Poucos assuntos geram tão grande desassossego social e mediático como a religião. Rara é a pessoa que não tem uma opinião sobre a defesa intransigente da vida humana, o celibato dos padres, a ordenação das mulheres, a comunhão dos divorciados ou, mais genericamente, a forma como a Igreja propõe a vida familiar e sexual. Qualquer um destes temas faz com que pessoas sensatas — e independentemente de sobre ele terem uma opinião estudada ou fundamentada — percam a compostura para defender a sua visão, contra ou a favor de um qualquer ditame, bispo ou postura. Apesar disso, poucas figuras terão gerado tão clamoroso entusiasmo como o desconhecido Jorge Mario Bergoglio quando, com certos ares de revolucionário, ascendeu ao sólio pontifício como Francisco. Tornou-se mais fácil, mesmo entre pessoas politicamente conservadoras, identificar católicos progressistas.
A constante tentativa de a sociedade contemporânea condicionar a Igreja e tentar obrigá-la a evoluir assemelha-se perigosamente à tentação que os Estados sempre sentiram de se apossarem das Igrejas para fazerem delas braços armados dos seus objetivos: alimentada por uma horda de opinion makers tão aguerridos quanto os protestantes de outrora, a sociedade assume que a Igreja permanece nas “trevas” por incompreensão dos seus líderes, incapaz de se adaptar para ser mais bem aceite e deixar de ser o que consideram constituir uma aberração. Pressupõe que a Igreja é uma espécie de clube, de associação ou de partido que precisa de um determinado número de fiéis para provar a sua razão e, sobretudo, que não pode propor algo diferente daquilo que a maioria aceita. E, na Igreja, muitos — leigos, presbíteros e prelados — pensam manifestamente da mesma maneira. Que uns e outros compreendam o alcance dessa evolução é outra questão.
A ler na integra Ademar Vala Marques, na revista do Expresso desta semana
ResponderEliminarNão dou um tostão para: Expresso, Público nem Observador.
Como João Távora bem sabe, a Igreja nunca foi um partido, agremiação, ou assim...
Apresentar as religiões como clubes de futebol é fácil e dá dinheiro. É verdade que a maioria das guerras foram feitas em nome de Deus.
A Igreja Católica não é formada por santos mas por pecadores; como nós.
Que tenhamos Paz e que deixemos os cães ladrar.
Olá
ResponderEliminarNão sou católico, embora tenha frequentado a Igreja Católica até aos dezasseis anos.
Entendo, estando de fora como disse, que a Igreja se pode e deve atualizar como bem entenderam os Papas dos Concílios Vaticano I e II.
Entendo também que nos seus princípios fundadores não devem ser perenes, ou então a Igreja Católica deixará de o ser.
Os trajes com que se veste é que podem mudar, digo eu. Contudo, não me compete a mim julgar da bondade da mudança ou do manter.
Posso ficar feliz quando alguma coisa muda num determinado sentido.
Porém cabe aos Católicos em Ecclesia decidirem o futuro da Sua Igreja.
Zé Onofre
Olá
ResponderEliminarOnde escrevi "não devem ser perenes" queria dizer exatamente o contrário "devem ser perenes".
Desculpe o engano.
Zé Onofre
A Igreja não tem que "evoluir" ou "adaptar-se", apenas tem de cumprir a lei civil. De resto, o seu funcionamento deve ser exclusivamente por si determinado.
ResponderEliminarNo fim, o que conta é a superioridade moral, e consequente vontade de aplicar a todos o nosso (superior) código de conduta. Ser católico ou ateu não torna alguém melhor ou pior que o do lado. Embora achem que sim.
en esta sociedad de la turbotemporalidad, del culto al instante, de la prioridad a lo inmediato, siempre termina haciendo acto de presencia el pensamiento crítico
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ResponderEliminarZé onofre, ainda bem que foi gralha. Eu não sou católico dado não gostar de clubes. Mas sinto que o catolicismo tem sido uma via bem fundamentada para um modo de vida. Uma noção que este papa já referiu: cada concílio geral cria instabilidades na igreja que durem um século ou mais.
Cumprimenta