segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A grande bizarria

Felizes são os ingleses, os espanhóis, os belgas, os suecos, os holandeses, os dinamarqueses, os luxemburgueses ou os noruegueses, que têm a sorte de não terem de aturar periodicamente esta coisa sinistra das "presidenciais". Decididamente, esta berraria em que se envolveram nas últimas semanas umas quantas obscuras figuras do regime e um bem-sucedido comentador televisivo, foi incapaz de unir ou mobilizar os portugueses. O cargo, uma bizarria assente num enorme equívoco, no final de contas pode constituir uma bomba relógio para a total ingovernabilidade do país. Ao contrário das modernas monarquias europeias, o modelo de Chefia de Estado em Portugal não é um poder moderador, arbitral e suprapartidário. Sempre oriundo duma facção ideológica que disputa o poder, a legitimidade de uma maioria absoluta de votos expressos, alguns deles contrariados, concede ao Presidente a competição com a Assembleia da República pela autoridade para interferir ou até formar um Governo, e em última análise, a sua demissão através da dissolução do Parlamento. Perante este panorama, resta-nos rezar para que o vencedor, não sendo “apartidário”, por mais pressionado que vier a ser pelas piores circunstâncias possíveis e imagináveis, se consiga afirmar como um elemento estabilizador e construtivo. Algo que seria muito mais fácil em Monarquia.


 


Publicado originalmente no Diário Económico

3 comentários:

  1. Porque carga de água é que uma pessoa só por ser rei é uma pessoa razoável.


    Pensando apenas nos reis portugueses vem à memória: D. Sancho II, e D. Afonso VI. D. Maria I, que morreram loucos. D. Fernando e D. Sebastião quase provocaram o fim de Portugal independente, D. Miguel deu início a uma guerra civil contra o irmão e a sobrinha, D. Carlos foi de tal maneira detestado que celebraram o seu assassínio pelas ruas.


    Muitos deles criaram problemas na sucessão porque a monarquia assume que alguém, por ser rei, não pode ser  louco ou incompetente. Se tivesse sido eleitos por um prazo curto e tivessem de ir a eleições, tinham-se poupado muitos males.

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  2. Sim houve e haverá desde óptimos e mauzinhos Monarcas.
    Um Rei provavelmente até seria mais facilmente capaz de juizos reconhecidamente independentes. Um PR devido ao suporte partidário que o guindou será sempre preso por ter cão e preso por não ter.
     
    Mas o problema da Constituição portuguesa é outro:
    Quem é eleito directamente, em nome próprio pelo eleitor -e consequentemente penalizável eleitoralmente se mau gestor- não governa, não assina os cheques da República. E sobretudo não é quem contrai as tremendas dívidas. Só sa deixa passar, sabemos porquê.
     
    Quem realiza a mazinha gestão é um não directamente eleito, sem Lei que o puna, escudado numa imensa obscura máquina lobie partidário, que para ser re-eleito e favorecer quem o ajudou cria as dívidas que os outros governos, e gerações, hão-de pagar ....

    E como se viu, os PRs (propfissionais de Finanças ou não) no primeiro mandato assinam de cruz tudo o que lhes põem à frente ... mesmo que financeiramente um desatre.

    Acredite: esta Constituição é uma obra prima, para os interesses dos seus autores.

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