quarta-feira, 20 de abril de 2022

Um legitimista avant la lettre



Conde Matozinhos.jpg



“Francisco de Sá e Meneses, foi um político senhor de grande moderação e equilíbrio, as decisões difíceis que se viu obrigado a tomar, por fidelidade ao Cardeal Dom Henrique, mancharam de certo modo a sua memória, anátema que terá sido cultivado na cidade do Porto, onde a sua família detinha posições de relevo. Ainda segundo Luís de Sá Fardilha, da Universidade do Porto, a preocupação principal de Francisco de Sá e Meneses terá sido a de «limitar, tanto quanto possível, as vítimas e a destruição que uma guerra aberta, cujo desfecho estava decidido à partida, não deixaria de provocar». Não esqueçamos que a catastrófica batalha de Alcácer-Quibir, que depauperara o país em meios e pessoas, se dera pouco menos de dois anos antes. Para mais, a história ensina-nos a oposição às decisões difíceis em face ao populismo sempre ribombante.”

 



Este é um trecho sobre o grande poeta e político que foi I Conde de Matosinhos, retirado de um capítulo a ele dedicado no meu livro “A Casa de Abrantes, crónicas de resistência” cujo lançamento anunciarei muito em breve.

2 comentários:

  1. Caro João Távora:


    Aguardo com curiosidade o seu livro, e a certeza antecipada de que não deslustrará os escritos por seu ilustre Pai. Desde já é bom sabermos que crónicas de "resistência" não são apenas as da resistência... "anti-fascista"!


    Tenho uma leve objecção ao título do seu apontamento de hoje, porque me parece não fazer inteiramente justiça aos nossos "legitimistas". O termo, mesmo aplicado "avant la lettre", não faz justiça aos nossos monárquicos que entendiam ser o senhor D. Pedro 
    ( e seus directos descendentes) ineligível para monarca português, visto ser imperador do Brasil, já independente. Quero dizer: os nossos monárquicos eram legitimistas porque se consideravam, antes do mais, portugueses.


    Sob este ponto de vista, com a mesma lógica, nunca se pode considerar como "legitimista" a  posição do 1º conde de Matosinhos, um dos governadores do Reino após a morte de D. Henrique. Qualquer que fosse o seu "compromisso" com o velho cardeal. A fidelidade portuguesa deveria estar sempre, acima de tudo o mais, com D. António Prior do Crato, aclamado rei em Santarém e que, efectivamente, reinou com todas as prerrogativas reais durante dois meses. (Caso definitivamente esclarecido desde 1956 na ampla tese de doutramento de Joaquim Veríssimo Serrão.)

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  2. Obrigado pelo seu comentário. O livro de facto versa o legitimismo de cinco gerações de marqueses de Abrantes, e uma incusrão à biografia de Francisco Sá e Meneses, também ele um proto-legitimista. Todos eles patriotas, como estou certo concirdará depois de ler o livro. 
    Cordiais cumprimentos,  

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