segunda-feira, 25 de maio de 2026

A agência Lusa e a verdade

"Desencadeado a 28 de fevereiro por um ataque norte-americano e israelita ao Irão, o conflito alastrou-se a grande parte do Médio Oriente e causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, onde o movimento pró-iraniano Hezbollah se juntou às hostilidades no início de março, atacando território israelita."

Este é um parágrafo que o Observador reproduz acriticamente, vindo da agência Lusa, sobre a guerra no Médio Oriente.

Sim, é verdade que a 28 de Fevereiro houve um ataque ao Irão por parte dos Estados Unidos e Israel.

Não, não é verdade que o conflito se tenha alastrado a grande parte do médio oriente, quer porque os conflitos no Médio Oriente são anteriores a esse ataque, quer porque, apesar dos esforços do Irão em alargar o conflito, não houve, até hoje, alastramento nenhum.

Sim, é verdade que ataque provocou mortos (vamos admitir que são milhares, não faço ideia), mas qualquer conflito provoca mortes, o certo é que, no caso do Irão, desde o princípio deste ano morreu muito mais gente por causa da repressão do regime que por causa do conflito armado com os Estados Unidos e Israel.

Não, não é verdade que o movimento pró-iraniano Hezbollah se tenha juntado às hostilidades, quer porque o Hezbollah não é um movimento pró-iraniano, é um grupo terrorista que controla o mais poderoso exército irregular do mundo, financiado, treinado e armado pelo Irão, quer porque o Hezbollah mantém operações militares continuamente contra Israel, há muitos anos, muito antes do ataque de 28 de Fevereiro.

Eu não consigo entender se quem escreve estas coisas na LUSA acha que os seus leitores são bocadinhos de plasticina que se moldam em função do que quer que digam os jornalistas da LUSA, ou se acha mesmo que não há distinção entre jornalismo e propaganda (já nem discuto as razões para qualquer pessoa decente apoiar um regime como o iraniano, disponibilizando-se para ser seu porta-voz).

13 comentários:

  1. no caso do Irão, desde o princípio deste ano morreu muito mais gente por causa da repressão do regime que por causa do conflito armado com os Estados Unidos e Israel

    Como é que o Henrique sabe isto?

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  2. o Hezbollah é um grupo terrorista que controla o mais poderoso exército irregular do mundo

    O Hezbollah não leva a cabo, que eu saiba, quaisquer ações terroristas, mas sim ações de auto-defesa do Líbano e especificamente da sua comuniade xiita.

    Lá por os Estados ocidentais decidirem classificar o Hezbollah como terrorista, não quer dizer que o seja. Os Estados ocidentais, tal como todos os Estados em geral, mentem.

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    1. Quer explicar o que é o ataque indiscriminado contra cidades Israelitas com milhares de roquetes?

      Ou as bombas no Líbano, Bulgaria e outros locais?

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    2. Os Estados, em geral, mentem, tu, em particular, mentes com quantos dentes tens ao classificar as acções do Hezbollah como acções de autodefesa do Líbano, coisa que nem o Hezbollah faz.

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    3. o que é o ataque indiscriminado contra cidades Israelitas com milhares de roquetes

      É um ato de guerra normal. Não é terrorismo, é guerra.

      O Hezbollah está em guerra contra Israel por variadas razões, entre outras porque considera que Israel ocupa uns pedacinhos de terra (acho que se chamam "as quintas de Shebaa", não estou bem certo) que segundo o Hezbollah deveriam ser libanesas.

      Se bombardear populações civis em cidades é terrorismo, então Israel é também uma organização terrorista. Se Israel tem o direito de se defender, então o Líbano tem o mesmo direito.

      Confundir terrorismo com guerra é muito estranho.

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    4. Estranho é o teu raciocínio. Israel não bombardeia indiscriminadamente e o Helbollah não está a defender o Líbano (nem eles dizem isso), está a tentar matar indiscriminadamente civis de um povo que quer extinguir, tal como eliminar o Estado de Israel

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    5. Israel não bombardeia indiscriminadamente

      Cada qual combate com as armas que tem, umas são mais precisas e outras menos. Israel tem armamento que lhe permite bombardear de forma mais precisa. O Hezbollah tem armamento menos sofisticado e, por isso, mais indiscriminado.
      Ainda assim, na prática os bombardeamentos de Israel, mesmo que não sejam indiscriminados, parecem-no...

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    6. Bombardear civis indiscriminadamente é o que está ao alcance do Hezbollah, é por isso que são considerados terroristas

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    7. Segundo o Luis Lavoura bombardear cidades indiscriminadamente
      "é um ato de guerra normal"...


      "Ainda assim, na prática os bombardeamentos de Israel, mesmo que não sejam indiscriminados, parecem-no..."
      - Tem piada, como explica Libaneses que se reunem para filmar os ditos bombardeamentos?

      "Confundir terrorismo com guerra é muito estranho."
      é precisamente isso que quer fazer. Demonstra-o ainda como não respondeu aos atentados do Hezbollah.

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  3. "Não, não é verdade que o conflito se tenha alastrado a grande parte do médio oriente, quer porque os conflitos no Médio Oriente são anteriores a esse ataque, quer porque, apesar dos esforços do Irão em alargar o conflito, não houve, até hoje, alastramento nenhum."
    Então também não é verdade que o ataque do Hamas a Israel tenha despoletado a guerra em Gaza, porque a guerra é muito anterior a ele. Lá se vai a legitimidade de Israel de matar mais de 60000 palestinianos.
    Estes racicínios seguem sempre este padrão: quem ataca Israel ou os EUA é um terrorista porque não há guerra, é um crime. Israel tem direito a bombardear civis porque está em guerra, não é crime.
    Gostava que se decidissem: ou estão em guerra e o Hamas e o Hezbolah não são terroristas, ou não estão em guerra e o bombardeamento de civis e instalações não militares é um crime. Não podem ser as duas coisas ao mesmo tempo.

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    1. Não entendo para que respondo eu a comentários desonestos.
      O que escrevi foi que não era verdade que a guerra alastrou a grande parte do médio oriente.
      Qual é a relação disso com a estupidez sobre a legitimidade de Israel?

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  4. Mais um a defender a estratégia militar palestiniana, que é feita em matar civis, os dos inimigos e os próprios.
    Não tem precedente histórico e é só possível com a pior profissão no Ocidente : o jornalismo.

    Por isso é que o anónimo das 12:18 não quer falar porque é que os mais de 70000 rockets e mísseis sobre Israel provocaram tão poucas mortes civis.

    Isso exporia a sua recompensa a quem não se preocupa com o seus civis.
    O grau mais baixo de civilização.

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