domingo, 25 de junho de 2023

Paternalismo racista

Quando apareceu no jornal, passei à frente porque com o tema que era, já sabia do que a casa gastava.


Apesar disso, reparei que aparecia Henrique Leitão, por quem tenho imensa consideração.


Depois fui começando a ver comentários, no sentido que seria de esperar, que o que a SIC chamava Grande Reportagem, Pretérito Imperfeito, era o que seria de esperar, uma peça fortemente woke, condicionada pelas opções da jornalista Amélia Moura Ramos (não conheço, não tenho opinião, limitei-me a ver que a reportagem é dela).


Fui ver, parecia-me estranho que Henrique Leitão alinhasse no wokismo de que eu estaria à espera e os comentários confirmavam (há mais pessoas na reportagem que não alinham no wokismo, mas na peça aparecem sempre diminuídas, quer no tempo de antena, quer no que é escolhido do que dizem, ao contrário da presença do wokismo puro e puro).


Sendo as coisas o que são, confirmei que a peça não vale o tempo gasto a vê-la - não gosto de propaganda contrabandeada, não gosto de agendas escondidas disfarçadas de jornalismo - e não lhe dedicaria um post, não fosse um pequeno bocado inacreditável.


A propósito da recuperação da praça do império e dos famosos brazões em calçada, aparece uma dirigente de uma associação racista, a DJASS (racista porque baseia a sua actividade em critérios de raça) a contrapôr o depoimento de um calceteiro nascido em Cabo Verde, que os executou.


A entrevista com o calceteiro, incluindo a sua envolvente de festa e intimidade, é das partes mais interessantes da tal reportagem, e o senhor é de grande franqueza, que me parece bastante genuína, mas isso não chega para que a senhora presidente da DJASS não apareça a dizer que o senhor foi usado, manipulado, etc., sem que ninguém lhe pergunta quem se julga que é para qualificar assim pessoas que não conhece.


Poderia ser só o paternalismo de Vanusa Lima, que entende que o conteúdo racista dos Maias tem de ser cuidadosamente exposto pelos professores aos alunos (ela vai ao ponto de especificar aos alunos afro-descendentes, um ideia discriminatória que pressupõe que interiorizar ideias racistas só é um problema no caso de alunos afro-descendentes, ou que os alunos afro-descendentes são incapazes de filtrar o que lhes é ensinado, o que é ainda pior) para evitar que os alunos interiorizem preconceitos, como se todos os alunos fossem uns totós incapazes de processar a informação que recebem e incapazes de perceber que Eça de Queiroz escrevia na segunda metada do Século XIX.


Não, é mesmo uma opção da peça jornalística, a de dar voz e presença a patetices promovidas por associações racistas, e outros wokes.


Se houvesse dúvidas, está lá a jornalista para as desfazer, ao perguntar, com um paternalismo infinito, ao calceteiro dos brazões, se tinha consciência do que estava a fazer.


Claro, senhora jornalista, com certeza que quem não encaixa nos seus preconceitos só pode ser mesmo porque é incapaz de atingir o seu grau de consciência da sociedade em que vive.

17 comentários:

  1. Os wokes, ou (alguma) esquerda são idênticos aos conservadores religiosos: ou assumem-se como burros, e pensam que por isso todos lhes são iguais, ou assumem-se como os únicos inteligentes,  que têm de proteger o povo burro.
    Claro que na mente deles os livros, filmes ou qualquer arte ou opinião são perigosos, pois os burros são facilmente influenciáveis e incapazes de fazer uma análise crítica e racional.

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  2. Não vi esse, mas, no mesmo canal, vi hoje, à hora do almoço, uma notícia sobre um festival aéreo em Bragança, em que o piloto-estrela era o "Jamón Alonso" (sic). Isso e um discurso do Almirante Gouveia e Melo, a propósito (ou com a desculpa) de um navio que voltou não sei de onde. E vi o patrão a dar uma entrevista ao Marques Lopes. E vá lá que, como era de tarde, não vi um daqueles majores-generais tipo versão careca da Carmo Afonso. É o que há.

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  3. é ofensa chamar jornalista a esta gaja que pensa que somos todos ignorantes e estúpidos.
    o meu Advogado é Preto retinto.
    meu Avô conviveu com o António, mais conhecido por Agostinho Neto e com o Mário de Andrade, Mingas, entre outros, principalmente na Casa do Império

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  4. Não percebo essa sanha contra Os Maias e parece-me pura ignorância, ou coisa pior.
    Quem leu, recordar-se-á de que o autor do romance põe um especial cuidado na caracterização de Maria Monforte, destacando nela  aspectos  da sua vida tais como a educação, o meio/origem e a hereditariedade, pois estes factores conjugados serão "as" causas que moldaram o carácter de Maria Monforte e, no  futuro, seriam determinantes na sua conduta moral e explicariam a sua escala de valores _ conforme as Leis inescapáveis do Determinismo presente no romance Naturalista "os Maias".


