Ainda há uma possibilidade do governo da coligação passar com a abstenção do PS. Porque uma aliança PS, BE e PCP é, como comprovam as dificuldades no acordo, contranatura. Acontece que espaço eleitoral dos partidos de protesto é por natureza limitado mas “garantido”. Ora o BE e o PCP sabem que se o abandonarem para sustentação de um governo António Costa inevitavelmente “austeritário”, outros lhe tomarão o lugar. Pior: até ao último minuto haverá a tentação dos dois entre eles tirarem partido um do outro para se apoderem desse “espaço garantido”. Ou seja, um ou outro saltará fora na primeira oportunidade da última hora. António Costa foi claro ao garantir uma postura “responsável”, só aprovando uma moção de censura se tiver alternativa. Assim se compreende o discurso radical socialista: para não perderem a esquerda, recusam o ónus do falhanço da aliança, e vão assumir o protagonismo deste jogo de sombras para, chegando à 25ª hora, lavarem as mãos perante o alívio da depauperada classe média. Assim, Costa ainda se safa no congresso exibindo o troféu desta sua congeminação, reclamando que o falhanço foi culpa dos radicais.
Publicado originalmente no Diário Económico
É uma hipótese que não pode ser descartada e está, desde o dia 7 de Outubro, explicitamente prevista neste artigo de Porfírio Silva a que se tem dado menos importância do que merece:
ResponderEliminarEsta solução, não sendo a mais provável é perfeitamente possível, tem ainda a vantagem de obrigar a coligação a apresentar um programa o mais próximo possível do programa do PS, podendo António Costa vangloriar-se de ter conseguido de uma penada trazer o PC e o BE para o arco da governação e de ter obrigado a coligação a rever o seu programa de forma muito favorável.
Depois é esperar pela altura certa de tirar o tapete ao governo da coligação e aparecer nas eleições na melhor posição e tempo possíveis.
Mas o PCP e o BE alinham apenas para destruírem a economia. Em fazendo isso vem a revolução.
ResponderEliminarNão vão para lá para governar um sistema capitalista, como é mais que óbvio.
E o PSD/CDS não vão fazer explodir o sistema capitalista, porque isso é tarefa deles.
Estou no ar para ver a coligação 3D em funções!
ResponderEliminarVai ser como a vacina da gripe!
O problema são as eleições. O problema é "o povo" de quem o PS tanto gostava. É que para quem não reparou há eleições e o PS não quer eleições. O que o PS quer é precisamente a impossibilidade de o PR convocar eleições. :-)
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