sexta-feira, 12 de junho de 2026

Bruno Cardoso Reis

Por razões que me escapam, os ouvintes da rádio Observador, bem como os leitores do jornal (mas aqui podem simplesmente não ler), passam o tempo a ouvir grandes considerações do historiador Bruno Cardoso Reis sobre a guerra no Médio Oriente.

Não o conheço, não sei o que fez na vida, só hoje, quando comecei a escrever este post é que fiquei a saber que foi assessor de João Cravinho no ministério da defesa, mas quando aparece, já sei o que vai dizer: que Trump é um idiota e que tudo o que disser ou fizer é uma coisa estúpida que qualquer criança percebe que é completamente absurda, infantil e contraproducente.

Eu não sei o suficiente do assunto para saber se este artigo é totalmente rigoroso, mas ao menos tem dados e é consistente com o que consigo perceber do assunto: de cada vez que o Irão tem tomado uma iniciativa militar, o resultado é ficar ainda mais fragilizado, militar e economicamente falando.

Pelo contrário, Bruno Cardoso Reis não olha para a realidade do que está a ocorrer no médio oriente, ou melhor, não tenta olhar, porque realmente a situação é muito complexa e é difícil ter ideias claras sobre o que está a acontecer em cada momento, e prefere discorrer sobre as contradições, avanços e recuos, excessos retóricos de Trump, concluindo sempre que ele, Bruno Cardoso Reis, teria muito mais sucesso que Trump a lidar com o regime iraniano.

Nem os mais de 40 anos de regime e de diplomacia aplicada à contenção do regime, com os resultados conhecidos, o fazem ter dúvidas sobre a eficácia de uma diplomacia que não assente no uso da força que, aparentemente, parece ser a opção de Trump.

Aparentemente Trump segue a linha do pai do Raúl Solnado: quer queiras, quer não queiras, vais ser bombeiro voluntário.

Para isso usa uma retórica delirante, que não interessa nada, apoiada no uso real da força sempre que o Irão resolve testar a vontade militar americana, como vem fazendo desde o princípio (e fez nas últimas décadas, como parece meridianamente claro).

Se se pensar, com um mínimo de racionalidade, no custo para o Irão do abate de um helicóptero americano, sem qualquer consequência militar relevante para o Irão, não há como deixar de se estranhar como há gente que passa o tempo a dizer que o Irão está a fazer o que quer dos Estados Unidos e que Trump está tramado.

A minha perplexidade é simples de descrever: se a generalidade dos ouvintes da rádio já sabem o que vão ouvir de cada vez que aparece Bruno Cardoso Reis (que, no essencial, não se distingue do discurso dominante anti-Trump e Israel), qual é a utilidade de o ter sempre a dizer as mesmas coisas?

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