    Ora certo dia M.Monforte surge na capital, bela e esplendorosa, mas com um gosto duvidoso, pouco discreto, demasiado ostensivo chamando sobre si todas as atenções. Evidentemente despertou a imensa curiosidade de Lisboa inteira e especulava-se sobre a sua origem misteriosa (e duvidosa) e sobre os meios como seu pai teria alcançado a fortuna. Não tardou muito em se descobrir que tinha sido através do comércio de escravos.
     Ora, sabemos que este anúncio bombástico causou escândalo e foi um dos elementos cruciais e decisivos para que Afonso da Maia se recusasse a aceitar o relacionamento entre seu filho Pedro da Maia e M.Monforte e pôs todas as objecções a este casamento, o que levou ao corte de relações entre pai e filho de forma radical. 
    Se por um lado, para  Afonso da Maia era absolutamente condenável a forma como o velho Monforte tinha obtido a sua riqueza, por outro lado havia outra agravante para Afonso da Maia: ele considerava que era inevitável e inescapável que o carácter de M.Monforte tivessem sofrido a influência desse ambiente em que viveu e do qual ela seria um "produto" moldado pela «educação» e pelo «meio», ou seja, ela deambulou entre uma vida faustosa, onde provavelmente os seus caprichos eram atendidos facilmente, mas também uma vida misteriosa, aventureira e obscura, de padrões morais duvidosos, sem vínculos a "normas" rígidas de boa conduta, pois o velho Monforte usava meios ilícitos no comércio de escravos, para obtenção da sua fortuna.
    Tal prática era considerada condenável por Eça de Queirós, tanto que fez eco disso n' Os Maias: lembremo-nos que à boca pequena, toda a "boa sociedade" bcbg  tratava pejorativamente Maria Monforte por Negreira e era rejeitada no "meio" lisboeta. 
    Assim sendo, e não havendo nenhuma passagem significativa de teor "racista", não vejo como pode este romance ferir as susceptibilidades das almas sensíveis... Antes pelo contrário!

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  5. Uma coisa é o activismo ignorante. Outra, grave, é, no seio do poder político por cá, vingar tal ignorância, indigência, cultural.

    Que isso tenha acontecido em certos estado nos EUA, ou mesmo em certas capitais a UE, é significativo do que por lá se passa.

    Que isso se mimetize, por cá, seria também muito significativo: saber-se-ia quem apoia e quem é o actual poder político....   

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  6. Se o chatgpt (e a IA em geral) for programado para servir as mesmas cartilhas ideológicas que já dominam os actuais meios, que transmitem as narrativas dominantes da moda, estará perdido o mundo.  A não ser ,é claro, que o sr Putin carregue no botão nuclear. 

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  7. Por falar em livros, sugiro O Manual do Bom Cidadão  de Jorge Soley. Está lá tudo sobre o assunto woke (incluindo a "cultura" do cancelamento).

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  8. Talvez fosse boa ideia não se ceder acriticamente às «agendas» destes activistas da cultura woke.  Pelo que vou lendo e observando estes espécimes não conhecem limites éticos para os seus "experimentalismos" sem regras, de engenharia social e por isso considero-os, além de pouco credíveis, uma gente presunçosa e presumida que se julga ungida para mudar o mundo _ "vergá-lo", melhor dizendo_ e moldá-lo à sua imagem e semelhança, i.e., segundo a sua ideologia. Sinto enorme desprezo pelas pessoas intelectualmente cínicas, sem quaisquer engulhos morais e que ostensivamente fingem desconhecer que há fronteiras éticas que não podem ser ultrapassadas, sobretudo porque colidem com o sentido de verticalidade/integridade intelectual, comummente e universalmente designada por boa-fé, lisura, conforme à Verdade e «Princípio da honestidade intelectual» _ aquele que impõe as regras de transparência que irão dar credibilidade a pesquisas  científicas. 
    Não é o caso da "engenharia social" essa "construção" do wokismo. 

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  9. DJASS racista . Ora bolas. Depoimento da Elda Joaquim - nascida em Moçambique, bisneta de indianos, neta e filha de moçambicanos vim para Portugal pouco antes de completar 3 anos, acompanhada da mãe,  e irmã.
    É designer de moda. Muito interessante o seu trabalho. Se não fosse a ONG DJASS Elda estaria no desmeprego.

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  10. Não percebi.
    Em que é que a DJASS ter permitido a alguém ter trabalho define ou não o seu racismo?

