Como monárquico objector de consciência no que a este circo das presidenciais diz respeito, era minha intenção não meter a colher no caldo que se entorna por estes dias a cada dia. Mas acontece que aquilo a que assisti ontem acidentalmente na SIC notícias, a prestação de Marcelo Rebelo de Sousa no frente a frente com Marisa Matias, pareceu-me mau demais para ser verdade - e não consigo evitar umas palavras. Ora veja-se como o professor, com o fito de evitar o conflito, conseguiu ultrapassar a adversária pela esquerda: começou por descartar-se higienicamente das suas ideias e do combate por si protagonizado em tempos contra o aborto livre, anuiu à reposição da isenção de taxa moderadora do governo PSD-CDS de que quase pediu desculpa por ter-se afirmado favorável há uns meses, e foi incapaz de se distanciar da lei Isabel Moreira sobre adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Finalmente, não deixou de se lamentar, como se de um troféu se tratasse, da falta de apoio dos partidos "da direita" que ele mesmo faz questão de se afastar como da peste.
Ora acontece que a eleição de um presidente da república se procede não só através da avaliação do caracter do candidato, mas por força da adesão às suas convicções e ideias, que Marcelo faz por desvanecer e anular, numa tentativa desesperada de agradar a toda a gente. Acontece que o aspecto distintivo dum presidente da república enquanto instituição é a de ser sufragada pelo voto em função de um conjunto de ideias e não de outras suas opostas, aspecto tanto mais decisivo quanto o facto do nosso sistema semi-presidencialista impor um determinado conjunto de faculdades de interferência nos restantes poderes, legislativo e executivo, ao Chefe de Estado.
Marcelo equivoca-se redondamente pretendendo pairar acima da política em que sempre participou como protagonista ou comentador, e quanto a mim seria sábio que assumisse as suas posições e a sua história. Porque se assim não for, não faz qualquer diferença tê-lo e Belém. Os portugueses podem perdoar tudo a um político mas tenho dúvidas que desculpem a cobardia.
P.S.: O âmbito da acção política dos monárquicos insere-se precisamente na questão do modelo Chefia de Estado. Quando esse tema é o fulcro das próximas eleições, os monárquicos podem e devem imiscuir-se no debate.
Marcelo tem sido simplesmente brilhante, é um homem de inteligência e sensibilidade fantásticas, de caráter inquestionável e está no local certo, o psd é que se deslocou e radicalizou à direita, ultrapassando o próprio cds, no liberalismo e na obediência cega à troika e aos agiotas.
ResponderEliminarPortanto, essa da "cobardia" é para rir. Cobardes são os partidos de direita que se puseram quatro anos de joelhos e cabeça baixa deixando escapar a soberania nacional para sermos um protetorado alemão.
Isto só significa uma coisa: que a maioria dos portugueses é a favor do aborto, da adopção pelos casais homossexuais e do fim da taxa moderadora - contrariamente a uma minoria católica, conservadora e de direita.
ResponderEliminarSe assim não fosse, o tal professor - especialista em direito (aqui ainda vá que não vá, apesar de que não deve por os pés na faculdade de direito muito frequentemente), em relações internacionais , em literatura, em futebol, em política, em meteorologia , em psicologia e, sabe-se lá que mais - não renegava o que disse e defendeu não há muito tempo. Mas como quer ser eleito, lá vai ter que dizer o que a maioria dos portugueses quer.
Por mim, não terá o meu voto. Não pela mesma razão do João Távora certamente, mas porque este homem representa o que eu mais abomino numa pessoa: um xico-esperto que por ser, teoricamente , um professor universitário pensa que sabe tudo. Isto só é possível num país onde a maioria da população na passou da quarta classe.
Corrier della Sera
ResponderEliminarColónia '
É um homem brilhante e que defende causas progressistas, a ver se Portugal se torna um local decente e sai da noite em que a direita nos mergulhou.
ResponderEliminarInteligentíssimo, caráter inatacável, atento ao sentir dos portugueses, homem de diálogo e de abrangência. Chega a ser cómico que a direita o ataque, mas percebe-se, ele saíu bem a tempo de um barco podre, e demarcou-se das políticas de direita que estragaram a vida e a felicidade das populações. Deviam ser julgados em tribunal pelo mal que fizeram ao país em quatro anos.
Quem gosta de o atacar é a dona João Avilez, o que é imediatamente um sinal de que ele está no caminho certo.
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ResponderEliminarParece-me que não anda a ler a cartilha dos seus apaniguados.
ResponderEliminarNão é essa descrição idílica do candidato Marcelo que é feita na última edição do jornal Avante.
Veja lá se ainda arranja problemas
http://www.avante.pt/pt/2196/opiniao/138463/
ResponderEliminarQuando o próprio comunista elogia Marcelo Rebelo de Sousa, sabemos que associar este à "direita" é um disparate.
Marcelo Rebelo de Sousa não é de "direita" nem de "esquerda", é apenas um oportunista calculista que acha que já tem garantidos os votos da "direita" e precisa também dos da "esquerda" para ganhar à primeira volta, porque teme que a "maioria de esquerda" ganhe a segunda volta.
Henrique Neto está a mostrar nos debates que não deixou de ser socialista mas é, ao contrário de todos os outros candidatos de "esquerda", suficientemente realista e pragmático para saber que só se pode gastar o que se tem. E, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não é um catavento sem princípios.
Marcelo é um contorcionista sem coluna vertebral e um grande cobardolas, como se diz no post.
ResponderEliminarDefende causas "progressistas" agora, que lhe interessa defendê-las para captar os votos dos papalvos.
(E nem vou sequer discutir o quanto progressista é tirar a vida a uma criança em gestação, em vez de se promoverem politicas de apoio à gravidez, numa ocasião em que a baixa natalidade é um drama com que a nossa sociedade se defronta).
Há poucos anos atrás Marcelo fazia campanha pelo "não" no referendo ao aborto:
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=164634.
Marcelo enquanto jurista distinguiu-se por vender pareceres legais e constitucionais defendendo tudo que lhe pagavam para defender. Não é surpreeendente que enquanto candidato se comporte da mesma forma, defendendo tudo aquilo que os votantes desejem.
ResponderEliminarSabe, no meu partido a liberdade de expressão, conquista de abril, é vista com normalidade, por isso não temos que estar todos de acordo em tudo, nomeadamente em avaliações de candidatos. Basta ver como Marcelo foi recebido na Festa do Avante.
ResponderEliminarComo dizia Mário Soares, só os burros é que não mudam.
ResponderEliminarO comentador comunista a fazer o panegírico a Marcelo e a citar Mário Soares?!?!?
ResponderEliminarMau, mau!
Não sei se os seus amigos do Comité Central vão achar muita piada! :-)
Este suposto comunista deve estar entre aqueles que as sondagens dizem irem votar em Rebelo de Sousa.
ResponderEliminarEu também votarei nele. É do mau o menos!!!
Os burros, os oportunistas e os cobardolas
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