Sempre que surgem notícias sobre a hipótese de ser promovida e facilitada a migração voluntária que pessoas que vivem em Gaza, surgem não sei quantas pessoas a protestar com essa hipótese, dizendo que se trata de uma limpeza étnica.
Diga-se que uma das principais dificuldades de materialização desta possibilidade de migração voluntária se prende com os destinos de acolhimento, que são poucos e nada fáceis.
Há poucos países, por mais solidários que sejam com a causa palestiniana, disponíveis para receber palestinianos.
Tem sido sempre assim, há décadas, em que a integração dos refugiados palestinianos nas sociedades de acolhimento tem sido um fracasso que nos envergonha a todos.
Outra das dificuldades é ideológica, há um conjunto de pessoas que entendem que não se deve facilitar a saída de palestinianos porque isso seria reconhecer que não tem direito à sua terra.
É um argumento que não compreendo, quem tem de decidir se fica ou não na sua terra, é o próprio e um dos muitos dos problemas dos habitantes de Gaza é que, mesmo que queiram, sejam quais forem as suas razões, têm enormes dificuldades em sair dali.
Mais absurdo é o argumento de que quem tem de sair são os israelitas, porque são colonos ocupantes que deveriam ser obrigados a voltar para as suas terras de origem.
Conheço várias pessoas que se indignam com o "volta para a tua terra" dirigido a imigrantes ou seus filhos, mas acham normal que se diga a israelitas exactamente o mesmo, até em situações em que a pessoa em causa nunca conheceu outra terra, nem os seus pais nem, às vezes, os seus avós.
Para além disso, a terra de onde os seus bisavós migraram há três ou quatro gerações é hoje uma terra francamente hostil para os judeus, com políticas de Estado antissemitas (escusam de vir com a especiosa distinção entre políticas antissemitas e antissionistas, essa distinção não existe em países como o Irão e Iémen, só para citar dois países de origem de grandes comunidades judias que migraram para o território do que é hoje o Estado de Israel).
Não discutindo a imensa complexidade de toda a situação no médio-oriente no que diz respeito a Israel, não se percebe o que raio querem dizer as pessoas que defendem que os israelitas deveriam desocupar o que ocuparam indevidamente e voltar para as suas terras de origem.
Razão teve Mandela quando percebeu que a estupidez racista do seu aliado Mugabe, que tinha uma política evidente de expulsão dos rodesianos com a cor de pele errada, não só era injusta, como era pior para todos.
Não é verdade que o Irão seja antissemita. Continua a haver alguns milhares ou dezenas de milhares (ninguém sabe bem quantos) de judeus no Irão. Em Teerão há um hospital judaico. Sinagogas não faltam. Embora haja desconfiança das autoridades em relação aos judeus, eles não são perseguidos.
ResponderEliminarAs terras de onde migraram os avós ou bisavós dos israelitas atuais não são todas hostis para os judeus. Muitos israelitas de origem polaca ou alemã obtêm sem dificuldade nacionalidade desses países. (E quando digo "origem" refiro-me a avós, não somente a pais.) Muitos israelitas de origem soviética mantêm contacto regular com os seus países (Rússia, Ucrânia, etc) de origem e têm sem dificuldade dupla nacionalidade.
ResponderEliminarMesmo em muitos países árabes, atualmente os judeus já não são hostilizados. Há israelitas a instalarem-se nos Emirados Unidos, e no Egito e Marrocos sempre permaneceram alguns judeus.