Marta Leite Ferreira assina esta peça no Observador.
"Portugal já está a ter resultados do confinamento obrigatório e generalizado imposto em meados de janeiro quando a pandemia se tornou incontrolável. O número de novos casos de infeção pelo novo coronavírus revela que o país já ultrapassou o pico da terceira vaga (terá acontecido entre o final de janeiro e o início de fevereiro)", diz Marta, que há meses acompanha a evolução da epidemia.
Saltemos por cima da ideia de que uma coisa incontrolável foi controlada, e centremo-nos antes na ideia de que o pico terá acontecido entre final (não me habituo a esta nova moda de escrever à brasileira, trocando fim por final) de Janeiro.
Luís Aguiar-Conraria escreveu um artigo muito bom no Expresso desta semana em que usa este gráfico (ou o da semana anterior, mas é igual, não têm alterações relevantes) que é publicado pelo Instituto Ricardo Jorge no seu boletim semanal sobre a curva epidémica e a transmissibilidade.

Qualquer pessoa consegue ver que o pico está ali por volta de 18 de Janeiro, é esse o ponto em que a curva inflecte e deixa de subir.
Como este é um gráfico dos casos positivos - é diferente do que a generalidade dos grandes sites sobre a epidemia publica porque estes usam os dados dos relatórios diários da DGS e o Instituto Ricardo Jorge faz a sua correcção para a data dos sintomas - podemos dizer que o pico de contágios andará entre 13 e 15 de Janeiro.
Em havendo dúvidas, olhemos para o gráfico da evolução do R(t), proveniente do mesmo relatório (este é o relatório de 12 de Fevereiro, todas as sextas se publica um novo boletim que pode ser consultado aqui).

Note-se que onde está marcada a véspera de Natal poderia estar marcado o início da anomalia meteorológica que ocorreu entre 24 de Dezembro e 20 de Janeiro (como o mais influente dos modeladores da epidemia me perguntou de que anomalia falava eu, calculo que haja um desconhecimento geral sobre o assunto, e por isso sugiro a quem queira documentar-se, que dê um salto aqui).
O que interessa neste gráfico é a que a alteração essencial do R(t) confirma que a transmissibilidade teve uma subida brusca durante duas semanas, um pequeno planalto ali por volta de 6 de Janeiro e depois começou a diminuir rapidamente, com um pequeno soluço por volta do dia 15, que não altera a tendência geral (por sinal, indiferente às medidas tomadas para qualquer pessoa que olhe para o gráfico tal como ele é, em vez de andar à procura da segunda derivada).
Cara Marta, perante isto, que é o que é e está bem documentado, insistir que o pico foi no fim de Janeiro/ princípios de Fevereiro, não é nem bom jornalismo, nem ser uma boa cidadã empenhada em combater a epidemia, é mesmo só mau jornalismo, ou melhor, muito mau jornalismo e um péssimo serviço prestado à necessária gestão sensata da epidemia.
Essa guerra no microbioma, talvez seja um processo eleitoral lá deles, os seres que vivem nessa escala da vida.
ResponderEliminarDepois queixem-se que as pessoas não compram jornais
ResponderEliminarA incompetência dos jornalistas, com raríssimas excepções, é total.
ResponderEliminarDesde pivots das TVS abrirem noticiários com reprimendas que só falta bater nos espectadores, até comentaristas trapalhões que dizem que a abertura do Natal era equilibrada para um mês de pois dizer que o governo andou mal, passando por políticos que conforme as sondagens assim vão espalhando a sua incompetência, há de tudo.
A ausência de referências nos media sobre a anomalia meteorológica (daí a ignorância dos ditos "especialistas" de epidemiologia) só é compreensível por ir contra aquilo que o mainstream sempre divulga. Se a anomalia, isto é, a "onda de frio" extremo, tivesse sido uma "onda de calor", não faltariam os alarmes somados da Covid e do aquecimento global.
ResponderEliminarAs semelhanças do alarmismo das alterações climáticas e da Covid, o estabelecimento de medidas por consenso de "cientistas", a ostracização de qualquer opinião discordante, por mais bem documentada que seja, são aspetos comuns que revelam um paradigma arrepiante no controle da opinião pública.
O comentário anterior é assinado J. Rocha
ResponderEliminarOs politicos não querem admitir a realidade de um país onde se morre de frio. E que eles são os principais responsáveis por esta situação. Por isso usam outras desculpas.
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ResponderEliminarVisoas, Carminhas e Martas (tudo fêmeas), nunca recuperaram a credibilidade desde a ok teleseguros.
ao
Caro Henrique,
ResponderEliminarAdmiro a sua resiliência em tentar explicar um assunto complexo onde a queda para a emoção está sempre à espreita. Em Portugal não existe jornalismo - há muito deixei de ver programas de "informação" na TV e jornais compro raramente - alguns nunca.
Grata por uma voz dissonante e que me ajuda a ser céptica.
Fique bem,
Catarina Silva
Acho que nem sequer se trata de jornalismo. O que depreendo é alguém a papaguear uma campanha de marketing ao serviço de vários interesses económicos.
ResponderEliminarE as campanhas de marketing destinam-se a criar nas pessoas necessidades de produtos de que elas não precisam, receios e alarmismos infundados e condições favoráveis aos interesses que as promovem.