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A esquerda radical, numa reacção pavloviana, reagiu poucos dias depois da morte da rainha Isabel II incomodada com o espectável dilúvio mediático resultante do acompanhamento das cerimónias fúnebres e de transição na monarquia – pena é que não tenhamos mais oportunidades de abordar o tema subjacente. Nesse sentido, são exemplos os artigos de Daniel Oliveira no Expresso e Carmo Afonso no Público que, vexados, verberam contra a forma de governo monárquica, desprezando o facto de os países onde o sistema vigora serem dos melhores exemplos de avanço democrático.
Carmo Afonso usa até uma abordagem original, congratulando-se com os azares dos monárquicos em Portugal, como com a expropriação dos bens da Casa de Bragança por Salazar, do “perfil humilde” e “discreto” do Duque de Bragança, não referindo a abolição da monarquia constitucional portuguesa e a instauração de uma república, ditatorial, violenta e sempre minoritária no apoio popular, pela força das armas, ou o cobarde assassinato do Rei Dom Carlos e do seu jovem filho o Príncipe Real dois anos antes, práticas políticas que a colunista por certo aprova.
Como os antigos jacobinos ou os soviéticos mais tarde, os dois colunistas acreditam profundamente que a natureza humana, onde ancora a atracção das pessoas pela instituição monárquica e os seus rituais, é moldável. A construção de um “homem novo” que “considere a existência de famílias reais uma afronta” é um idealismo perigoso que, estranhamente, no século XXI ainda seduz demasiados activistas da nossa praça. Como no final da monarquia em Portugal, são poucos, mas ruidosos.
Percebe-se como a morte de Isabel II tenha colocado na ordem do dia e inundado o espaço público com relatos, imagens e testemunhos insuspeitos sobre as qualidades do regime monárquico. Afinal a “rainha de Inglaterra” fez a diferença. Não sei se será surpresa para os progressistas constatarem que sempre que se mudaram os regimes à força, apesar do sangue derramado, não conseguiram mudar as mentalidades como tinham idealizado. Ao menos o sonho de John Lennon no seu castelo de marfim, ficou-se por uma bonita e inconsequente canção: continuarão a existir países, religiões, propriedade, paraíso e inferno… enquanto existirem pessoas. (...)
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Realmente o regime monárquico tem muita qualidade, tem tanta qualidade que até vai despedir quase cem funcionários do palácio.
ResponderEliminarOh Carlos, isso é que é análise política, da fina e profunda. Um pequeno esforço e vai a politólogo.
ResponderEliminarExcelente texto!
ResponderEliminarApesar de eu ter uma antipatia quase visceral pela Monarquia, fiquei rendida à sua argumentação.
Se a análise é fina e profunda não sei, o que sei é que o despedimento de uma centena de trabalhadores através de um comunicado é sinónimo de um humanismo ímpar e capaz de envergonhar muitas republiquetas.
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ResponderEliminaros países onde o sistema vigora serem dos melhores exemplos de avanço democrático
Os não, alguns. Há atualmente, e houve no passado, monarquias que nada tém ou tinham de democráticas.
O Dan e a sra têm mãe, seguramente. O Dan será sempre conhecido como o filho do pai.
ResponderEliminarMonarquia democrática, monarquia democrática ? assim de repente só consigo lembrar-me da Arábia Saudita
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ResponderEliminarNa Europa?
ResponderEliminarRealmente, um monarca que tem um empregado para lhe engomar os cordões dos sapatos e outro empregado para lhe meter a pasta na escova de dentes, não está a esbulhar o erário público.
ResponderEliminarna minha juventude chamava-se 'dor de corno'
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ResponderEliminarNão bate certo, por um lado as monarquias só são queridas pelo povo ignorante ou pelos nobres que acreditam na hirarquização.
Depois temos aqueles aqueles exemplos de Noruega e Dinamarca, tidos como países progressistas, económica e socialmente avançados e exemplos de justiça social e evolução nos costumes. Que são monarquias.
