sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Lucros excessivos, cartazes no marquês e a nossa triste sina

Praça Marquês de Pombal.jpg


Talvez por coincidência, enquanto o António Costa e o PS, ao estilo mais populista e demagógico, aliados com a extrema-esquerda tomam de assalto os destinos de Portugal acabado de sair de um doloroso resgate financeiro, quando desesperançados pensávamos que tínhamos batido no fundo, o pior estava para vir: emerge André Ventura, com um discurso revolucionário e demagógico, ao pior estilo do PCP e do Bloco de Esquerda, a fracturar uma direita já de si exaurida. Não é preciso recordar o descaminho que acelerou desde então, mas que se reflecte bem no desaparecimento do CDS e na conquista da maioria absoluta pelos socialistas a que estamos condenados para a eternidade, como que um castigo divino. O PS ocupou o centro político, ocupou o regime e o Estado com que se confunde, enquanto o país empobrece continuamente atolado num destino medíocre, com um macaquinho de realejo como Chefe de Estado.


Aqui chegados temos o partido Chega a misturar o discurso anticapitalista e assistencialista da esquerda radical com o nacionalismo populista "anti-política", reclamando a continuação de apoios governamentais de 125,00 (e a vigilância do povo para que não o gaste em álcool e drogas) e a taxação dos “lucros excessivos” dos privados oportunistas, que têm de ser vigiados de perto pela Autoridade Tributária, de modos a que continuemos garantidamente e igualitariamente todos muito pobres e dependentes de subsídios – os tempos de carência que aí vêm convidam à narrativa. O mesmo André Ventura que se junta aos comunistas a afrontar a gestão da Câmara Municipal de Lisboa – um oásis da direita civilizada em Portugal - exigindo os cartazes de propaganda política de volta à Praça Marquês de Pombal - monumento que a bem dizer não faz falta nenhuma. Enquanto isso a Iniciativa Liberal afunda-se numa guerra interna, o PSD faz pela vida no seu canto do hemiciclo a encaixar as ordinarices do Primeiro-Ministro. E ninguém se lembra de exigir uma taxa pelos lucros excessivos da Autoridade Tributária. Perante este trágico panorama em que é que havemos nós de gastar os 125,00 €?


Fotografia CML -  Curiosa imagem da Praça Marquês de Pombal nos anos 70. Facilitava-se nos cartazes, no estacionamento e na venda ambulante de atoalhados. 

13 comentários:

  1. O que faz falta é  mesmo um Sebastião de Carvalho e Melo em carne e osso. Quanto à sua análise politica convém dizer que é apenas parte da história, por exemplo, se a dita direita do sistema fosse capaz (não apenas ao nível da competência) de enfrentar a situação de décadas com o compadrio instalado e a  corrupçào crescente mais a insegurança (e não apenas no crime puro e duro) sem resposta capaz, e ainda uma politica suicida de imigraçao descontrolada,então não haveria lugar para partidos anti-sistema à esquerda ou à direita. Ou não é assim? 

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  2. Falta resiliência, falta resiliência. E políticos disruptivos.


    O nosso panorama político parece aquelas famílias que têm a casa a cair de podre, mas passam horas engalfinhados a discutir a cor com que devem pintar a parede da sala.


    À frente do país está um poltrão populista, cuja diferença para o outro da Cm TV é não falar mal dos ciganos ou exigir castrações. O estilo é o mesmo, a honestidade é a mesma, o respeito pelos outros é o mesmo. Mas pronto, era ele ou alguém que roubasse o 13º mês e exigisse uma hora de castigo extra aos funcionários públicos, portanto é o mal menor.



    Essa porra não tem conserto. Quando era puto já tinha alguma consciência da esterqueira queirosiana que era o país, mas acreditava na mudança. Hoje não há esperança ou ilusão, apenas cinismo e resignação.

    Quem pode, sai. Simplesmente. Desistiram.

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  3. Foi o psd que nos presenteou com o chega.
    É 'interessante' como certos apaniguados da 'direita civilizada', ou seja mais uma espécie de 'direitela lgbt' que outra coisa, nos querem impingir que a parte má do fenómeno seja as consequências e não as respectivas causas.
    Andamos nisto há mais de cem anos e neste tempo todo o tais apaniguados insistem em dizer que não devemos aprender nada.
    É caso para dizer " … arre porra que é demais"!   

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  4. Exactamente, o fim do psd como partido sério e capaz (e mesmo assim não saberemos nunca se faria diferença duradoura) foi em 1980,tudo depois se resumiu a ser muleta de um regime disfuncional e à medida da esquerda lunática em geral e do "clube" do Rato em particular. 

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  5. Do clube do Rato e este com o apoio do palácio Raton. 

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  6. Mas veja lá, não se esqueça de levar a bússola!

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  7. Realmente essa do monumento não fazer falta nenhuma éra desnecessária, um povo que renega a sua historia não tem razão de viver!

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  8. Leis!? Espere lá que vou ali chamar o sr João Cravinho. 

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  9. E depois (como se o resto já não fosse medonho) temos o seguinte: ----- 

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  10. Tomar de assalto é ilícito? Isso quer dizer que legalmente Goa nos pertence?

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