Confesso que ao contrário de algumas feministas eu gostava de ter tido direito a ouvir uns piropos. Julgo aliás que a coisa mais próxima dum piropo que alguma vez ouvi remonta aos tempos da minha tenra infância, quando eu ia ao talho ou à mercearia fazer um recado à minha mãe. Infelizmente os galanteios provinham invariavelmente de senhoras com idade para serem minhas bisavós. Verdade seja dita, a gracinha acabou antes de eu chegar à puberdade. Aliás, sempre me custou a perceber o porquê das vizinhas velhotas me acharem tanta graça ao mesmo tempo que as miúdas da escola teimavam ser sempre tão reservadas e distantes no que ao assunto diz respeito. Entendi mais tarde que havia uma questão de “papéis”: afinal competia-me a mim ser duro, destemido e cortejador. Não muito convencido disso, ainda tive esperança de usufruir de alguns benefícios da dinâmica igualitária da revolução sexual que teve particular impulso durante a minha juventude. Privilégios que fossem mais estimulantes do que lavar a loiça e cozinhar que então se juntavam aos tradicionais de ir buscar as minhas irmãs a casa das amigas, carregar com a bilha de gás e os sacos das compras. É muito azar: a revolução afinal foi demasiado lenta e não será certamente agora, pai de família careca e consumido por mais de cinquenta anos de erosão que me habilito a ouvir um piropo atrevido.
Vem isto a propósito desta notícia do DN, referindo que desde Agosto um piropo possui carácter de "propostas de teor sexual" com relevância criminal. É uma pena: se estou convencido de que não é com decretos-lei que se irá acabar com a perversão humana, acredito que com o moralismo se pode acabar com muita boa disposição.
Tem toda a razão.
ResponderEliminarImagine com que se preocupava a gente do PSD em Agosto!
fui sempre magricelas e de saúde algo precária por erros médicos.
ResponderEliminarfelizmente as mulheres do meu tempo não me ligavam.
só se interessaram pela minha posição social e pelo meu dinheiro quando este ficou viúvo.
ganhei uma aposta aos profissionais do piropo. colocados no início da rua do Carmo tinhamos de acompanhar moças que subissem o Chiado. quando chegou a minha vez dirigi-me a moça indicada e disse:
-menina faça-me um favor. deixe-me ir a seu lado como se fossemos a conversar até virar para a Garret. quero comer um bife no Nicola à conta dos tansos. a moça riu-se e fomos conversando.
há mese estava junto duma montra da Sá da Costa e ouço:
'-levavas uma bela f...!
'mudam-se os tempos ....' dizia o cego
Foi uma proposta do psd (às vezes também tem razão, tal como um relógio parado que acerta 2 vezes por dia); as mulheres têm o direito de andar na rua sem serem incomodadas por ordinarices
ResponderEliminarFoi uma proposta do psd (às vezes também tem razão, tal como um relógio parado que acerta 2 vezes por dia); as mulheres têm o direito de andar na rua sem serem incomodadas por ordinarices
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