sexta-feira, 12 de março de 2021

António Costa

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Fui vendo comentários mais técnicos sobre este boneco (não tem legenda, não tem escala, não é verdadeiramente um gráfico, é apenas um boneco) ou comentários mais gestionários (estes critérios não fazem sentido nenhum porque à medida que a doença se vai tornando endémica o R(t) tende para um e outras coisas que tais).


Este boneco é mesmo apenas um boneco criado para alegrar a comunicação política de ontem, dando-lhe um ar de cientificidade e de controlo sobre a epidemia, nada mais que isso, hoje já não serve para nada.


António Costa estava entre a espada e a parede, por um lado um Presidente da República, o maior partido da oposição e a imprensa, apoiados pelos quatro matemáticos do apocalipse, que querem tudo fechado porque estão convencidos de que uma epidemia é controlada por nós; por outro uma sociedade abafada por medidas administrativas que dia a dia, à medida que a percepção dos problemas causados pela epidemia se vai alterando, vão tendo cada vez menos apoio e serão cada vez mais contestadas pelo dois mecanismos politicamente mais corrosivos: a indiferença geral perante o cumprimento das regras estabelecidas e o riso.


António Costa fez o que lhe é natural e habitual: discursou para uns, e tomou decisões para outros.


As decisões que contam são as que dizem respeito à próxima segunda feira, e que permitem aliviar a pressão sobre os pais com crianças pequenas e sobre a restauração, e a ficção sobre a Páscoa, em que tirando sítios específicos, onde há câmaras de televisão às vezes, ninguém liga nenhuma à proibição de circulação entre concelhos.


As decisões para as quinzenas seguintes são apenas parte do discurso para lidar com o medo, se se aplicam ou não logo se verá a seu tempo, em função da percepção pública do risco associado à doença.


O boneco acima é uma peça desta maneira de governar e comunicar, não é um gráfico, não é uma definição de critérios, é apenas o que é: um boneco para distrair a atenção dos ansiosos, à medida que se tomam outras medidas inevitáveis face à situação do país.


Desse ponto de vista, é uma peça de comunicação inatacável: não diz nada mas faz imenso barulho.

13 comentários:

  1. Bom dia Henrique, a minha única dúvida sobre o que diz é nesta passagem - 


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  2. Eu há semanas que estou a desejar transitar entre concelhos e não o faço, porque (1) os comboios intercidades estão parados ao fim de semana, (2) há patrulhas da GNR nas estradas.


    Não percebo que raio de viagens é que o Henrique faz e lhe permitem não ligar nenhuma à proibição. Eu já por três vezes fui parado no meu carro por patrulhas da GNR quando me preparava para atravessar fronteiras entre concelhos, e já tive que cancelar viagens porque me informaram que os comboios parariam a meio do caminho.

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  3. há [sic] medida que a doença se vai tornando endémica o R(t) tende para um


    O R(t), como a notação sugere, é uma função de t, ou seja, varia com o tempo. Ele não tende para um, ele varia ao longo do tempo. Em particular, varia com a meteorologia. Umas semanas é mais alto, outras semanas é mais baixo. Oscila. Não é uma função monótona, que tenda para um qualquer limite.

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  4. os quatro matemáticos do apocalipse


    Talvez a informação mais luminosa que extraí da alocução de António Costa foi que os especialistas pelos quais ele se guia são Raquel Duarte, que é uma epidemiologista, e outra pessoa (um homem, cujo nome não recordo) que presumo também seja epidemiologista, E não os quatro famosos matemáticos. Aparentemente, os matemáticos foram postos fora de jogo. O que é excelente, e explica porque é que eles andam tão furiosos e tão maledicentes.

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  5. os dois mecanismos politicamente mais corrosivos: a indiferença geral perante o cumprimento das regras estabelecidas e o riso


    Não vejo motivo nenhum para riso. Isto não tem graça mesmo nenhuma.


    Não há indiferença geral. Há certamente alguns estabelecimentos que estão a furar a ordem de fecho, mas a imensa maioria deles tem que a cumprir e cumpre-a. Andando pelas ruas, vejo muita gente a andar na rua, mas os estabelecimentos estão todos fechados.

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  6. Quanto à substância, quem o diz não sou eu, são pessoas que se dedicam à epidemiologia há muito tempo: se o r é menor que um, a doença extingue-se, se é maior que 1, aumenta, para se manter endémica o R tem de andar por volta de 1

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  7. Alguém sabe como é que se calcula aquele número?

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  8. O António Costa é o que é. Mas os portugueses... há algo de errado com eles.

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  9. Bandalhos, aldrabões incompetentes e ignorantes   -   beneficiando da abulia de todo um rebanho...
    JSP

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  10. aziatices e monhezices, como disse JJ a Narana 

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  11. Já vi que é o somatório dos casos dos últimos 14 dias por 100 mil habitantes. Não percebo porque é que não usam a média em vez do somatório. Assim vai causar muita confusão.

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