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  11. Para estes seguidores das agendas woke, Eça, que em várias ocasiões se manifestou contra a escravatura, seria racista e os Maias devem ter "avisos" por causa da forma como a escravatura é tratada.


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  12. Esses wokistas vieram com um só propósito:   e 
    E essa "agenda" é o instrumento de destruição para imporem o Homem "Novo", seja lá isso o que for,  mas _ pelo que se extrai da sua obsessão compulsiva com certos temas (como o passado histórico, a escravatura, a racialização, o hermafroditismo "psicológico" e a sua fixação patológica  com as questões de sexo vs género) _  parece-me que tudo se encaminha para que a tal sociedade "futurista"  seja uma distopia constituída  por não-brancos, não heterossexuais (o heteropatriarcado será expurgados de todo o espaço social, perseguido e condenado ao ostracismo) e será uma sociedade de eunucos, seres assexuados ou de híbridos onde sexo e género já nem seja uma identidade e nomes como Homem / Mulher / Pai / Mãe e seus pronomes adjacentes sejam "arcaismos", i.e., palavras sem uso, proscritas e abolidas do léxico. Aliás, já se ensaia isso: progenitor 1 e progenitor 2. Provavelmente também progenitor 3, 4, ... e porque não? se está tanta gente envolvida na procriação assistida? O(a) dador(a), o(a) receptor(a) o(a) barriga de aluguer, o mentor, o criador, etc... etc. tudo e o seu contrário, ou tudo ao mesmo tempo... é conforme as trocas e baldrocas que apetecerem no momento. porque tudo tem dias. Tudo ao molhe! E siga a marinha.


    O que sei é que a destruição está em marcha: enfraqueceram e deslassaram a sociedade e tornaram as pessoas cada vez mais passivas, indolentes e apáticas. 
    É precisamente essa apatia que torna a vida fácil aos wokistas, para poderem impor à vontadinha as suas perniciosas agendas, perante a total complacência das pessoas.. E conseguiram que as coisas chegassem a este estado, porque amedrontam as pessoas que deles discordam, com insinuações e ameaças de as catalogarem com rótulos insultuosos (onde não se reconhecem) o que torna as pessoas receosos de interpretações distorcidas das suas opiniões. 
    E é assim que impõem as suas ideologias (e agendas) através destas técnicas desonestas de  intimidação para que ninguém; verdadeiramente, lhes faça oposição.  Veja-se  a perda de vigor  das sociedades actuais e como encaram com excessiva tolerância a prepotência dos "woke" e a inflexibilidade  com que os seus activistas tratam os temas que lhe são caros (desde a História, ao racismo, até às questões da sexualidade, etc,) . Veja-se a impunidade e o à-vontade com que exibem a sua intolerância e a soberba dos seus métodos de repressão, como o "cancelamento" para "fecharem" o espaço a qualquer debate, discussão, pensamento e opinião contrários às suas "doutrinas" . Tudo isto se devia combater, porque é inaceitável numa democracia. Mas ao contrário, têm o caminho livre e desimpedido e por isso nunca os "activistas"  estiveram tão "activos" perante a passividade dos que assistem como anjinhos a todo este espectáculo deplorável de gente doida que perdeu o sentido das proporções !!! Ninguém genuinamente lhes dá luta, ninguém lhes põe um travão. A cada dia que passa tornamo-nos mais frouxos e perdemos cada vez mais o sentido de "escala", e até perdemos aos poucos a nossa própria  identidade (até deixar de ser permitida...)...


    É pena que alguns partidos ainda não se tenham apercebido de que há todo um "nicho" de oportunidades para capitalizarem este descontentamento. Apesar do silêncio, porque não têm voz no espaço público, ouço cada vez mais gente a ponderar votar no partido que, se proponha restaurar a normalidade (sem demagogia barata) e acabar com esta teatrada burlesca e mal amanhada, de gente doida. Já cansam!... 

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  13. Quem apoia o wokismo é toda a esquerda. tornou-se ainda mais óbvio desde a geringonça. quem lhes escancarou as portas foio Costa a troco do obséquio de eles lhes abrirem as portas do poder. E a direita moderada fica a ver passar os comboios e a ver por um canudo as sondagens a "subir". 
    Os partidos moderados da direita «falam, falam mas não fazem nada». Têm medo de serem insultados de "discurso de ódio". Os papalvos ainda não perceberam que essa é a fórmula da esquerda para travarem qualquer tentativa de serem contrariados.  mas eu tenho demasiado Gramsci na minha bagagem para me deixar comer por lorpa. A direita tem de perder de vez o medo dessa cartilha da esquerda e da ditadura da sua ideologia.
     A direita tem de ser clara a demarcar-se e, duma vez por todas,  dizer ao que vem e o que defende. Sem medo! 

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