quinta-feira, 11 de março de 2021

Fomos salvos pelo jornalismo e não sabíamos

Enquanto se alastrava de forma descontrolada pelo mundo, a covid-19 foi ganhando espaço nos meios de comunicação. Em Portugal o cenário não foi diferente e os média assumiram um papel crucial na contenção da propagação do vírus na primeira vaga. Esta foi a conclusão de uma investigação que analisou cerca de três mil notícias durante as vagas pandémicas que assolaram o país.


"Na primeira vaga, a situação epidemiológica não era tão grave quanto pensávamos, mas a cobertura noticiosa foi muita intensa e antecipou-se ao agravamento do quadro sanitário, contribuindo para orientar o comportamento dos cidadãos no sentido de se protegerem", explica Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho e coordenadora do trabalho.


No entanto, esta intensidade noticiosa não se verificou nos meses seguintes. Os dados do estudo mostram que o número de notícias sobre a covid-19 publicadas ao longo da primeira vaga foi três vezes superior às da terceira. "Estas oscilações podem ter consequências. Importa reconhecer o papel do Jornalismo e fazer dele parceiro em situações de crise sanitária", defende Rita Araújo, investigadora do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. (in JN 10 de Março)


Já sabíamos que ele há "estudos" para todos os gostos e com objectivos mais ou menos obscuros. Este de que transcrevo um trecho acima pretende provar a importância que os media tiveram na contenção da pandemia, e como um certo alívio ”do alerta noticioso” pode explicar uma menor adesão da população na terceira vaga. Na minha opinião o massacre dos media, principalmente os telejornais com a tabloidização da pandemia no último ano, vem resolvendo com sucesso o problema da preguiça ou falta de recursos das redacções que deste modo disponibilizam a baixo custo conteúdos emocionais para atrair o voyeurismo das audiências. Como qualquer jornalista saberá, não há muitas notícias mais vendáveis do que aquelas que mexem com a saúde pública e os medos associados a qualquer fenómeno que a ameace. Uma coisa é certa: complexidade não é amiga do jornalismo em geral e do preguiçoso em particular, e sei de muita gente que ultimamente vem evitando ver telejornais que a sanidade mental é um bem a preservar. Também porque na medida em que a pandemia se vem revelando amplificadora das audiências a procura da verdade tornou-se uma mera inconveniência.

11 comentários:

  1. A notícia tem uma nota de que a dona Felisbela foi (é?) muitas vezes convidada para comentar assuntos nos media?

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  2. Por acaso também encontro umas correlações interessantes entre frequência de notícias e evolução da epidemia.


    Quando não há notícias sobre a Suécia constato sempre que lá a evolução da epidemia está a ser benigna. E vice-versa. Nem sequer preciso de olhar para os gráficos.
    Ao contrário, quando deixou de haver notícias sobre a República Checa verifiquei que a evolução passou a ser muito desfavorável - à narrativa apologética dos confinamentos e das máscaras, entenda-se. E nunca mais vi notícias sobre o país. Interessante.


    Mas há outras correlações interessantes. Quando se trata de comparar evoluções da epidemia onde existem "experiências naturais" com verdadeiros grupos de controlo, como sejam os casos de Dakota do Sul (sem confinamento, sem mácaras obrigatórias e com tudo aberto) e Dakota do Norte (com confinamento, máscaras obrigatórias, escolas e estabelecimentos não-essencias fechados), ou da região dinamarquesa da Jutlândia do Norte, onde 7 municípios implementaram confinamento rigoroso e 4 permaneceram abertos, nunca houve notícias. E seria tão fácil o jornalismo salvar-nos, se de facto persistisse na busca da verdade, apresentando imagens como as seguintes:


    Portanto, acho que sim. Se o jornalismo nos tem salvo é sobretudo de verdades incómodas contrárias a tudo o que não gera receita à indústria noticiosa, como sejam o alarmismo e o pânico.

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  3. Chuva em Novembro, Natal em Dezembro. Já dizia o outro 

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  4. É pena o comentário ter saído anónimo. Se assim não fosse, gostava de o felicitar evocando o seu nome ou apelido.

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  5. Só não houve subscritores em barda. Que pena, os confinamentos são grandes dissuasores de ajuntamentos. Estaríamos então, perante mais uma carta aberta (pegam de escantilhão) aos srs. Jornalistas _ mas desta vez com louvaminhas.  
    Ele há de tudo como na Farmácia!

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  6. A Felisbela Lopes esteve ontem no telejornal da 2: e explicou de que forma é que o jornalismo nos salvou: transmitindo as ordens do governo. Ela disse que há muita contra-informação nas redes sociais, mas que o jornalismo foi sempre uma âncora para os cidadãos, que graças a ele recebem as ordens que o governo lhes quer transmitir, a verdade oficial a que temos direito.
    Digno da União Soviética.

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  7. ...e é mais outra que julga que as coisas "se alastram" e ignora que elas alastram apenas.

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  8. Comentar em máquinas alheias dá nisto: sai anónimo. Mas considero-me felicitado.


    Pode ver comentários meus aqui neste blogue nos links seguintes, por ordem cronológica inversa, onde talvez encontre alguma informação interessante:
    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/a-peste-suina-africana-os-especialistas-7285466#comentarios

    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/est-modus-in-rebus-7280040#comentarios

    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/outra-vez-a-informacao-7273966#comentarios

    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/henrique-oliveira-e-a-sociedade-aberta-7273051#comentarios

    https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/baltazar-nunes-e-as-escolas-7271459#comentarios



    Bem haja.

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  9. Comentando o 2º comentário que

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  10. Obrigado pela sua atenção.

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