Completamente alheio às eleições presidenciais, abri hoje uma excepção, por gosto pelo confronto, para ver o debate entre Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa. Foi engraçado em alguns momentos, mas como é evidente só reforçou as minhas convicções monárquicas. O mais ridículo neste nosso absurdo regime semi-presidencialista é que, após 40 anos de "sufrágio directo", um dos pontos que está sempre em acesa discussão é quais são os poderes de que, afinal, o chefe de Estado dispõe, onde começam e onde terminam, se são suficientes ou excessivos. se entram em conflito com os outros poderes, como devem ser interpretados, etc, etc. Se ainda houver país, talvez daqui a outros 40 anos cheguem a uma conclusão.
Realmente (no pun intended) para estar genuinamente acima e sobretudo ser impermeável a partidos, só um Monarca.
ResponderEliminarSoam a falso estes candidatos em tão rápida metamorfose.
Ontem bichos da seda fora ou dentro de casulos partidários.
Agora crisálidas ofegantes nos debates, a bombear platitudes.
Mas só um será borboleta e pousará feliz frente á estátua de Afonso de Albuquerque por uns anitos.
A verdade é que os PRs não assinam os cheques do Estado.
Apenas uma muito desejada "ego-trip".
O fim deste País começou a 5 de Outubro de 1910...
ResponderEliminar"O mais ridículo neste nosso absurdo regime é que um dos pontos que está sempre em acesa discussão é quais são os poderes de que, afinal, o chefe de Estado dispõe"
ResponderEliminarQuando havia monarquia em Portugal esse ponto também esteve em acesa discussão e foi aliás motivo para quinze anos (de 1820 a 1834) de guerra civil. Não é o facto de o país ser uma monarquia ou uma república que clarifica quais são os poderes do chefe de Estado.
Creio que seria mais útil ficarmos no século XXI e não recuarmos ao período que refere (e porque não 1640 ou 1385 ou 1143 ?) e compararmos o originalíssimo semi-presidencialismo português com monarquias parlamentares da Europa de hoje. Até em Espanha, onde o retorno da democracia também aconteceu há cerca de 40 anos, se perde muito menos tempo a discutir quais são e como devem ser exercidos os poderes do chefe de Estado.
ResponderEliminarOK, então o Duarte quer um rei sem poderes absolutamente nenhuns (o rei de Espanha e a rainha de Inglaterra são muito decorativos mas têm menos poder do que o nosso presidente - basicamente não têm poder absolutamente nenhum, não podem vetar leis nem, muito menos, dissolver o parlamento).
ResponderEliminarMas, mesmo que Portugal se fosse transformar numa monarquia, a questão colocar-se-ia: deveria o rei ter alguns poderes políticos? Ou absolutamente nenhuns? E não é clara qual devesse ser a resposta. O Duarte tem a sua opinião, mas possivelmente outros monárquicos terão opiniões distintas.
Não me parece que os monarcas espanhóis e britânicos não tenham poderes nenhuns, mas certamente terão menos do que os presidentes portugueses. Eu, além de monárquico, sou parlamentarista. Aliás, já que em Portugal a grande maioria dos republicanos está satisfeita com o semi-presidencialismo (havendo alguns que propõem o presidencialismo), só os monárquicos (ou a sua grande maioria) defendem abertamente um regime parlamentar, semelhante ao que existe em diversos países europeus. Mesmo várias repúblicas europeias, caso da Alemanha, Itália ou Grécia, elegem através do parlamento o seu chefe de Estado e não por um sufrágio directo que, ao criar uma dupla legitimidade eleitoral (presidente e parlamento), tem sido em Portugal uma interminável fonte de conflitos e mal entendidos institucionais entre chefes de Estado e governos. Ainda há pouco tempo vimos isso e é garantido que, seja quem for eleito presidente, mesmo que haja um período de acalmia, voltará a acontecer, seja qual for o governo.