ResponderEliminarMonarca tem empregado, republicano tem assessor.
Não engoma sapato, mas engoma o ego
Além de tudo isto é bom não esquecer o caso do rei da Tailândia que fugiu para a Alemanha (outra monarquia?), junto com o arem, durante a pandemia!
ResponderEliminarNos livros de História figuram muitas monarquias que se transformaram em repúblicas. Não figura, que eu saiba, uma única república que se tenha transformado em monarquia. Deve ser isto a que se chama evolução.
ResponderEliminarAqui ao lado há um país que já foi uma República.
ResponderEliminarProcura aí na biblioteca "Dutch Republic".
ResponderEliminarDe onde o rei emérito fugiu por crimes cometidos enquanto não o era (emérito)
ResponderEliminarE que, dizem as sondagens, gostaria de voltar a sê-lo.
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ResponderEliminarUi, isso foi há tanto tempo.
Creio que acabou, basicamente, porque após as Guerras Napoleónicas todos os reis (e rainhas, e imperadores) da Europa acordaram entre si que não deveria haver repúblicas no continente (com exceção da pobre e marginal Suíça) e portanto obrigaram todos os povos, mesmo aqueles que não queriam um rei, a ter um. Não foi propriamente por vontade do povo neerlandês.
ResponderEliminarAfinal não há nos livros de História ou há mas há muito tempo?
O povo neerlandês está apenas à espera que apareça lá um salvador para os libertar da opressão do rei e da sua corte. Têm de evoluir, aqueles desgraçados atrasadinhos.
Se as sondagens o dizem, que se faça.
ResponderEliminarHear hear!!!
ResponderEliminarMuito gosta você de se ficar pelos títulos e de não aprofundar nunca nada.
ResponderEliminarVocê até invoca um comunicado que não leu no original.
Realmente deve ser um trabalho de " pompa e circunstância " meter 2,5 cm de pasta de dentes numa escova para o senhor lavar os dentes. Um trabalho altamente qualificado que não está ao alcance de qualquer um.
ResponderEliminarResposta à sua altura neste momento, nada que me espante.
ResponderEliminarO que me espanta é que você até fazia um número razoável de comentários muito acertados aí noutro sítio e, de repente o vazio.
A figura humana que não conseguiu ser fiel a uma mulher e acham que consegue ser fiel a mais de 60 milhões de pessoas?
ResponderEliminarCuja monarquia foi instaurada pela marioneta de Hitler. Alguma monarquia reinstaurada democraticamente?
ResponderEliminarOs únicos países em que os monarcas tiveram algum bom senso e perceberam que ou cediam o poder ao povo ou ficavam sem cabeça. Ao contrário de Luís XVI, D. Carlos ou o czar Nicolau, que todos perceberam tarde demais.
ResponderEliminarO BE está falido. Não consta que Carlos III esteja falido.
ResponderEliminarQuem gosta de monarquia pode emigrar para o Reino Unido.
ResponderEliminarSe calhar era por isso que os jovens enfermeiros iam para o uk no tempo do Passos. Eram monárquicos...
ResponderEliminarE continuaram a ír no tempo do Costa.
ResponderEliminarAquilo é uma profissão onde só aceitam monárquicos.
Sabe quanto custa um bilhete para entrar no Palácio de Buckingham? Sabe quanto custa um bilhete para entrar no Castelo de Windsor? Eu sei, que já fui aos dois, e não são baratos.
ResponderEliminarJá entrou nas lojas de qualquer um deles, e viu a quantidade de turistas estrangeiros a comprar recordações?
Falar de esbulhar o erário público na mesma frase em que se fala da monarquia britânica é de gente completamente sem noção da estupidez que está a dizer. A monarquia britânica dá lucro ao pís, ao contrário das presidências da república de sítios pindéricos como Portugal, que não geram dinheiro nem para manter as luzes da escada acesas
Inglaterra foi uma república durante 12 anos. Fizeram tanta borrada que imploraram ao Rei para voltar.
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