A Solenidade da Assunção de Maria ao Céu em corpo e alma é uma das Festas marianas mais antigas na tradição da Igreja. No Oriente, a Festa de hoje faz-se sob a evocação da «dormitio» (dormição) de Nossa Senhora. Esta é uma festa que nos toca, tanto mais que nos diz respeito; é uma festa que suscita o nosso afeto, ou não fosse esta a festa da nossa Mãe; enfim, esta é uma festa que nos move (ou pode mover) o coração, pois se trata, para todos os efeitos, da nossa condição: filhos destinados a ter comunhão com Deus, por Jesus Cristo, o Filho do eterno Pai; homens e mulheres que na história sabem que não estão sozinhos, pois amados por Aquele que nos dá Maria de Nazaré como Mãe, a única que com toda a certeza teológica sabemos nunca abandona os filhos, dela que somos; Povo de Deus que caminha por entre dificuldades e situações espinhosas, com triunfos e sofrimentos, não raro por entre situações de violência e martírio. E não poucas contradições, claro. De todos, em todas as situações, Maria, Assunta ao Céu do Pleno Sentido, em Corpo e Alma, é Aquela que Deus nos dá como exemplo do que seja viver a vida, como mestra das aprendizagens mais duras, como senhora das situações, mesmo das mais difíceis, nomeadamente quando se trata de experimentar as encruzilhadas da vida e, não menos, as angústias da tristeza e da morte. A Festa que a Igreja, já desde a sua véspera, celebra a 15 de Agosto, é, pois, uma festa da Esperança, tanto mais que neste dia podemos contemplar o nosso destino, o horizonte do nosso caminhar; é uma festa da Fé, pois só vê a luz que este dia tem quem quer que abra as portas da sua própria liberdade ao mistério que não se oculta, antes nos pede adesão; enfim, é uma festa do Amor Maior, pois no Rosto de Maria podemos ver, sentir e experimentar, tudo o que ao nosso amor mais falta faz: coerência e mais consistência; inteligência e um sempre melhor discernimento; aprofundamento e continuidade, mesmo quando isso implica roturas ou saltos existenciais. Maria, a Senhora da Assunção, sendo Mãe e Mestra, Luz e Guia, pode, desde logo num dia como o de hoje, aqui e agora, dar-nos tudo o que de melhor precisamos: paciência e determinação, coragem e abnegação, disponibilidade e empenho. Este, na verdade, é um grande dia no calendário litúrgico da Igreja! Em Portugal, sem dúvida, mas também na Itália e no Brasil, bem como em outros países deste nosso vasto mundo, este é um dia em que numerosas comunidades, ora grandes ora mais pequenas, celebram de forma particularmente festiva a sua identidade cristã e a sua devoção mariana. A quem lê, desejo que o dia de hoje fique, de uma forma ou de outra, marcado pela alegria que derivamos do mistério da Ressurreição, o mesmo que celebramos em cada encontro com Cristo, como, desde logo, na Eucaristia.
Pe. João J. Vila-Chã, daqui
Olá.
ResponderEliminarObrigada pela partilha.
Boa semana
Maria
No Brasil, quando o feriado é religioso até ateu comemora (Jô Soares)
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