaking: Isareli Air Force struck a Hamas terrorist base inside a hospital in Gaza (...)".»

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  31. Sobre alcance de vários tipos de rockets.

    - M26: 32 km (19.9 mi) M26A1/A2: 45 km (28.0 mi) M30/31: 92 km (57.2 mi)
    - ATACMS: 165 or 300 km (103 or 186 mi)


    Range of the RM 70 grad

    - the RM-70 Vampir has a longer range than the Grad MLRS, with a maximum range of 40 kilometers compared to 20-30 kilometers for the Grad.


     Range of the MLRS Tornado-S

    - The Tornado-S has guided rocket rounds with a range of 72 miles (120 km).


    Qassam rocket

    - Qassam 1: 5 km; Qassam 2:12 km; Qassam 3: 16 km


    Ayyash rocket
    - has an estimated range of 250 km (150 miles).


    Se o alcance do Ayyash for mesmo cerca de 250 km, não há dúvida que os americanos e os russos têm alguma coisa a aprender com os palestinianos, o que não parece de todo plausível.

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  32. Não basta o alcance. Qual é a carga (perdão) "útil"?.

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  33. Tanto como o Henrique sabe quantos israelitas morreram. No limite podemos dizer que é tudo falso. É uma solução idiota mas menos do que dizer que só há mortos de um lado porque não sabemos quantos há do outro.

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  34. Dos mortos israelitas, tirando os de 7 de Outubro, pouco se fala (e devem ser poucos), mas acontece que do lado de Israel há pessoas livres, há jornalistas, há oposição política, há agências independentes, etc..
    Do lado do Hamas não há nada disso.
    Portanto, de um lado sabemos relativamente pouco, mas o pouco que sabemos é escrutinável e escrutinado.
    Do outro lado, também sabemos pouco, mas o pouco que sabemos não é escrutinável nem escrutinado, o que não impede um monte de idiotas de repetir acriticamente os números que o Hamas fornece para efeitos de propaganda e manipulação.

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  35. realmente , destaca-se no meio  de facciosos. bem haja.

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