segunda-feira, 1 de junho de 2026

O suicídio sindical

Como a generalidade das pessoas, ligo pouco ao que fazem, e menos ainda ao que dizem, os sindicatos, organizações que estão tão desligadas dos trabalhadores que a anterior Secretária Geral da CGTP era uma senhora que toda a sua vida profissional se limitava a funcionária sindical.

Achei curioso um título sobre os quatro dias de greve convocados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Migração numa semana em que há uma greve geral à quarta feira e um feriado à quinta, que resolvi ver a notícia para saber que greve era essa.

É uma greve à segunda, terça, quarta (o dia da greve geral), interrompe à quinta (feriado) e retoma a sexta-feira, num princípio de Junho de tempo ameno.

Ri-me, naturalmente, da caricatura em que os funcionários dos sindicatos estão a transforma o movimento operário e iria passar à frente quando reparei nas reivindicações que justificavam os quatro dias de greve.

 “crescente degradação das condições de trabalho e o aumento da pressão sobre os trabalhadores, sem o correspondente reforço de meios humanos e técnicos” e “preocupação com o recurso ao ‘outsourcing’ em funções de elevada complexidade técnica, colocando em causa a qualidade do serviço público”.

Os funcionários dos sindicatos vivem num mundo de fantasia em que, com milhares de migrantes dependentes do seu trabalho, acham bem decretar quatro dias de greve com um feriado pelo meio, isto é, ir uma semana para férias, com o argumento de que o trabalho é muito e de que o Governo está a contratar trabalho externo porque o trabalho é muito.

Caros sindicalistas, tenho uma notícia para vos dar.

Da mesma maneira que políticas completamente irresponsáveis sobre migração acabaram em medidas anti-migração e votações expressivas em quem defende excessos securitários como solução para os problemas daí decorrentes, a acção sindical completamente irresponsável e conduzida por um partido que tem três deputados como representação parlamentar (e menos de 3% dos votos) vai, seguramente, desaguar numa revisão da legislação sobre sindicalismo e greve de que os actuais funcionários sindicais vão, de certeza, gostar muito pouco.

É uma questão de tempo e oportunidade política, camaradas.

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