ResponderEliminarNão sendo monárquico, estou de acordo consigo que o nosso regime político, que nem sequer é semi-presidencialista no sentido francês, faz pouco ou nenhum sentido. Ou bem que deveria ser transformado num regime puramente parlamentar e o Presidente da República deveria deixar de ser diretamente eleito, ou bem que deveria ser transformado num regime presidencialista em que o Presidente seria Primeiro-Ministro e não poderia ser destituído pelo Parlamento.
ResponderEliminarSe defende um monarca sem poderes, serve para quê?
ResponderEliminarPara símbolos já temos a bandeira e o hino. Para mobília bastava um pchiché. Gastar dinheiro para ter um representante do estado junto da Hola, não parece uma boa ideia.
Penso que o que se pretende ao criar uma dupla legitimidade eleitoral é um sistema que não ponha os ovos todos no mesmo cesto. O sistema é mais instável mas se o que se pretende é sobretudo estabilidade então o melhor seria uma ditadura.
O caso particular de Portugal é muito cómico. Temos alguém que clama que tem o direito divino de governar Portugal, porque descende diretamente de um rei que foi expulso do país após tentar implantar uma monarquia absoluta. Não são más credenciais. Se as qualidades de liderança são hereditárias, não dou grande coisa por estes genes.
Então estamos de acordo em muito do que é essencial.
ResponderEliminarPoucas vezes vi tantos erros e preconceitos em tão poucas linhas. Gasta-se muito mais dinheiro com presidentes da república do que com reis. Quando um presidente é de esquerda e o governo também ou quando ambos são de direita (geralmente oriundos dos mesmos partidos), o que tem acontecido frequentemente em Portugal, os ovos estão em que cestos? Um rei não pertence a partido nenhum, não entra em cestos nenhuns. D. Duarte de Bragança não clama por nenhum direito divino, nem sequer é "pretendente" a nada, é apenas chefe da Casa Real portuguesa. Quanto à pergunta inicial, para que servem os reis, sugiro que a dirija aos povos das democracias mais avançadas do mundo onde eles atingem níveis de popularidade e consenso que nenhum presidente república tem.
ResponderEliminara Rainha de Inglaterra em mais poderes do que pensam.
ResponderEliminarrepresenta: o estado, a igreja, a maçonaria por interposta pessoa; vigia o governo
Se um rei não tem um direito divino, quem mais, além de Deus, tem o direito de estabelecer diferenças entre os homens e declarar que só os nascidos numa família podem ser reis?
ResponderEliminarNão são os homens todos iguais?
Como podem ser iguais e ter destinos predestinados à nascença?
Quem é a pessoa que os monárquicos propõem para rei? Defendem uma monarquia sem rei?
Não sendo Portugal um reino o que é a Casa Real Portuguesa?
Acredita mesmo que sustentar reis que não têm função nenhuma é barato?
Quanto aos níveis de popularidade é difícil aferir isso sem eleições. Com essa lógica o Chefe de Estado do Canadá deveria se Justin Bieber e não Isabel II.
Mais uma vez atira completamente ao lado. Os reis europeus são há muito confirmados pela votação dos parlamentos, dos representantes eleitos do povo. Ainda recentemente se viu isso em Espanha, com Filipe VI, que, se bem me lembro teve mais de 90% dos votos, incluindo do PSOE. A Casa Real existe e existirá, quer queiram ou não os republicanos, porque são os monárquicos portugueses que a reconhecem e que pretendem que D. Duarte (e não é ele que é "pretendente") seja rei como legítimo representante da dinastia de Bragança, reinante até 1910. Quanto à aferição da popularidade, em todas as monarquias europeias (e também no Canadá ou na Austrália, onde houve há poucos anos um referendo sobre o assunto) os republicanos são livres de se exprimirem, formarem partidos, movimentos, apresentar petições aos parlamentos, etc. Os resultados estão à vista.
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